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Aos 75 anos, morre a maestrina e professora Izaíra Silvino

Izaíra nasceu em Baturité e foi uma importante figura do movimento coraelista de Fortaleza, que teve auge em 1980. Para jornalista, a artista é um "pedaço da história da música cearense"
21:07 | Ago. 14, 2021
Autor Leonardo Maia
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Leonardo Maia Estagiário
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A maestrina, compositora e professora Izaíra Silvino morreu na tarde deste sábado, 14, aos 75 anos. Ela enfrentou um câncer no cérebro no último mês, chegou a fazer dez sessões de radioterapia, mas não resistiu. No ano passado, foi curada de um câncer na coluna. Nascida em Baturité, município localizado a 93 quilômetros de Fortaleza, a artista foi uma figura importante do movimento coralista de Fortaleza, que teve auge em 1980.

Para Aparecida Silvino, também musicista e irmã mais nova de Izaíra, o nome e legado da maestrina ficam gravados para as próximas gerações. “Ela plantou sementes de arte que viraram uma floresta para muitas pessoas, principalmente aqui no Ceará, e a missão dela vai continuar se cumprindo em nós, discípulos dela. A luz que ela tinha voltou para perto de Deus e vai iluminar cada vez mais a cultura do Estado”, afirma.

A certeza de que Izaíra está marcada na música cearense também é opinião de Marcos Sampaio, editor e crítico de música do Vida & Arte. O jornalista explica que todas as pessoas que estudaram música no Ceará nas últimas décadas se depararam com o trabalho realizado pela maestrina. “Não é um exagero de um amigo, mas ela é um pedaço da história da música cearense”, enfatiza.

O jornalista cearense Nonato Albuquerque, aluno de Izaíra em dois corais, também lamentou a partida. “Sua vida é uma sinfonia de sons, ritmos, marcações, compassos. Alma boníssima, anjo em forma de humana criatura”, disse em publicação em suas redes sociais. “Leva o coração de todos nós e deixa um mar de saudades. Que no orfeão (escola dedicada ao canto coral) celeste as vozes de todos os que passaram pelo seu ensino, cantem o hino de gratidão”.

Em nota, a Secretaria de Cultura do Ceará comunicou a morte da maestrina, a quem dedicou seu pesar. “Dentro e fora da música, Izaíra Silvino é muitas: compositora, arranjadora, bandolinista, violinista, regente, cantora, coralista, professora, mestre em Educação, produtora cultural, escritora. Personalidade que dá nome ao Centro Acadêmico do Curso de Licenciatura em Música da UFC, Izaíra imergiu no mundo das notas musicais ainda criança e com elas não parou mais de brincar”.

A avidez da mulher pela arte continuou em seus últimos dias de vida e podem virar livro futuramente. Aparecida disse que Izaíra escreveu uma poesia por dia em seu último mês de vida e a família pretende compilar esses textos em uma publicação. “Ela é uma das pessoas mais impressionantes que esse planeta conheceu e nada do que ela plantou deixou de crescer”, afirmou.

Em entrevista ao O POVO em 2013 para o especial Gênios da Raça, Izaíra contou como se deu o início de sua principal atividade como música — atuar como regente. Após se formar em curso do Conservatório Alberto Nepomuceno, Izaíra resolveu ir para o Crato, no Cariri cearense. Lá, conheceu o Padre Ágio Moreira e seu projeto de música numa pequena comunidade. Foi quando teve a primeira experiência como regente.

Em 2020, a artista foi homenageada como uma das personalidades do ano pelo prêmio Sereia de Ouro, do Sistema Verdes Mares. Em vídeo divulgado na época da campanha, ela celebra sua carreira. “Mergulho na música e não morro afogada. Essa sou eu: Izaíra Silvino. Quando o cearense ganha o mundo, o mundo ganha”, celebra.

