Para população de rua, acesso a água potável é raro durante pandemia
Sede muitas vezes era resolvida enchendo garrafas em bares e restaurantes. Com estabelecimentos fechados, ações voluntárias se tornaram principal fonte de água
A população que vive nas ruas está entre os grupos mais desprotegidos para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. A falta de condições materiais para realizar a prevenção da Covid-19 é agravada pela dificuldade de elementos essenciais para a vida: alimentação e água. Iniciativas solidárias têm sido a principal fonte de suprimentos básicos e de afeto.
Uma delas é o projeto Auê do Amor que atua distribuindo alimentos desde o início do isolamento social. Já são 15 toneladas de alimentos e 4 mil refeições prontas entregues nas ruas e nas comunidades. “Nossa distribuição de rua é focada na região das avenidas Beira Mar e Abolição. Tem sempre gente na praça do Náutico (praça Matias Beck), na marquise do Pão de Açúcar e arredores. Ontem todos me pediram água. Foi assustador”, conta Mariana Marques, coordenadora do projeto.
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“Tentei entender o que tinha acontecido e o porquê de tanta sede. Na conversa com algumas pessoas pra quem entregamos jantar, disseram que recebiam água levando as garrafas e os restaurantes ou bares enchiam. Com o comércio fechado eles não têm”, conta. Nessa quinta-feira, 23, ao voltar da rua, Mariana postou em suas redes sociais um desabafo sobre a situação. Em resposta, a empresária recebeu contatos da iniciativa privada para contribuir na oferta de água para consumo dos grupos atendidos.
Outro grupo que também está atuando na Cidade é a Rede Rua, que está atendendo na sede do Grupo Espírita Casa da Sopa. Mesmo no Centro, onde o grupo atua, conhecido pela grande concentração de pessoas em situação de rua, não existem torneiras de fácil acesso e as entregas do poder público também não são suficientes. “Distribuímos todos os dias água mineral e oferecemos banho. Água potável para beber é coisa rara na rua”, afirma Lídia Valesca Pimentel. “Estamos numa luta para a abertura dos contêineres que estavam no projeto Corre pra Vida, mas não há previsão”, acrescenta mencionando iniciativa do Governo estadual voltada a pessoas em situação de rua ou em outros contextos de vulnerabilidade.
O secretário municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social, Renato Borges, explica que, além de em todos os equipamentos de acolhimento, “a população de rua terá acesso à água para beber em novos equipamentos para higiene pessoal que serão abertos”. Segundo Borges, a instalação desses pontos públicos para higiene está em fase de estudos. “Além disso, distribuímos água mineral nos locais onde eles ficam”, completa.