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Coronavírus
NOTÍCIA

Em tempos de pandemia, entenda a diferença entre limpeza, sanitização e desinfecção de ambientes

O que é mais indicado para cada ambiente? Que produtos cada técnica usa? É segura a aplicação? O POVO explica

Gabriela Feitosa
11:35 | 19/08/2020
Forças Armadas promovem ação de desinfecção no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, uma das medidas adotadas para prevenir a contaminação pelo novo coronavírus no Brasil (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Forças Armadas promovem ação de desinfecção no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), em Brasília, uma das medidas adotadas para prevenir a contaminação pelo novo coronavírus no Brasil (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Os novos hábitos adquiridos por causa da pandemia de Covid-19 pedem ainda mais a limpeza constante de ambientes, superfícies e mãos. Isto inclui desde os cuidados caseiros do cotidiano até aqueles adotados por estabelecimentos comerciais e espaços públicos. É aqui onde entram a sanitização e desinfecção. Provavelmente, você já deve ter ouvido falar nessas técnicas, que tomaram novos significados com a pandemia.

"Os dois conceitos sempre existiram. Legalmente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sempre teve a definição entre o que é cada um", comenta Ivam Cavalcante, Diretor Executivo da Devant Care, empresa que realiza esse tipo de serviço. De forma geral, conforme Anvisa, a sanitização é uma técnica de limpeza de ambientes que "reduz o número de bactérias a níveis seguros de acordo com as normas de saúde". Já a desinfecção é um processo que mata os microrganismos patogênicos, "mas não necessariamente todas as formas microbianas esporuladas em objetos e superfícies inanimadas".

Essencialmente, a diferença entre as duas está na formulação: enquanto os produtos da sanitização são mais "brandos", os da desinfecção têm doses mais fortes. É uma questão de manipulação. "O desinfetante é mais forte, mas não quer dizer que é mais agressivo. A sanitização, por exemplo, é uma forma úmida de você levar um agente químico à superfície, mas isso favorece surgimento de microorganismos", explica Ivam. E esse é um detalhe importante na opinião do diretor, que recomenda a desinfecção para estabelecimentos, já que ela pode se mostrar mais eficaz.

Com a pandemia, lugares que antes não utilizavam as técnicas passaram a contatar essas empresas com mais frequências, como no caso de supermercados, restaurantes, shoppings. Os hospitais já fazem uma desinfecção própria, então o desafio das empresas do ramo era se adequar às novas demandas.

Aqui em Fortaleza, o responsável técnico por sanitização e controle de pragas do Grupo Servnac, Matheus Rabelo, contou  como a demanda da empresa cresceu nesse período. "Nós passamos por um treinamento e começamos o serviço em maio. O grande pico foi em julho, durante a retomada (de serviços e estabelecimentos no Ceará). Chegamos a fazer sete locais por dia", disse Matheus. Ele reforça a diferença entre as técnicas, recomendando que a sanitização seja feita em ambientes mais abertos e a desinfecção em locais mais controlados.

O grupo fez sanitização e desinfecção de lugares como o Instituo Belchior, na Praia de Iracema, escritórios e lojas da cidade, e também de condomínios. "É bom fazer porque contra essa pandemia todo 'armamento' tem que ser utilizado", ressalta o técnico.

Os dois processos não podem ser aplicados juntos e nem próximo às pessoas, alerta Ivam Cavalcante. Cada uma tem seu objetivo. O diretor, no entanto, acha importante que voltemos à "cultura da desinfecção" para que os microorganismos não se tornem mais resistentes. "Não é nem novo normal, é novo hábito. Não é uma necessidade de agora, mas ela (a pandemia) só deixou mais claro o que sempre existiu", pondera.

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Use produtos regularizados

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem um anexo somente para falar sobre sanitização e desinfecção de ambientes e superfícies, com um glossário próprio. Basicamente, a limpeza é esse processo mais comum, que consiste na retirada de sujeiras visíveis. É a que fazemos em casa, no trabalho, utilizando produtos de fácil acesso. Já a sanitização e desinfecção, como explicadas anteriormente, devem ser feitas com responsabilidade, principalmente a desinfecção, que pede produtos mais fortes e pode oferecer risco à saúde se aplicada de forma incorreta.

O uso de produtos para limpeza e desinfecção de superfícies (saneantes) é um aliado importante para prevenir infecções pelo novo coronavírus (Covid-19). Por isso, a Anvisa recomenda a utilização somente de produtos regularizados. O ideal é dar preferência aos saneantes classificados nas categorias “Água Sanitária” e “Desinfetante para Uso Geral”.

Confira a lista de produtos (águas sanitárias e desinfetantes de uso geral) regularizados pela Anvisa 

Esses produtos devem ser usados para limpeza e desinfecção dos ambientes, utensílios e objetos (chão, superfícies de móveis, maçanetas, corrimão, interruptores de luz, e etc.), locais onde microrganismos como o Coronavírus podem estar presentes. Entre eles estão o álcool gel (produzidos à base de etanol, na forma gel e em concentração de 70%), além de hipoclorito de sódio, ácido peracético, quaternários de amônia e fenólicos.

Além disso, para alcançar o resultado esperado, é fundamental seguir as instruções contidas no rótulo do produto quanto à forma de uso, cuidados e equipamentos necessários para sua aplicação.

É importante ter cuidado com informações compartilhadas por meio de aplicativos, como “dicas” de uso de substâncias químicas para a produção caseira de produtos saneantes. Isso não é recomendável e pode colocar a saúde em risco, em especial pela falta de eficácia. Além disso, há risco de acidentes que podem provocar queimaduras, intoxicação e irritações.

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