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Mateus Fazeno Rock lança campanha de financiamento para segundo álbum

O segundo disco do artista, denominado "Jesus Ñ Voltará" está com campanha de financiamento aberta para auxiliar nos custos de produção
16:58 | Mai. 11, 2021
Autor Clara Menezes
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Tipo Notícia

Em abril do ano passado, Mateus Fazeno Rock estreava no cenário da música autoral de Fortaleza com o lançamento de “Rolê nas Ruínas”. O disco de nove faixas apresenta uma variedade de gêneros: grunge, funk, reggae, rap, R&B, mas o foco permanece o rock. Mais especificamente, o que denomina como “rock de favela”, que faz referência ao contexto de produção e às letras de suas canções. Agora, ele retorna com uma campanha de financiamento para o segundo álbum “Jesus Ñ Voltará”.

Durante os próximos 50 dias, a meta é arrecadar R$ 37.300 para custear três etapas do processo: a produção musical, o trabalho de identidade visual e a elaboração do vinil. Além disso, também estão presentes os custos como transporte, alimentação e outros materiais. Até o momento de publicação desta matéria, havia R$ 2.880 arrecadados.

Qualquer quantia a partir de R$ 5 é aceita, mas há recompensas diferenciadas. Com R$ 70, por exemplo, o apoiador pode fazer o download das músicas um dia antes do lançamento oficial e também recebe o livro impresso "Saral#3", do poeta Talles Azigon. Há ainda a disponibilização de oficina de mixagem, arte de colagem e ingresso para show virtual de lançamento.

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O disco, que terá 11 faixas, está previsto para ser divulgado entre junho e agosto desde ano. A obra traz gêneros musicais similares ao que já foi apresentado em “Rolê nas Ruínas”, mas se diferencia pelo maior uso do hip hop.

Além disso, a temática também será outra. “Esse trabalho vem como um aprofundamento das conversas que se iniciaram no primeiro álbum. Tive muito o lance de trabalhar com memórias baseadas nas minhas experiências e em experiências compartilhadas. São histórias que eu vi e que eu conheço, de pessoas próximas”, afirma.

“Tem muito sobre a vida na favela, pensando na existência, na saúde mental, no processo de resistência dentro das comunidades. Ele é baseado neste lugar de reunir memórias e transformá-las em uma história, mas não é uma história linear”, explica.

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As narrativas são distintas, porque sua estreia na cena autoral traz uma perspectiva sobre o movimento na cidade. “Era sobre corpos em movimento, sobre atravessar a cidade para fazer nossas coisas. Mostrava como esse atravessar mexe com nossas vidas, violenta, transforma”.

Suas canções, como “As Vozes da Cabeça”, “Do Harlem a Cajazeiras”, entre outras, revelam as experiências de vivenciar a Cidade. Em “Trilha Sonora para o Fim do Mundo”, por exemplo, entoa: “Se meus amigos tão morrendo, eu vou morrendo junto. Quando eu fizer nova amizade, eu já virei defunto. E meu cadáver tem vivacidade e violência. Só não tô morto porque tudo vira experiência”.

O músico acredita que “Jesus Ñ Voltará” estará em outro lugar discursivo. “Está na memória, no que é compartilhado em rodas. Talvez seja mais íntimo”, opina. “Essas histórias já estão comigo, porque são da própria vida, das conversas, do sentir, de estar presente. A questão é quando eu descubro como transformá-las em música”, explica sobre seu processo criativo.

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O trabalho de produção iniciou em setembro do ano passado, a partir de encontros esporádicos. Mas, em 2021, com o retorno do lockdown, os processos tiveram que ser adaptados ao virtual.

“A gente tinha algumas tarefas, elaborava um material, trocava alguns arquivos… Agora estamos no processo de captação, então temos que organizar a logística para que vá o mínimo de pessoas possível para o lugar”, comenta.

Ele ressalta que o período de isolamento social, mesmo com a reabertura gradual da economia, interfere em outras questões de âmbito mais íntimo entre as pessoas que estão envolvidas. 

“A pandemia atravessa a vida de todo mundo de diversas maneiras. Existem vários outros tipos de contratempos e questões que precisam ser respeitados. Mas o período mais desafiador foi o que tivemos que fazer tudo apenas pelo computador”, afirma.

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O momento, entretanto, fez com que o artista descobrisse formas de continuar, apesar das adversidades que se impõem com a situação atual. “Também tem um lance de aprender a não me estressar. Não existe uma organização contínua, sempre há revisão de cronograma e de condições”, indica.

Ainda no meio do processo de produção, ele ressalta que está contente com os conteúdos já elaborados. “Está bem bonito o trabalho. Estou feliz com a possibilidade de articulação. Apesar de tudo, apesar da falta de recursos, tem um monte de gente trabalhando”, pontua.

Há mais de 20 pessoas que colaboram no processo de elaboração do disco. No texto divulgado no site, afirma: “Produzido e pensado por gente preta e indígena que atravessa a cidade para fazer seus corres, que luta por existência e diversão e por uma vontade de fortalecer o que acontece dentro de casa, nas sua zárea, na sua comunidade, no seu território, na sua cabeça, ‘Jesus Ñ voltará’ é parte do movimento de lembrar daquilo que insiste em ser esquecido.”

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Jesus Ñ Voltará

Onde: no site Apoia.se
Quanto: a partir de R$ 5
Mais informações: no perfil do Instagram @mateusfazenorock

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