A família da artista prefere não divulgar o local do velório e da cremação da artista para evitar aglomerações, em virtude da pandemia do novo coronavírus.

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Crianças e adolescentes de Brumadinho abraçam música após desastre

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09:48 | Ago. 15, 2021
Autor Agência Brasil
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Aos nove anos, Sara Prado Teixeira já sabe tocar Bate o Sino e uma das sinfonias de Beethoven. Por meio de um projeto de musicalização conduzido pela  Orquestra Ouro Preto, ela encontrou na flauta uma parceira para o seu desenvolvimento, meses após vivenciar a tragédia de 2019. A comunidade onde ela mora, em Brumadinho (MG), ainda sente os impactos diretos e indiretos do rompimento da barragem da mineradora Vale na mina Córrego do Feijão.

"São sinais e marcas que vão ficar na nossa vida. Vejo o projeto como uma forma de alívio para as crianças, porque traz novas perspectivas e muita alegria. A Sara se sente muito feliz tocando flauta, fica ansiosa quando vai ter os encontros. Quando aprende uma nota nova, uma música nova, ela fica super motivada. Está fazendo muito bem para ela", diz a mãe de Sara, Giselle Prado Campis Teixeira.

A tragédia ocorreu no dia 25 de janeiro de 2019. Uma barragem da mineradora Vale, situada na Mina Córrego do Feijão, na zona rural de Brumadinho, se rompeu e liberou uma avalanche de rejeitos que destruiu imóveis, devastou o meio ambiente e alcançou o Rio Paraopeba. No episódio, 270 pessoas morreram.

"Moramos na comunidade de Córrego do Feijão onde ocorreu tudo e estávamos em casa. Tivemos todo aquele pânico de não saber o que estava acontecendo. Também perdi minha melhor amiga. E tivemos todos os transtornos de ter que mudar nossa rota para chegar ao centro de Brumadinho. Fiquei alguns dias sem poder ir para a escola", lembra Lívia Almeida Silva, que hoje tem 17 anos.

Meses depois, ela começou a aprender a tocar clarinete. "Ajuda a trazer uma cultura nova, para que as pessoas não fiquem pensando que Brumadinho é só a lama. É importante também porque são novas atividades para que as crianças não fiquem sem o que fazer", observa a jovem.

Projeto de música em Brumadinho

O pontapé inicial dessa história envolve um anúncio na Estação Conhecimento de Brumadinho, espaço criado em 2011 pela Fundação Vale, braço social da mineradora. No local, já eram desenvolvidas outras ações de cunho socioeducativo, sobretudo com foco no esporte. Segundo Rodrigo Toffolo, maestro da Orquestra Ouro Preto, um acordo foi firmado para desenvolver atividades de musicalização por meio do Programa Vale Música.

Ele conta que a ideia já vinha sendo desenvolvida antes da tragédia e, assim como toda a cidade, também foi afetada. "O início teve que ser um pouquinho depois. Só foi colocado para funcionar em setembro, praticamente oito meses após o rompimento". 

Toffolo observa que cada criança e jovem que participa do projeto carrega suas próprias histórias em relação ao rompimento da barragem. "Estar junto deles, levando a música como esperança e como ferramenta de socialização, é muito enriquecedor. O interior mineiro tem uma musicalidade forte. E uma banda de música caiu super bem na comunidade de Brumadinho. É um projeto que começou do zero e atualmente reúne em torno de 120 alunos divididos entre o coral e a banda de música".

Uma preocupação da Orquestra Ouro Preto foi de oferecer oportunidade a todos, sendo o mais inclusivo possível. "O melhor é que não houve um processo de seleção. Foi uma opção dos alunos. Nós demonstramos aos interessados todos os instrumentos: flauta, trombone, trompete, clarineta. Eles mesmo foram escolhendo o que queriam tocar. Não houve avaliação de aptidão musical ou de talento. Ninguém foi cortado por causa disso. Colocamos todo mundo. Claro que daí pode surgir o sonho de se tornar músico profissional. Mas isso é lá na frente", diz Toffolo.

