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Coronavírus
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Mais de 40 pacientes com coronavírus aguardam vaga em UTI no Ceará, diz a Sesa; todos os leitos estão ocupados

Pressão assistencial está no limite com 100% dos leitos de UTI ocupados, segundo a secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida

Rubens Rodrigues
12:14 | 16/04/2020
todos os 180 novos leitos estão ocupados, segundo a Sesa (Foto: Governo do Ceará/Divulgação)
todos os 180 novos leitos estão ocupados, segundo a Sesa (Foto: Governo do Ceará/Divulgação)

Atualizada às 16h14min

Pelo menos 40 pessoas aguardam leitos de Unidade de Tratamento Intenso (UTI) por Covid-19 no Ceará. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), todos os 180 novos leitos do SUS estão ocupados. A projeção do titular da pasta, dr. Cabeto, é ter 800 leitos até junho deste ano. Secretária executiva de Vigilância e Regulação da Sesa, Magda Almeida explica que o Estado ainda não recebeu todos os respiradores comprados para abrir os leitos restantes.

Nessa quarta, 15, a pasta havia informado taxa de ocupação de 31%. Esse número se refere aos leitos que são ocupados com pacientes da Covid-19. Com as pessoas internadas por outras enfermidades, a ocupação chega a 100%.

A plataforma IntegraSUS mostra que, no Hospital Leonardo Da Vinci, dos 28 leitos de UTI dois estão vagos, com atualização às 12h16min desta quinta. Segundo a Sesa, no IntegraSus o número de leitos é contabilizado UTI e enfermaria juntos por isso dá essa margem. Mas a secretaria garantiu que esses dois leitos vagos seriam de enfermaria. A taxa de ocupação total dos leitos, incluindo as UTIs e clínicas médicas da unidade hospitalar, é de 62,5%.

"Os números (de casos) podem estar crescendo mais devagar, mas a pressão assistencial já é grande pelo fato de não conseguir abrir os leitos. Está no limite", avalia a secretária executiva. O Ceará tem 2.386 casos confirmados do novo coronavírus e 124 mortes - taxa de letalidade é de 5,2%, conforme atualização às 9h50min de hoje. O Estado ainda não chegou ao pico da pandemia.

Para chegar na confirmação desses mais de dois mil casos, a Secretaria precisou fazer o sistema de integração de vigilância laboratorial. "Não pegamos só os números notificados no Ministério da Saúde. Pegamos resultado de laboratório, direto da base das redes pública e privada", explica. "Acompanhando apenas pelo Ministério, estaríamos ainda em cerca de mil notificações".

A Sesa divulgou estudo que compara os dados de óbitos do Ceará e do Brasil com países onde pandemia do coronavírus atingiu picos elevados de morte. A projeção indica mais de 250 óbitos por dia no Estado a partir de 5 de maio. O cenário é uma probabilidade caso a disseminação da doença evolua como em países em estado avançado da infecção.

A projeção mostra que o Ceará pode chegar a 1.576 óbitos no dia 4 de maio próximo se a progressão for semelhante a dos Estados Unidos, por exemplo. No dia 5, pode chegar a 1.865. A diferença é de 279 óbitos por dia. Comparando com o modelo da Itália, serão 1.672 óbitos em 4 de maio e 1.939 óbitos no dia seguinte. Nesse estudo, a diferença é de 266 pessoas mortas entre os dois dias.

Esses, no entanto, são os piores cenários. Magda Almeida explica que para chegar nessas possibilidades, é realizada projeção em machine learning a partir do número de casos. "Fazemos uma avaliação da ocupação dos leitos e enfermarias usando número real, que pode ser o número que existe hoje ou de UTIs que serão abertas", explica. Isolamento social e medidas de restrição de mobilidade são essenciais para que a contaminação seja mais lenta.