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Em Londres, uma Fashion Week 100% virtual em um país confinado

O "gender fluid" de Harris Reed foi um destaque no evento que ocorre 100% online

12:53 | 20/02/2021
O estilista Harris Reed caiu nas graças de celebridades de Hollywood com seus figurinos de gênero fluido (Foto: Divulgação)
O estilista Harris Reed caiu nas graças de celebridades de Hollywood com seus figurinos de gênero fluido (Foto: Divulgação)

A Fashion Week de Londres começou nesta sexta-feira, 19, em formato totalmente digital em um país confinado pela pandemia do coronavírus, com uma novidade: a fluidez de gênero. No ano passado, milhares de pessoas compareceram para ver os designs Victoria Beckham ou Vivienne Westwood, pouco antes da pandemia chegar ao Reino Unido. Desta vez, todos podem acompanhar o evento na comodidade de suas casas.

Outra mudança é que esta Semana de Moda, celebrada até terça-feira, não é mais dedicada à moda feminina e sim ao "gender fluid". Uma tendência dominada por Harris Reed, de 24 anos, uma jovem promessa que chamou a atenção de estrelas como o cantor de pop Harry Styles.

Para sua primeira coleção após se formar na renomada escola Central Saint Martins, Reed apresentou na quinta-feira seis looks extravagantes, divertindo-se ao borrar a linha entre o masculino e o feminino. Bethany Williams, uma jovem britânica de 31 anos comprometida com o meio ambiente, reciclou cobertores para criar coloridos casacos unissex como parte de uma coleção exclusiva para as sofisticadas lojas Selfridges.

Mas foi o veterano da moda Paul Costelloe quem abriu o desfile. Para celebrar seus 35 anos de participação na Fashion Week de Londres, o anglo-irlandês relembrou seus primeiros dias em Paris, no final dos anos 1960, com cores atrevidas como o laranja e o azul.

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Se o formato virtual abre espaço para a criatividade e alguns o aproveitam para revelar a pano de fundo de sua profissão como o britânico Edward Crutchley, outros permanecem fiéis à passarela. O turco Bora Aksu tomou o Museu de Arte londrinense Tate Britain, onde modelos desfilaram com vestidos longos adornados com bordados, silhuetas românticas inspiradas na França revolucionária e na matemática Sophie Germain (1776-1831), que lutou para encontrar seu lugar em um mundo muito masculino.

"O isolamento de Sophie lhe permitiu encontrar as ideias que a guiariam pelo resto de sua vida. Deste modo, me mostrou que mesmo nos momentos mais obscuros, sempre há esperança se você decidir buscá-la", explicou Bora Aksu.

Impacto do Brexit
Entre os eventos mais esperados está a coleção exclusivamente masculina outono/inverno 2021 de Burberry, desenhada pelo seu diretor de criação italiano Riccardo Tisci.

Em setembro, a marca britânica do emblemático "trench coat" inovou para apresentar sua coleção primavera/verão 2021. Seu desfile, filmado no meio da floresta, foi transmitido ao vivo pelo Twitch, uma plataforma de streaming que popularizou as transmissões de jogos online ao oferecer a possibilidade de fazer comentários em tempo real.

 
 
 
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Este espetáculo sem precedentes acumulou um total de 118 milhões de visualizações nas diferentes plataformas em que foi transmitido. Na segunda-feira, Burberry se apresentou novamente, com um espetáculo que foi visto no Twitch, Instagram e em seu próprio site.

Caroline Rush, diretora-geral do British Fashion Council, que representa o setor, declarou recentemente que espera que o formato virtual "continue sendo um elemento chave das próximas Semanas da Moda". A moda britânica emprega mais de 890 mil pessoas e em 2019 forneceu 35 bilhões de libras (39 bilhões de euros, 49 bilhões de dólares) ao PIB do Reino Unido, um valor que pode cair para 26,2 bilhões de libras, segundo prevê o BFC.

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A organização teme a perda de 240 mil empregos diretos e até 350 mil incluindo os indiretos. As consequências econômicas da pandemia somam-se às do Brexit, que dificulta a circulação de pessoas e mercadorias, fundamental para esta indústria tão internacional.