Sara traz na ponta da língua as razões de sua escolha. "Eu tinha muita vontade de aprender a tocar um instrumento. Escolhi a flauta porque ela era pequena, leve e tinha o som bem bonito", diz a menina.

A pandemia de covid-19 chegou a afetar o projeto, mas houve um esforço para não interrompê-lo. Antes, havia três encontros semanais. Lívia conta que agora as atividades ocorrem de forma virtual uma vez por semana. "No presencial era melhor, porque as aulas eram mais frequentes. Mas deu ara evoluir de forma online", afirma.

De acordo com a Vale, foi reservado um orçamento de R$ 650 mil para o projeto em Brumadinho. A mineradora esclarece que o Programa Vale Música, que também envolve atividades em outros estados a partir de uma rede de parcerias, não é custeado com recursos do acordo de reparação dos danos coletivos da tragédia. Trata-se de uma iniciativa paralela.

O acordo de reparação dos danos coletivos foi firmado em fevereiro deste ano entre a mineradora, o governo de Minas Gerais, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública. Deverão ser destinados R$ 37,68 bilhões para um conjunto de medidas de caráter reparatório e compensatório.

Há ações que serão realizadas diretamente pela Vale, bem como aquelas que serão decididas pelas comunidades atingidas e as que cabem ao Executivo estadual. O acordo não engloba as indenizações individuais e trabalhistas que devem ser pagas aos atingidos, as quais são tratadas separadamente em processos judiciais e extrajudiciais específicos.

Diálogo

Com 21 anos de existência, a Orquestra Ouro Preto foi fundada por professores na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e é conhecida por repertórios que vão muito além da música clássica, incluindo versões para sucessos do rockjazz, de ritmos brasileiros e de músicas que ficaram famosas no cinema. Essa diversidade faz com que, entre seus principais trabalhos, estejam adaptações de composições de Vivaldi, Beatles e Milton Nascimento. Ao longo de sua trajetória, foram produzidos 11 CDs e sete DVDs. Um desses DVDs, batizado de Valencianas, foi gravado ao vivo junto com o cantor Alceu Valença e acabou recebendo o Prêmio da Música Brasileira de 2015. 

Projeto de música em Brumadinho

O projeto desenvolvido em Brumadinho está associado a outro mais amplo, tocado pelo Núcleo de Apoio a Bandas da Orquestra Ouro Preto. Trata-se de uma iniciativa que já capacitou mais de 800 músicos e atua em cinco estados brasileiros: Minas Gerais, Espírito Santo, Ceará, Rio Grande do Norte e Goiás. O objetivo é estabelecer o diálogo, a troca de experiências e discussão sobre os caminhos para preservação da tradição de bandas. São realizadas gratuitamente atividades de capacitação, incluindo consultorias, palestras, oficinas e aulas práticas.

Parte do conteúdo técnico e pedagógico, preparado pelo Núcleo de Apoio a Bandas da Orquestra Ouro Preto, é utilizado na musicalização das crianças e jovens de Brumadinho. "Usamos os métodos de ensino coletivo, de musicalização em conjunto. A música é muito mais que tocar, é aprender a viver coletivamente, desenvolver um trabalho comum e uma ligação com o outro. Numa banda, você precisa ouvir o outro, às vezes tocar mais baixo para o outro sobressair. É um projeto muito bonito", diz Toffolo.

Os trabalhos do Núcleo de Apoio a Bandas chegaram a ser paralisados no ano passado devido à pandemia de covid-19, mas foram retomados em maio deste ano com encontros virtuais: regentes de mais de 20 bandas estão participando de aulas semanais. Algumas novidades foram incluídas no programa de 2021: a partir da demanda das próprias bandas, está sendo preparado um Curso de Luhteria Básica, onde serão ensinadas técnicas de reparo de instrumentos.

