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Coronavírus
NOTÍCIA

Mulher com suspeita de Covid-19 é internada às pressas após receber alta em UPAs da Capital

Antes de ser hospitalizada, paciente havia passado por atendimento médico, mas foi orientada a voltar para casa

23:25 | 06/04/2021
Maria Lucineide Maciel, 58, recebeu alta médica em duas UPAs antes de ser internada por complicações da Covid-19 (Foto: Arquivo pessoal)
Maria Lucineide Maciel, 58, recebeu alta médica em duas UPAs antes de ser internada por complicações da Covid-19 (Foto: Arquivo pessoal)

Uma mulher com suspeita de Covid-19 foi internada às pressas no Hospital Distrital Maria José Barros de Oliveira (Frotinha da Parangaba), em Fortaleza, na madrugada do último domingo, 4, pouco depois de receber alta médica em duas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Capital. Maria Lucineide Maciel Marques, de 58 anos, moradora do Bairro Jardim Jatobá, apresentou indisposição intestinal e vômitos constantes, no dia 30 de março, quando foi levada por familiares à UPA do Canindezinho, onde recebeu atendimento médico, medicação e em seguida foi encaminhada para casa sem se submeter a exames de detecção da Covid.

Três dias depois, os sintomas voltaram e se manifestar com mais força. “Ela não conseguia nem ficar de pé. Não se alimentava direito, estava completamente sem forças”, contou a nora de Lucineide, Carmen Marques. Diante do agravamento da situação, a mulher foi levada para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), na última sexta-feira, 2, mas não recebeu atendimento. A família diz ter sido informada pelos funcionários que a unidade está prestando assistência apenas a pacientes com diagnóstico confirmado de Covid-19. A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) foi procurada para comentar o assunto, mas não enviou resposta até a publicação desta matéria.

Com a recusa do HGF, os familiares procuraram a UPA da Praia do Futuro. Após consulta médica, a mulher se submeteu a teste para Covid-19, ficou em observação por algumas horas, mas foi liberada para casa depois de receber soro e medicação. O prazo para a divulgação do resultado do exame, segundo a família, foi estipulado em cinco dias.

Novamente, após o retorno para sua residência, Lucineide apresentou piora. Os parentes, dessa vez, resolveram buscar atendimento em uma cidade vizinha. “Já tínhamos ouvido falar que a UPA do Maranguape tinha boa qualidade e decidimos levar ela pra lá, mas o serviço foi negado porque disseram que ela é de outro município”, detalha Carmen, classificando o episódio como “omissão de socorro e negligência”.

Procurada, a Secretaria de Saúde de Maranguape admitiu, por meio de nota, que não foram encontrados registros de atendimentos na UPA em nome da paciente, mas que a “a orientação da coordenação da Unidade é para que o atendimento de urgência e emergência seja feito a toda e qualquer pessoa que necessite”.

Na volta à Capital, Lucineide conseguiu ser atendida no Frotinha da Parangaba, onde passou por oximetria que apontou saturação de 78%. "Em questão de minutos, ela foi levada às pressas para a sala de ressuscitação, foi tudo muito rápido. Depois, já fomos informados que ela precisaria de um leito de UTI”, afirmou a nora da paciente. “É uma negligência sem precedentes do sistema de saúde. Imagina se a gente não tivesse feito todo esse esforço em busca de atendimento. Ela poderia ter morrido em casa”, questionou Carmen.

Segundo a família, o diagnóstico positivo para Covid-19 foi confirmado já na manhã desta terça-feira, 6, após a divulgação do exame. Depois de esperar quase três dias, a paciente foi transferida para um leito de UTI no HGF às 18 horas de hoje. O estado de saúde dela, de acordo com os familiares, é estável.

Família compra medicamentos

Os familiares de Lucineide Maciel também relatam que tiveram de comprar medicamentos, álcool em gel e água, a pedido da equipe médica, para garantir a continuidade do tratamento da paciente. Entre os fármacos adquiridos pelos parentes estão Dexametasona e Salbutamol, utilizados para aliviar sintomas respiratórios. “É inadmissível, em época de pandemia, um hospital do município não ter medicamentos tão essenciais como esses”, reclamou Carmen.

A Assessoria de Imprensa da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza prometeu enviar esclarecimento sobre o caso, mas não o fez até o fechamento desta matéria.