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Globo de Ouro anuncia mudanças relacionadas a filmes em língua estrangeira

Com as mudanças anunciadas nesta quarta, 30, filmes em língua estrangeira e de animação concorram aos principais prêmios da cerimônia

17:11 | 01/07/2021
O filme 'Minari
O filme 'Minari", filmado em coreano no estado do Arkansas, causou indignação por ter sido restrito à categoria de língua estrangeira (Foto: Divulgação)

O controverso Globo de Ouro, promovido pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), anunciou nesta quarta-feira, 30, mudanças que permitirão que filmes em língua estrangeira e de animação concorram a seus principais prêmios.

Os organizadores estão correndo para reformular o Globo de Ouro, uma premiação influente, mas cercada por escândalos, depois que a NBC cancelou a cerimônia do próximo ano, após críticas generalizadas ao histórico da associação em termos de diversidade e transparência.

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Entre as críticas dirigidas à premiação, muitos espectadores expressaram indignação pelo aclamado "Minari" - uma história de imigrantes filmada principalmente em coreano, mas ambientada no estado americano do Arkansas - ter sido restrito à categoria de língua estrangeira na edição deste ano.

Não foi permitido que a obra concorresse aos prêmios de melhor comédia e melhor drama, considerados os maiores do Globo de Ouro. O mesmo ocorreu com "Parasita", vencedor do Oscar de melhor filme no ano anterior.

"Ao reexaminar nossas diretrizes este ano e ouvir a indústria, decidimos adotar novas abordagens para futuras cerimônias que garantirão que esses filmes recebam a atenção que merecem", disse o presidente da HFPA, Ali Sar, em comunicado à AFP. "O idioma não será mais uma barreira para ser reconhecido como o melhor".

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Formada por cerca de 90 jornalistas que votam no segundo prêmio anual de cinema e televisão mais relevante da indústria, a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood está sob os holofotes há meses, depois de ser acusada de racismo, sexismo, assédio e corrupção entre suas fileiras.

No mês passado, o grupo aprovou uma série de reformas para ser "mais inclusivo e diverso" por uma margem "esmagadora", na esperança de acabar com a publicidade negativa. Mas a reação de Hollywood tem sido feroz, com estrelas como Scarlett Johansson e Tom Cruise condenando as mudanças, por terem sido lentas, vagas e não abordarem algumas das queixas mais fundamentais. Desde então, dois membros da associação renunciaram, chamando o grupo de "tóxico". 

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Nesta quarta-feira, a HFPA disse que a maioria de seus membros "completou sessões de formação sobre diversidade, equidade e inclusão, e passos significativos já foram dados na reestruturação da organização". As mudanças incluem proibir os membros de aceitar presentes, a contratação de consultores de diversidade e o estabelecimento de uma linha telefônica anônima para receber reclamações.

As medidas "entrarão em vigor imediatamente, independentemente da próxima data de transmissão do Globo de Ouro, demonstrando nosso compromisso com a diversidade e a inclusão em todos os aspectos de nosso trabalho", afirmou Sar.

Resta saber, porém, se a indústria que por muito tempo tolerou alguns dos comportamentos mais questionáveis da HFPA retornará à premiação, depois que empresas como a Netflix e a Warner Bros prometeram não trabalhar com o grupo até que mudanças significativas fossem feitas.