Também será ministrado, pela primeira vez, o curso Música e História na Tradição Brasileira. "Apoiamos bandas com uma história de mais de 150 anos. Bandas com uma inserção gigante na comunidade", diz Toffolo, acrescentando que o projeto de Brumadinho pode ser o embrião de uma nova história como essa.

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Capital paulista oferece curso gratuito e online para artesãos

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18:38 | Ago. 14, 2021
Autor Agência Brasil
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A terceira turma do curso de qualificação do Mãos e Mentes Paulistanas, programa da prefeitura de São Paulo de fomento e apoio ao artesanato e manualidades, em parceria com a Rede Asta, está com inscrições abertas até a próxima quarta-feira (18), pelo link www.bit.ly/qualificacaommp3.

Durante o curso, 450 interessados aprenderão técnicas de vendas, gestão de negócios, economia criativa, sustentabilidade e organização financeira. São dois meses de curso online e, para participar, é necessário estar habilitado pelo programa Mãos e Mentes Paulistanas.

“As turmas anteriores do curso de qualificação Mãos e Mentes Paulistanas foram um verdadeiro sucesso e ajudaram mais de 400 empreendedores a se reinventar durante a pandemia. O objetivo da prefeitura é qualificar ainda mais pessoas para que possamos fazer uma retomada econômica consistente e bem estruturada, além de auxiliarmos a inclusão de artesãos ao ecossistema empreendedor”, afirmou a secretária de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo, Aline Cardoso.

A prefeitura informou que, a partir da próxima segunda-feira (16), o Mãos e Mentes começará uma agenda de credenciamento presencial dos artesãos que ainda não fazem parte do programa. A ação terá início na Praça da República, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h, em um estande do programa. Para se inscrever, é preciso apresentar RG, CPF e comprovante de residência. Também é possível realizar o credenciamento online pelo Portal do 156.

O Programa Mãos e Mentes Paulistanas foi lançado em 2019, com o objetivo de melhorar a atividade econômica e social para trabalhadores artesanais e manualistas da cidade.

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Maior amarelinha do Brasil é instalada em Fortaleza com 400 quadradinhos para pular

PROJETO CIDADE DA GENTE
14:49 | Ago. 14, 2021
Autor Alexia Vieira
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Do início ao “céu”, um jogo de amarelinha geralmente tem 10 quadradinhos para serem pulados. No entanto, a versão pintada no entorno do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, nesta sexta-feira, 13, é 40 vezes mais desafiante. Com 400 quadradinhos e 180 metros, as ruas próximas ao centro cultural agora têm a maior amarelinha do Brasil.

O jogo chama atenção não só pelo tamanho, mas também pelo design vibrante e colorido. A sinalização faz parte da iniciativa Cidade da Gente da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), que promove a priorização do pedestre e da segurança viária nos espaços públicos da Capital.

Os técnicos começaram a pintura na sexta-feira para que a população já possa usufruir do espaço neste fim de semana. A amarelinha tem início na rua Almirante Tamandaré, continua na rua Dragão do Mar e termina na rua Almirante Jaceguai.

"Estamos concluindo, fazendo mais brincadeiras lúdicas no espaço. Assim surgiu a ideia de fazer uma grande amarelinha, que é uma brincadeira muito conhecida. Sempre que fazemos algo mais diferente, atrai a criançada", explicou Diego Veras, coordenador de mobilidade urbana da Autarquia Municipal de Trânsito (AMC), ao O POVO na sexta-feira.

Outras intervenções urbanísticas

 

O projeto Cidade da Gente iniciou intervenções nas ruas do entorno do Centro Dragão do Mar ainda em 2018, com ruas pintadas, jarros de plantas e bancos. A ideia é inspirada em ações urbanísticas realizadas em São Paulo, Bogotá, capital da Colômbia e Mumbai, cidade da Índia. Além de renovar a sinalização das ruas, a AMC defende que as zonas que recebem esse tipo de iniciativa ficam mais seguras para pedestres, ciclistas e pessoas com deficiência.

