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Coronavírus
NOTÍCIA

Brasil integra nova iniciativa da OMS para produção de vacina contra o novo coronavírus

A C-TAP reúne mais de 30 países e funcinoa como uma "irmã" da ACT Accelerator, primeiro projeto anunciado pela OMS ainda em abril; dos participantes, apenas quatro são de países subdesenvolvidos e pesquisas podem apresentar problemas por falta de recursos

10:15 | 03/06/2020
Vacinas em todo o mundo tem sido testadas (Foto: Aurelio Alves/O POVO)
Vacinas em todo o mundo tem sido testadas (Foto: Aurelio Alves/O POVO)

O Brasil integrou-se a nova iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa a produção de vacina, medicamentos e diagnósticos contra o novo coronavírus. A União de Acesso à Tecnologia para a Covid-19 (C-TAP) reúne mais de 30 países e funciona como uma "irmã" da Access to Covid-19 Tools Accelerator (ACT Accelerator), primeiro projeto anunciado pela OMS ainda em abril e no qual o Brasil e nem os Estados Unidos integraram. O anúncio foi feito ontem, 2.

O projeto foi idealizado pela Costa Rica e tem o objetivo de sugerir ações concretas para alcançar os objetivos da ACT Accelerator, o que inclui um acesso igualitário as pesquisas e as novidades realizadas sobre o novo coronavírus nos países integrantes. Isso facilitaria, segundo a OMS, a fabricação e a distribuição dos medicamentos pelo mundo de forma mais igualitária.

O projeto se baseia em alguns pilares, como a divulgação pública de pesquisas de sequenciamento de genes; a divulgação pública de todos os resultados de ensaios clínicos; o incentivo de governos e financiadores de pesquisas a incluir cláusulas em contratos com empresas farmacêuticas sobre distribuição e publicação de dados de ensaios clínicos de forma equitativa; o licenciamento de tratamentos e vacinas para grandes e pequenos produtores e a promoção de modelos abertos de inovação e tecnologia.

A diferença da C-TAP para a ACT Accelerator está nos países que a incluem. Dos que anunciaram adesão à iniciativa, apenas quatro são países desenvolvidos e todos esses europeus: Luxemburgo, Noruega, Portugal e Holanda. Os outros países, tido como subdesenvolvidos, podem apresentar problemas devido à falta de recursos governamentais. 

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Durante coletiva virtual, a OMS afirmou que ainda não há definição sobre qual será a atuação do Brasil no desenvolvimento e produção de tratamentos e vacinas, nem o que será feito "nos próximos passos" do projeto ou um calendário.

Em contraponto, o governo infirmou que a Bio-Manguinhos, unidade produtora de imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), é uma das instituições brasileiras com capacidade de produzir a vacina no futuro. Além de participar do acelerador de vacina, o ministro Ernesto Araújo informou que o País também estabelecerá cooperação bilateral com outros países que desenvolvem estudo na área. 

Vacina em desenvolvimento pela Oxford será testada no País

Diversas instituições pelo mundo estão trabalhando em diferentes modelos de pesquisas destinados à vacina pela Covid-19. Dentre elas, a Universidade de Oxford aplicará a próxima fase de testes da ChAdOx1 nCoV-19 no Brasil. A autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o estudo no Brasil foi publicada no Diário Oficial da União da última terça-feira, 2.

O estudo contará com cerca de 5 mil voluntários brasileiros e mais outros 5 mil no Reino Unido. A necessidade de testar no Brasil vem pelo fato do País ser o segundo com maior número de casos no mundo. Como o vírus está sob menor circulação na Europa devido às medidas de isolamento, as testagens continuarão em solo brasileiro. As doses foram produzidas pela empresa italiana Advent-IRBM e tem contrato para testes na universidade britânica e, se bem sucedida, para fabricação e distribuição pela AstraZeneca.

A vacina baseia-se em um adenovírus de chipanzés contendo a proteína spike, usada pelo coronavírus Sars-CoV-2 para agredir células humanas.

 

Com informações da Agência Brasil e Agência ANSA