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Covid-19: Crianças têm mais chances de serem infectadas do que de transmitirem, diz estudo

Pesquisa da Fiocruz, em parceria com cientistas estrangeiros, revelou que o público infantil tem um papel pouco significativo sobre a propagação da doença
14:02 | Mai. 10, 2021
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Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com instituições estrangeiras,  apontou que crianças têm mais chances de serem contaminadas por adultos com o vírus causador da Covid-19 do que de transmitirem para eles. O estudo foi realizado com 667 pessoas em 259 domicílios em Manguinhos, na zona norte do Rio de Janeiro (RJ), entre maio e setembro de 2020. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira, 10. 

Os pesquisadores estiveram na comunidade de Manguinhos para investigarem a transmissão do vírus na região. Durante análise, os pesquisadores observaram que as crianças que testaram positivo para o Sars-CoV-2 tiveram contato com adultos ou adolescentes que manifestaram os sintomas da doença.

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A coordenadora do estudo, Patrícia Brasil, chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, fez duas importantes ressalvas quanto ao resultado da pesquisa. A primeira é que os dados foram levantados em um momento em que a variante P.1, mais transmissível atualmente, ainda não havia surgido; e a segunda se refere ao fato de que o distanciamento social era maior comparado ao observado agora.

A profissional pontuou, em entrevista ao O GLOBO, que as crianças na prática têm representado pouco risco no que diz respeito à disseminação do vírus. "Nossas descobertas sugerem que em cenários como o estudado, escolas e creches poderiam potencialmente reabrir se medidas de segurança contra a Covid-19 fossem tomadas e os profissionais adequadamente imunizados”, disse.

O estudo, intitulado “A dinâmica da infecção de SARS-CoV-2 em crianças e contatos domiciliares em uma comunidade pobre do Rio de Janeiro”,  deve seguir com foco na investigação de como tem ocorrido a transmissão neste ano, levando em consideração o surgimento de variantes.

Dentre as instituições que fizeram parceria com a Fiocruz, estão a Universidade da Califórnia e a Escola de Medicina Tropical e Higiene de Londres. O estudo foi considerado de impacto para a tomada de decisões estratégicas como a reabertura das escolas e foi aceito para ser publicado na revista científica "Pediatrics, Official Journal of the American Academy of Pediatrics", cuja edição é feita pela Sociedade Americana de Pediatria.

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