 

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A música ficou mais curta? O poder do streaming na indústria fonográfica

PLATAFORMAS DIGITAIS
10:00 | Ago. 14, 2021
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A parceria entre Justin Bieber e The Kid Laroi na canção "Stay", de dois minutos e 21 segundos, configura no topo da Billboard Hot 100, o principal ranking de singles dos EUA. Já nas paradas musicais do Brasil, o piseiro romântico de João Gomes em "Meu Pedaço de Pecado" conquistou o primeiro lugar da plataforma de streaming Spotify com pouco menos de três minutos de duração.

Hits com propostas similares são encontrados em álbuns recentes de sucesso, como "Batidão Tropical" (2021) da cantora Pabllo Vittar ou o último lançamento do rapper norte-americano Vince Staples que, completo, não chega aos 30 minutos. A sensação é que o período entre as faixas está diminuindo e as playlists estão caindo na repetição, mas será proposital?

"Eu acho que sim. As músicas estarem mais curtas é o reflexo do tempo, que as pessoas não têm hoje. Eu mesmo estou produzindo canções muito curtas, de dois minutos, dois minutos e vinte, para ver se esse consumo da internet melhora", conta o produtor Tadeu Patolla, responsável por sucessos de personalidades como Beto Lee e a banda Charlie Brown Jr. "As produções, os artistas e os compositores estão fazendo uma estratégia de streaming", explica.

Novas estratégias

Em uma realidade onde é possível acessar milhares de títulos por meio de plataformas como Deezer, Spotify, Apple Music e Tidal, alguns cantores se apropriam de recursos para conseguir obter bons números. Dentre as estratégias mencionadas por Tadeu, estão a diminuição do tempo de duração das faixas, assim como introduções menores e o posicionamento do refrão logo no início da canção para "chamar a atenção imediata” do ouvinte.

Segundo levantamento feito pela Mídia Research, o tempo médio das músicas no Top 100 da Billboard caiu em um minuto entre 2013 e 2018. "Isso reflete na maneira de trabalhar, de produzir e de compor, porque você vai ter que gerar mais reproduções. Você quer fazer arte, claro, mas também é o ganha pão de muita gente", acrescenta Tadeu. Há 40 anos na área, o produtor agora investe no meio independente e trabalha com cantores como Nathan Ribeiro, sem a necessidade do apego às demandas do mercado. "O rei do streaming é o funk, eu não produzo funk. Eu não sou a bola da vez para fazer o tipo de sucesso hoje. Eu já fui, na época do rock. Está aparecendo uma nova gama de produtores que são muito bons e respiram essas coisas. O independente me procura porque eu sou bem versátil, a gente acaba virando parceiro", justifica.

O encontro com o cenário alternativo da indústria acontece, também, em um período de enfraquecimento das gravadoras. "No meu ponto de vista, a gravadora é uma gerenciadora de conteúdo, trabalha mais para a distribuição do artista", destaca.

Este viés perde forças em um momento em que as personalidades ganham mais autonomia e podem, como menciona o músico, trabalhar em outras áreas e administrar a própria carreira. “Para a gente que é mais velho, parece que o lado artístico foi embora, mas eu vejo como uma evolução. O mundo é outro, tem que se reinventar", pontua.

Salada musical

Usuário da plataforma Amazon Music, o produtor Mimi Rocha conta que a inteligência artificial presente no sistema faz com que ele descubra novas composições. Além disso, aproveita da possibilidade de criar uma rádio com sugestões de diferentes gêneros. "Se eu quero ouvir a última sinfonia do Beethoven, ou o último lançamento do Daniel Groove, já está lá", comenta. Por outro lado, ele ressalta o comprometimento de parte da cadeia produtiva em relação aos direitos autorais.

