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Coronavírus
NOTÍCIA

Médico acredita que 2ª dose da Coronavac pode ser tomada em até 6 semanas

Segunda dose do imunizante foi suspensa para quem chegou ao limite do prazo após Ministério da Saúde atrasar envio das vacinas

Ítalo Cosme
11:44 | 30/04/2021
O infectologista Anastacio Queiroz tirou dúvidas dos ouvintes da rádio O POVO CBN sobre coronavírus (Foto: FÁBIO LIMA)
O infectologista Anastacio Queiroz tirou dúvidas dos ouvintes da rádio O POVO CBN sobre coronavírus (Foto: FÁBIO LIMA)

O médico infectologista Anastácio Queiroz acredita que a segunda dose (D2) da vacina Coronavac/Butantan contra a Covid-19 pode ser tomada em até seis semanas sem prejuízo aos que já receberam a primeira. Isso porque o prazo de 4 semanas (28 dias) para a D2 de quase 40 mil pessoas em Fortaleza não foi cumprido após o Ministério da Saúde(MS) atrasar o envio de doses do imunizante.

O especialista cedeu entrevista aos jornalistas Jocélio Leal e Rachel Gomes, na manhã desta sexta-feira, 30, na Rádio O POVO CBN. Questionado se a imunização dos pacientes seria prejudicada, o médico respondeu: "Alguns acreditam que não. Demorar umas quatro semanas, até 6 semanas do prazo, é provável que a resposta imune seja mantida. Evidente que esse estudo não foi feito, mas pelo conhecimento que se tem, provavelmente as pessoas não teriam prejuízos".

Nessa quinta-feira, 29, a segunda dose de imunização com a Coronavac foi suspensa em Fortaleza e outros municípios brasileiros. Em março, a orientação do Ministério da Saúde era para usar o quantitativo disponível para a aplicação da D1. Porém, houve problemas com insumos para fabricação do imunizante e o Butantan não conseguiu cumprir o cronograma. Nessa sexta-feira,  600 mil doses foram entregues aos Ministério. 

Apesar de não ter se aprofundado nas justificativas que levaram à recusa da Anvisa à vacina Sputnik, Anastácio reforça o papel do órgão regulador brasileiro e acredita que documentos não foram entregues e dúvidas não foram sanadas para que o imunizante russo fosse autorizado no Brasil.

 

Tratamento precoce


Sem comprovação científica nenhuma e rebatido por médicos mundo a fora, o tratamento precoce foi defendido por parcela de brasileiros, boa parte seguidores do presidente Jair Bolsonaro - que não é médico. No entanto, chamou atenção no Ceará quando o infectologista Anastácio Queiroz sustentou a mesma estratégia.

Durante a conversa na Rádio O POVO CBN, Anastácio reforçou que utiliza o que está disponível para o tratamento de pessoas sintomáticas. "Se as pessoas não tratam, eu vou respeitar a todos", declarou ao lembrar que está trabalhando desde março de 2020 no combate à pandemia da Covid-19 e que tem acompanhado a literatura sobre o tema.

"Eu sempre tive relação muito boa com os pacientes. A terapia evoluiu muito. Se a pessoa for atendida cedo, com todas as armas disponíveis, dificilmente ela irá para o hospital. Não é impossível", acredita.