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Coronavírus
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Vacina de adolescentes: 700 mil pessoas de 12 a 15 anos poderão receber vacina Pfizer no Ceará

Especialistas elogiam ampliação da vacinação. Não há prazo para esse grupo começar a ser vacinado

15:17 | 12/06/2021
Vacina da Pfizer é a primeira a ter aval para adolescentes (Foto: JOEL SAGET / AFP)
Vacina da Pfizer é a primeira a ter aval para adolescentes (Foto: JOEL SAGET / AFP)

Foi dada aprovação à primeira vacina contra Covid-19 no Brasil para ser aplicada em adolescentes. O imunizante da Pfizer recebeu aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para crianças e adolescentes com 12 anos ou mais. Estados Unidos, Canadá e Europa também deram sinal verde à única vacina até agora com autorização para uso em crianças e adolescentes no mundo.

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No Ceará, pelo menos 704.852 cearenses com idades entre 12 e 15 anos, conforme projeção do IBGE, passaram a integrar o grupo de pessoas que podem ser vacinadas contra a Covid-19. A autorização para uso da vacina da Pfizer ocorreu na sexta-feira, 11, quase um mês após a fabricante apresentar o pedido à agência, protocolado em 13 de maio.

Segundo a Anvisa, a liberação foi aprovada após a Pfizer comprovar, através de estudos desenvolvidos fora do Brasil, a segurança e eficácia da vacina para este grupo. O antígeno já havia sido liberado para maiores de 16 anos e foi o primeiro a obter registro definitivo no Brasil, em fevereiro deste ano. Atualmente, o imunizante é o único no País que pode ser utilizado em pessoas com menos de 18 anos.

Especialistas ouvidos pelo O POVO elogiaram a decisão da Anvisa e apontaram que, com a ampliação do grupo apto a receber a vacina, são maiores as chances do Brasil controlar a pandemia. Eles ressaltam, no entanto, que para isso acontecer, o Ministério da Saúde deve ampliar a oferta de imunizantes e acelerar o ritmo da campanha nacional de vacinação.

O imunologista Cícero Inácio diz que a decisão da agência reguladora brasileira deve ser comemorada, uma vez que já existem estudos internacionais comprovando a efetividade da vacina no mesmo grupo. “Já foram feitos estudos em outros países, como Estados Unidos e Reino Unido, então a Anvisa apenas carreou os resultados positivos de lá e confirmou as decisões de agências internacionais. Foi uma decisão muito acertada, porque a Pfizer é uma vacina muito eficiente e com poucos relatos de efeitos colaterais”, comenta.

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O médico ainda avalia que, para diminuir a circulação viral, não basta apenas imunizar os adultos. Segundo ele, a hipótese de que as crianças e adolescentes estarão protegidas da Covid-19 com a vacinação isolada de adultos está errada. “A maior taxa de transmissão da Covid-19 não é no trabalho, mas dentro de casa, onde geralmente não costumamos usar máscara. Suponhamos que um adulto sai, vai trabalhar, e por algum descuido, traz para dentro de casa o vírus. Ele, então, pode transmitir para todos da família, inclusive para as crianças e adolescentes. A doença não escolhe idade ou sexo, pode atingir a todos. Por isso, é importante que todos se vacinem. Acredito que, com os estudos já em andamento, o público-alvo tende a ser cada vez mais ampliado, o que é muito positivo”, pondera.

A análise do imunologista vai na linha do que pensa a pediatra e pneumologista Kaline Cristh: “Quanto mais pessoas imunizadas, menos o vírus vai circular e menos casos graves iremos ter”. Ela diz que, por mais que crianças e adolescentes sejam mais resistentes ao novo coronavírus, a vacinação é a única garantia de proteção eficaz.

Cristh sugere que, quanto maior o número de crianças vacinadas, menor será o alcance da cadeia de transmissão do coronavírus. “Imunizando as crianças e adolescentes, teremos menos chances deles contraírem a doença e, consequentemente, de transmitir para seus familiares. Isso quebra a cadeia de transmissão dentro do núcleo familiar. Então, quanto mais a faixa etária do público alvo for reduzida, melhor”, analisa.

A médica ainda lembra que, embora as estatísticas de casos graves sejam menores entre crianças, os registros de infecções neste grupo podem chegar a 150 mil num universo de um milhão de pacientes positivados. ”A grande maioria das crianças, até 90%, desenvolvem a forma leve da doença. Mas entre 10% e 15% podem desenvolver quadro grave. Se você colocar isso para um milhão de pessoas, já é bastante gente. Então, quanto mais possibilidades de garantir imunização a esse público, menos possibilidades de mortes teremos.”

Sem prazo

O POVO perguntou ao Ministério da Saúde se já há planejamento para o início da vacinação deste grupo. Por meio de nota, a pasta diz que o assunto será debatido na Câmara Técnica Assessora em Imunização e Doenças Transmissíveis, mas não estipulou uma data.

O Ministério ainda salienta que, neste momento, “a prioridade é vacinar todos os grupos prioritários estipulados pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19 e imunizar a toda a população acima de 18 anos.”