Mimi Rocha produziu canções com Fagner e Belchior.
Mimi Rocha produziu canções com Fagner e Belchior. (Foto: Divulgação)

"Se eu gravei algo com o Fagner, hoje eu tenho os direitos conexos. Ele ganharia o direito, o compositor a sua parcela, depois o produtor e os músicos participantes. Tinha uns percentuais", relembra. Com a falta de informações acerca desses profissionais no streaming, o repasse de verba é prejudicado. "Quem acaba ganhando dinheiro são os grandes nomes mesmo. Um artista de nível nacional, mundial, tem um retorno que um artista iniciante não vai ter", alega.

Em relação ao conteúdo disponibilizado, Mimi analisa as paradas semanais com uma "qualidade duvidosa", principalmente pelo uso repetido de bases de outros artistas. "Em muitos estilos não é nem um músico que está tocando, é um produtor, um DJ. Solta um loop de bateria, o teclado de uma (música) do Marvin Gaye e faz uma salada musical, né?", complementa. Após trabalhar com nomes como Belchior, Dominguinhos e Ednardo, ele encontra na plataforma um bom campo para “curiosos” e gosta de escutar produções da Turquia e Inglaterra, por exemplo.

É possível ir contra o sistema?

Esta, entretanto, é apenas mais uma mudança no mercado radiofônico, como pontua a cantora e jornalista Mona Gadelha. Na retrospectiva dos meios, ela menciona os LPs, as fitas cassetes e os CDs até chegar ao streaming. "Os meios de produção se tornaram mais acessíveis, mas a divulgação continua tendo um custo alto. Antes era feita na imprensa, com as plataformas digitais virou uma amplitude. Mas, no fundo, o poder econômico dita as regras, porque é preciso também verba de promoção para investir nesses sites todos", exemplifica.

Enquanto artista, Mona visualiza alguns empecilhos no novo método de distribuição para os independentes. "Acho que não é bom para o artista, para o processo criativo, depender de like, de view. Existe um esforço para cuidar das redes sociais, promover conteúdo. O artista independente, no fundo, é sempre uma situação desafiadora, tem que ser enfrentada com muita organização", informa. Como consumidora, revela preferir consumir os trabalhos de maneira mais lenta, mas acha "sensacional" ter acesso a discografia completas de artistas em um único dispositivo e criar playlists.

Mona Gadelha destaca, ainda, que as fórmulas para emplacar músicas não são novidade e foram mudando  conforme as décadas. "O mais interessante do mundo do consumo é sempre a possibilidade de surpresa", comenta. "A indústria tem como objetivo faturar com as fórmulas, mas sempre tem artistas que podem desconstruir com transgressão, acho que aí estão os trabalhos mais interessantes", reflete.

Um dos exemplos de canções que quebraram as premeditadas estratégias e alcançaram o grande público foi "Faroeste Caboclo", da banda de rock Legião Urbana. A composição de quase 10 minutos foi um dos maiores sucessos do grupo de Renato Russo.

A introdução de quase um minuto de "Hotel California", da banda The Eagles, poderia ocasionar um baixo rendimento nos streamings. Mas a música, com mais de seis minutos de duração, alcançou o primeiro lugar nas paradas da Billboard em 1977 e é um dos maiores títulos do grupo.


Já os Beatles explodiram no mercado com a reformulação de métodos já existentes na indústria musical. Em "She Loves You", eles desenvolvem dois tipos de refrão, um no começo, e outro no decorrer da faixa. A fórmula foi repetida em canções como "Can't Buy Me Love" e "Cry Baby Cry".

 

Agora, ainda há exceções na sistemática das plataformas digitais. Nomes populares ousam no cenário da mídia convencional: Harry Styles, em seu último álbum, lançou as canções "She" e "Fine Line". Ambas contam com mais de 6 minutos de duração e mais de 150 milhões de streams apenas no Spotify. Já o single "Happier Than Ever", de Billie Eilish, alcança a 11ª posição da Billboard com pouco menos de cinco minutos. Com demandas cada vez mais estritas, quais artistas conseguirão êxito seguindo as próprias fórmulas?

