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Coronavírus
NOTÍCIA

Ceará segue em tendência de redução de casos de Covid-19; alta de casos apontada por consórcio foi influenciada por casos represados

A informação foi apontada pela Secretaria da Saúde do Estado na tarde desta segunda-feira, 12, após questionamento feito pelo O POVO. Entidade destaca que o Estado mantém tendência de queda

Alan Magno
18:49 | 12/10/2020
Movimentação na Praia de Iracema, em Fortaleza, tem sido intensa desde julho, com avanço da reabertura; no local, muitos não utilizam a máscara de proteção individual (Foto: Aurelio Alves/ O POVO)
Movimentação na Praia de Iracema, em Fortaleza, tem sido intensa desde julho, com avanço da reabertura; no local, muitos não utilizam a máscara de proteção individual (Foto: Aurelio Alves/ O POVO)

Na manhã desta segunda-feira, 12, o jornal Folha de S.Paulo, integrante do Consórcio de Imprensa, acordo firmado entre jornais para monitoramento de dados referentes à pandemia de Covid-19 no País, anunciou o Ceará como o único estado do País em alta no número de casos da doença. A informação, porém, é equivocada e, segundo a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), “a confirmação recente de casos que estavam represados desde março pode ter impactado a estatística” usada pelo veículo de comunicação.

A análise da situação divulgada pela Folha foi feita pela Sesa após questionamentos do O POVO. A Sesa pontuou que "identificou a manutenção da tendência de redução de casos e mortes tanto em Fortaleza quanto no Interior de uma forma geral" ainda que na última sexta-feira, cerca de quatro municípios do Estado terem registrado uma pequena alta no número de mortos pela doença.

De acordo com as informações divulgadas pela Folha, o Ceará estaria com uma média móvel de novos casos com índices superiores a 2 mil novos casos por dia. A realidade do Estado, porém, é de uma média móvel de 54 novos casos diários, segundo informações atualizadas às 17h24min de hoje, 12 de outubro, na plataforma IntegraSUS.


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O painel reúne os indicadores da pandemia no Estado e é alimentado diretamente com os sistemas de notificações de cada unidade de saúde presente nos municípios. Na última segunda-feira, 5, o IntegraSUS contabilizou em seu banco de dados 11.482 casos de infecções confirmadas pelo novo coronavírus. Esses casos, porém, estavam sendo computados desde março deste ano e ainda não haviam sido somados aos números totais do Ceará com relação à pandemia, devido a critérios do Ministério da Saúde, que foram revistos também na segunda, 2.

O fato dos casos terem ingressado oficialmente na plataforma somente na semana passada, não significa que eles ocorreram naquele dia em específico, já que eles estavam sendo registrado há pelo menos sete meses. Como a metodologia de análise da Folha de S.Paulo leva em consideração os números de casos e mortes registrados em um período de 30 dias, o acréscimo dos casos represados na conta total do Ceará pode ter sido responsável pela elevação tão discrepante anunciada pelo jornal já que os casos registrados nos 14 dias mais recentes (período no qual houve o registro dos mais de 11 mil casos) possuem peso 2 na conta que irá determinar se a região apresenta ou não aumento nos números da pandemia. 

Cautela

Apesar da média móvel de casos no Estado não estar em um nível tão alarmante como apresentado pela Folha, o momento ainda exige cuidados redobrados, segundo pontuou a Sesa. A necessidade do respeito às medidas de prevenção individuais e coletivas, como uso de máscara, não promover aglomerações, manter o distanciamento social mínimo e a higiene constante das mãos ainda deve ser empregada por todos.

As ações buscam evitar que surja uma nova onda de crescimento do número de casos e óbitos pela Covid-19 no Ceará. As ponderações foram feitas pela Sesa que destacou continuar acompanhando com muito critério e atenção a evolução da pandemia no Estado.

A entidade frisou ainda que diante do desrespeito das medidas e protocolos de biossegurança por parte da população pode estar associada ao aumento de óbitos registrado em cerca de quatro regiões cearenses, apontado no último boletim epidemiológico. O aumento foi responsável pelo não avanço no processo de reabertura econômica no Estado esta semana.