Aos 93 anos de idade, Ruth Rocha renova contrato por mais 15 anos

Autora literária infantil, Ruth Rocha afirma que tem muito serviço a fazer após renovar contrato com editora por mais 15 anos

A escritora Ruth Rocha renova contrato, aos 93 anos de idade, com a editora Salamandra, uma das empresas responsáveis pelas obras da autora. Com o novo acordo, que segue até 2039, ela reafirma a veracidade da notícia. “Sim, esta informação é verdadeira, apesar da minha idade”, argumenta.

Dona de obras dedicadas ao público infantojuvenil, Ruth se vê hoje conectada pelas narrativas que criou e afirma que o plano de uma aposentadoria é uma realidade distante. “Nem posso parar. Todo dia tenho coisas! É muito serviço. Vivo cercada pelos livros, trabalho o tempo inteiro e gostaria de estar até mais ativa”, diz.

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A fama da autora ainda é evidente e pôde ser vista na última semana, em São Paulo, durante o lançamento da nova edição de oito obras da coleção Comecinho.

O evento reuniu centenas de leitores que formaram fila numa livraria, onde o público passou mais de duas horas, para garantir autógrafos, selfies e abraços de Ruth.

Durante o encontro, a escritora emocionou os fãs de diversas faixas etárias e resgatou lembrança do público com as obras. Uma senhora de 69 anos revelou que é fã desde os tempos em que ela publicava textos na extinta revista Recreio, nos anos 1970. Um homem, já com netos, afirmou que só se tornou professor escolar por causa dela.

Mesmo com os relatos, a autora resiste para se descrever como “escritora popular”, embora a carreira de cinco décadas seja marcada pelos 40 milhões de exemplares no país com obras traduzidas para 25 idiomas.

Entre os títulos, “Marcelo, marmelo, martelo” destaca-se ao alcançar sozinho a quantidade de 20 milhões de unidades comercializadas no Brasil, chegando, neste mês, aos Estados Unidos. E segue mantendo o status como um fenômeno raro no mercado editorial.

Ruth Rocha mantém rascunhos inéditos

Em entrevista ao jornal O GLOBO, Ruth Rocha lamenta que esteja com menos ideias ultimamente, embora tenha vários rascunhos inéditos na gaveta. “Pode vir algo novo por aí, mas estou meio desanimada e escrevendo muito pouco”, comenta.

Mesmo alinhada com o tempo presente, a imagem antiquada de uma senhora que passa o tempo todo apenas tricotando numa cadeira de balanço não é bem o retrato que retrata a figura da escritora.

Ela admite que o passatempo predileto está no tablet. “Brinco muito ali”, ressalta. Ruth gosta de jogos digitais do tipo caça-palavras, como o Conexo e o Termo, e conversa com amigos e família no WhatsApp.

Porém, devido à vista cansada, a escritora possui dificuldade com leituras. Por isso, busca ouvir histórias. Todo dia, ao longo de uma hora, uma das irmãs também lê para Ruth, por telefone, obras literárias, contabilizando cerca de 60 livros.

O genro faz o mesmo, uma vez por semana, declamando poemas, assim como um dos netos também realiza as leituras para avó de modo presencial.

Compartilhando espaço com nomes como Ziraldo, Ana Maria Machado e Marina Colasanti, Ruth admite que não acompanha a nova geração de autores brasileiros dedicados ao público infantil.

“Nunca me mandam nada, e não recebo um livro em casa”, reclama a autora, que já foi incentivada por colegas a se candidatar a uma vaga na Academia Brasileira de Letras (ABL), pois defende uma maior valorização da literatura infantil.

“Educar não pode estar nas intenções de um autor. Não dá para explicar o que fazer na vida. A criança tem que tirar das histórias uma formação artística, moderna, inteligente. E é isso o que a boa literatura faz”, encerra Rocha.

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