Críticos do Ceará elegem os melhores filmes de 2025
Entre os vencedores do Prêmio Aceccine estão os cearenses "Morte e Vida Madalena" e "Fogos de Artifício", e o pernambucano "O Agente Secreto"
Nesta segunda-feira, 26, a Associação Cearense de Críticos de Cinema (Aceccine) anunciou os vencedores do Prêmio Aceccine 2026. Desde sua fundação em 2016, a ação anual elege os filmes que se destacaram no ano anterior no circuito comercial e de festivais no Ceará.
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“Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente, foi eleito o Melhor Longa-metragem Cearense. Estrelado por Noá Bonoba na pele de uma mulher grávida que precisa assumir a direção de um filme após a morte do pai, a trama teve sua estreia mundial no festival FIDMarseille, na França, em julho de 2025.
No Brasil, foi exibido ainda nos festivais de Brasília, onde venceu o Prêmio da Crítica, e no encerramento do 35º Cine Ceará. O filme deve chegar aos cinemas brasileiros no dia 26 de março de 2026.
Na categoria de curta-metragem cearense, o vencedor foi “Fogos de Artifício”, de Andreia Pires. A escolha soa criativa ao premiar um filme construído sobre longos planos em sequência e com um elenco enorme - nele, inclusive, está Geane Albuquerque, atriz de “O Agente Secreto”. Na história, um grupo de amigos está numa festa caseira à espera da virada do ano novo. O filme estreou na competição brasileira de curtas do 35º Cine Ceará.
Guto e Andreia já tinham vencido o prêmio da associação, mas nunca sozinhos na direção. Guto venceu com Mi-kyung Oh em 2024 por “Um Jóquei Cearense na Coreia”, com Pedro Diógenes em 2020 por “Inferninho” e com Ticiana Augusto Lima em 2019 por “A Misteriosa Morte de Pérola”. Andreia venceu com Leonardo Mouramateus em 2018 com o curta-metragem “Vando Vulgo Vedita”.
Categoria Nacional
Na categoria nacional, o laureado foi “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado a quatro Oscars na edição de 2026. A trama é estrelada por Wagner Moura na pele de Marcelo, um professor universitário que viaja para Recife no meio do Carnaval para fugir de uma perseguição em plena ditadura militar. O cineasta pernambucano tinha vencido o prêmio em 2017 com “Aquarius”.
Na única categoria internacional, o vencedor foi “Sorry, Baby", de Eva Victor - essa talvez seja a escolha mais autoral da associação neste ano, premiando um filme pouco discutido mesmo tendo estreado nas salas de cinema, mas tendo recebido um espaço bastante tímido na temporada de premiações. A trama conta a história de Agnes, que tenta seguir sua vida após um evento traumático no contexto hierárquico e machista das universidades.
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“O ano de 2026 marca a 10ª edição do Prêmio Aceccine”, lembra Raiane Ferreira, presidente da associação. “Entre as obras premiadas, emergiram temáticas diversas que colocaram em primeiro plano o tensionamento de pautas emergentes como a inserção do protagonismo feminino, o enfrentamento à violência contra a mulher, a necessidade da preservação da memória coletiva nacional ante os abusos da ditadura militar, bem como a força das produções cearenses, especialmente na perspectiva do trabalho coletivo”, conclui em conversa com O POVO.
Melhores Filmes de 2025 segundo a Aceccine
- Melhor Curta-metragem Cearense: "Fogos de Artifício", de Andreia Pires
- Melhor Longa-metragem Cearense: "Morte e Vida Madalena", de Guto Parente
- Melhor Curta-metragem Brasileiro: "Canto", de Danilo Daher
- Melhor Longa-metragem Brasileiro: "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho
- Melhor Longa-metragem Internacional: "Sorry, Baby", de Eva Victor