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Coronavírus
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Prefeito de Manaus diz que corpos que não puderem ser enterrados logo ficarão em refrigeradores

No último domingo, 10, a cidade registrou recorde de mortes pelo novo coronavírus. Ao todo, foram 144 corpos, concluindo o terceiro dia consecutivo de números de mortes superiores a 100

15:57 | 13/01/2021
 De acordo com David Almeida,  Manaus não terá mais valas coletivas para enterrar vítimas da Covid-19.
De acordo com David Almeida, Manaus não terá mais valas coletivas para enterrar vítimas da Covid-19. "Isso não vai acontecer" (Foto: Michael Dantas/AFP)

A cidade de Manaus volta a enfrentar em 2021 uma nova onda de casos e mortes pela Covid-19, que tem levado os sistemas hospitalar e funerário da cidade novamente a uma situação de crise. Nesta quarta-feira, 13, o prefeito de Manaus, David Almeida, relatou durante uma entrevista à rádio Gaúcha, a situação vivida nas últimas semanas na cidade. Conforme David, no mês de dezembro de 2020, o número de internações foi de 1.324, e, já nos nove primeiros dias de 2021, o número registrado foi 1.546 internações, um crescimento de 16% em menos de 15 dias.

Com a alta no número de mortes, a prefeitura de Manaus instalou câmaras frigoríficas no cemitério Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, onde é realizada a maior parte dos rituais fúnebres da região. As estruturas serão para armazenamento de corpos que não puderem ser enterrados de imediato, devido à alta demanda causada pela Covid-19. “Nós estamos vivendo, acredito, o pior momento”, relata o prefeito de Manaus.

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“Caso necessite sepultar um corpo de um dia para outro, que ele não fique nos carros funerários particulares, que eles não fiquem nas funerárias e que eles possam estar dentro de um ambiente refrigerado. Anteriormente, não se fazia isso e os corpos ficavam dentro das funerárias. Se tiverem corpos que não possam ser sepultados de um dia para o outro, nós vamos colocar eles nesses frigoríficos — isso tudo por causa do número elevado de mortes”, explica David Almeida.

Entre os motivos desta segunda onda da Covid-19 citados pelo prefeito de Manaus, ele destacou as festas de final de ano ocorridas nos últimos 15 dias. “Os epidemiologistas estão informando exatamente isso, que a segunda onda irá acontecer ainda essa semana. Tudo isso é reflexo dos 15 dias passados, que foi exatamente a época das festas de fim de ano. Eu acredito que elas ajudaram muito a aumentar a proliferação do vírus”, destaca.

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Ainda segundo David, o vírus se alastrou de uma forma muito rápida. “A prefeitura tem feito a sua parte por meio de decretos para manter o distanciamento social e restrições de circulação na cidade. Porém essa nova onda veio de uma forma muito forte. Não é diferente do que está acontecendo em Los Angeles, Inglaterra, Alemanha”, informa.

“Eu perdi minha mãe. Perdi a minha mãe. Cada lar, cada casa está chorando. É como se o anjo da morte estivesse visitando nossas casas a cada dia. Se nós não fizermos o distanciamento social só vai se agravar”, relatou o prefeito de Manaus.

No último domingo, 10, Manaus registrou recorde de mortes pelo novo coronavírus. Ao todo, foram 144 corpos, concluindo o terceiro dia consecutivo de números de mortes superiores a 100. No sábado, 8, mais 235 pessoas foram hospitalizadas, maior registro já alcançado na cidade.

Medidas

Com objetivo de evitar cenas como as do início da pandemia, com enterros em covas coletivas, a Prefeitura de Manaus anunciou a intenção de construir 22 mil gavetas no cemitério Parque Tarumã, o maior cemitério público da capital. De acordo com David Almeida, Manaus não terá mais valas coletivas para enterrar vítimas da Covid-19. “Isso não vai acontecer. Manaus não vai passar por isso. Aquelas imagens nunca mais. Aquilo foi uma vergonha”, relembra.

Nessa segunda-feira, 11, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, visitou a cidade de Manaus para anunciar ajuda ao estado. Segundo o prefeito de Manaus, a equipe de Pazuello permanecerá na região o tempo que for necessário para dar suporte ao município.

O Ministério da Saúde anunciou ainda recursos para a contratação de mais de 1.400 profissionais de saúde para reforçar o atendimento. Houve ainda a abertura de ao menos dez leitos de UTI, envio de equipamentos, insumos e medicamentos. Além disso, foram abertos 118 leitos clínicos no Hospital Universitário Getúlio Vargas, da Universidade Federal do Amazonas.