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Coronavírus
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Covid-19: segunda onda no Ceará é improvável, mas não deve ser descartada

Nessa terça-feira, 18, o secretário estadual da Saúde (Sesa), Dr. Cabeto, disse que o Estado poderá não registrar uma segunda onda de coronavírus

Lais Oliveira
14:14 | 19/08/2020
Movimentação na Orla de fortaleza, na Praia de Iracema, durante pandemia de Covid-19.  (Foto: Aurelio Alves/ O POVO)
Movimentação na Orla de fortaleza, na Praia de Iracema, durante pandemia de Covid-19. (Foto: Aurelio Alves/ O POVO)

Mais de 70 dias após o início da flexibilização das atividades econômicas do Ceará, os indicadores relativos à Covid-19 seguem estáveis. Nessa terça-feira, 18, o secretário estadual da Saúde (Sesa), Carlos Roberto Martins, o Dr. Cabeto, disse que o Estado poderá não registrar uma segunda onda de coronavírus. De toda forma, um novo aumento de casos não deve ser definitivamente descartado, segundo especialistas consultados pelo O POVO.

"Hoje, minha percepção é que nós não vamos ter uma segunda onda. Nós não temos qualquer indicador sobre isso", afirmou o secretário durante o seminário online "O Futuro da Saúde", realizado pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado do Ceará (Sindessec).

Conforme Dr. Cabeto, inquéritos sorológicos realizados quinzenalmente mostram ainda que 13% a 14% de pessoas que moram nos diferentes bairros de Fortaleza, em média, tem anticorpos contra o coronavírus. Isso indica que o fenômeno da "imunidade de rebanho" - quando muitas pessoas estão imunes ao vírus e sua transmissão é dificultada - estaria próximo de ser alcançado na Capital.

"A minha impressão global é de que temos uma imunidade de rebanho perto do adequado e uma população que provavelmente vai ter pequenos surtos, mas não vamos ter a segunda onda como estava se achando anteriormente", reforçou o secretário.

O Ceará tem mais de 200 mil casos confirmados de Covid-19 e 8.206 mortes pela doença. Dados são do balanço divulgado em boletim na plataforma IntegraSUS, às 9h14min desta quarta-feira, 19. 

Chance de nova onda é remota, mas não impossível

Para o epidemiologista Marcelo Gurgel, membro do grupo de trabalho de enfrentamento à Covid-19 da Universidade Estadual do Ceará (Uece), a probabilidade de um novo aumento de casos no Estado é pequena, contudo, não pode ser eliminada.

"É um vírus que não conhecemos por inteiro. O Ceará está em declínio consistente há várias semanas, mas uma segunda onda pode chegar a partir da abertura de voos, nacionais e internacionais. Penso que a possibilidade é remota, mas não se pode baixar a guarda", avalia Gurgel. Ele destaca que não há certezas sobre quanto tempo se prolonga a imunidade das pessoas infectadas.

O infectologista Guilherme Henn, presidente da Sociedade Cearense de Infectologia (SCI), também concorda que não há garantias de que o Ceará não vai registrar uma recrudescência dos casos. Ele afirma ainda que é difícil dizer se o Estado está perto de alcançar a imunidade de rebanho porque algumas pessoas que tiveram a doença não criam anticorpos.

"Na verdade, tem outro tipo de imunidade contra o vírus, baseada em células T (tipo de glóbulo branco responsável pela segunda parte da resposta imune), que não é detectável por exames comercialmente disponíveis", comenta. A estimativa para que se tenha essa imunidade coletiva contra a Covid-19 está entre 20% e 30% atualmente.

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Por que Ceará segue com indicadores estáveis?

Ainda que regiões como o Cariri precisem ter maior atenção, a taxa de incidência da Covid-19 por 100 mil habitantes no Ceará é baixa, conforme ressaltou o secretário Dr. Cabeto no seminário online. "Nas ultimas semanas, quando há aumento de casos, são menos complexos e de forma geral mantendo-se uma média baixa", disse.

De acordo com o infectologista Guilherme Henn, um dos motivos para esse cenário não ter se alterado apesar da reabertura da economia está na flexibilização "ordenada e cautelosa" estabelecida pelo governo. Outra justificativa está no fato de muitas pessoas já terem sido infectadas pelo coronavírus.

Recentemente, o Amazonas, no norte do País, voltou a registrar altas nos óbitos depois de reabrir as escolas em Manaus, de acordo com os apontamentos do consócio dos veículos da imprensa. O estado estava há semanas em situação de estabilidade.

"É bem possível que quando a gente abrir nossas escolas, tenhamos um aumento de casos. É muito difícil, no entanto, prever se a gente vai ter uma segunda onda significativa ou só pequenos aumentos dos casos e óbitos", considera Henn. Um possível retorno das escolas está previsto no Ceará para setembro, caso os indicadores epidemiológicos sejam favoráveis. 

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Segundo o titular da Sesa, o Comitê Estadual de Enfrentamento à Pandemia do Coronavírus trabalha nos últimos estudos que devem definir os próximos passos da reabertura da economia no Ceará. "Sabemos das demandas das pessoas, mas o que aprendemos é que aqueles que fizeram o isolamento adequado tiveram a economia retomada mais rápido", ponderou o Dr. Cabeto.

Ele informou ainda que a capacidade de testagem do Estado será ampliada para 13 mil testes por dia com a inauguração na próxima segunda-feira, 24, da Unidade de Apoio à Testagem da Covid-19 da Fiocruz no Ceará, localizada no Eusébio.