Podcast Vida&Arte
O podcast Vida&Arte é destinado a falar sobre temas de cultura. O conteúdo está disponível nas plataformas Spotify, Deezer, iTunes, Google Podcasts e Spreaker. Confira o podcast clicando aqui

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As obras na Beira Mar

00:30 | Ago. 14, 2021
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Feirinha: As obras de reordenamento da Feirinha da Beira Mar, iniciadas em abril deste ano, prevê mais de 3 mil metros quadrados de área com piso em concreto e a construção de 707 boxes comerciais para a venda de artesanatos e produtos regionais. Atualmente, as equipes realizam os serviços de escavação, execução de colunas de concreto e serviços estruturais.

Os novos boxes comerciais, todos padronizados, contarão com cobertura metálica, acabamentos em ACM perfurados e portas de rolar. Todo o espaço onde funcionará a feirinha terá cobertura em estrutura tensionada, o que irá amenizar o clima e permitir aos comerciantes o funcionamento da feirinha também no período diurno, proporcionando um aumento das vendas e mais conforto e comodidade aos clientes.

A Regional acrescenta que os quiosques estão sendo ocupados na medida em que ficam prontos. Já o espaço da Feirinha só será entregue quando concluído totalmente. Sobre o reordenamento envolvendo ambulantes, enfatiza que, atualmente, está sendo realizado um processo para pessoas que realmente estavam trabalhando no local antes do lockdown e que poderão voltar ao seu comércio. "Aquelas pessoas que, por algum motivo, estavam sem frequentar a Beira Mar para trabalhar, entrarão em um cadastro de reservas. Está sendo feita uma análise para saber como vamos adaptar essas pessoas aos novos locais."

Requalificação da avenida Beira Mar: Em obras desde julho de 2018, a região tem recebido melhorias urbanísticas como novo piso, equipamentos de esporte e lazer, banheiros públicos, quiosques, ampliação das vagas de estacionamento, entre outras intervenções. Com 95% dos serviços executados, tem previsão de entrega para o segundo semestre deste ano.

Atualmente, estão em execução ações de urbanização da orla, como paisagismo, revestimentos dos quiosques, acabamentos de piso e a construção da nova feirinha da Beira Mar.

Devido ao cenário de pandemia e as exigências sanitárias implementadas no Brasil, as obras tiveram que passar por reformulação no cronograma. Com isso, a Secretaria Municipal da Infraestrutura (Seinf) estima, agora, que as intervenções devem ser finalizadas até o segundo semestre deste ano.

Nova avenida: O investimento total da obra foi de, aproximadamente, R$ 123 milhões. Ao todo são mais de 66 mil m² de área urbanizada, no trecho entre a Avenida Rui Barbosa e a Rua Tereza Hinko. As intervenções, atualmente em andamento na Capital, são uma continuação das obras de requalificação já realizadas desde o novo Mercado dos Peixes, no Mucuripe, até o calçadão na Estátua de Iracema, às margens do Riacho Maceió.

Toda a urbanização da avenida já foi finalizada, com a instalação de nova pavimentação com piso intertravado, construção de calçadas e instalação de um amplo sistema de drenagem.

Até a conclusão dos serviços a região passará a contar com novos postes de iluminação, espaços para convivência com caramanchões, academias, banheiros, parques infantis, quadras de vôlei de praia, anfiteatro, pista de hockey, Casa do Turista e quiosques para alimentação e bebidas, todos padronizados, que vão garantir o reordenamento do comércio na região, além de valorizar o pequeno empreendedor.

Fonte: Seinfra, Secretaria Municipal da Gestão Regional (SEGER) e Regional II

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