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Analise

Hitman 3 foge da fórmula original, mas reúne o melhor da franquia em um único jogo

"Hitman 3" é um belo e divertido retorno ao mundo da espionagem nos videogames

17:36 | 15/02/2021
Hitman 3 traz seis mapas que, em sua maioria, são enormes (Foto: Divulgação)
Hitman 3 traz seis mapas que, em sua maioria, são enormes (Foto: Divulgação)

Desde de seu reboot, em 2016, a franquia "Hitman" é exemplo de uma fórmula simples, porém vencedora no meio gamer. Mapas diversos e interessantes, diferentes maneiras de eliminar um mesmo alvo e um mundo de espionagem que consegue ser ao mesmo tempo sério e galhofa. Apesar de "Hitman 3" exibir mudanças que fogem um pouco a essa regra, é inegável que os responsáveis da IO Interactive conseguiram fechar com chave de ouro sua segunda investida no universo do agente secreto mais famoso (e careca) do mundo dos games.

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"Hitman 3" é um título de espionagem em terceira pessoa que envolve uma dinâmica de gato e rato conceitualmente rasa, mas interessante. Em cada fase do jogo, o desafio é geralmente o mesmo: eliminar alvos pré-determinados sem levantar suspeitas. Para isso, é possível utilizar armas de fogo, armas brancas, disfarces e até mesmo recursos de sabotagem que podem tornar objetos inofensivos em armadilhas mortais.

Logo de cara, o game impressiona pela grandiosidade dos mapas presentes neste último capítulo da nova saga do Agente 47, inaugurada há seis anos atrás. De arranha-céus a bases subterrâneas, fica claro que, assim como a série de filmes "Velozes e Furiosos", sequências significam um aumento significativo no cenário e em cenas de ação. Apoiado na potência da nova geração de consoles e placas de vídeo mais modernas, cada canto do game exibe uma qualidade visual impecável, mas que de certo modo aumenta o contraste da movimentação e do comportamento de personagens e do próprio protagonista, que sempre se movem de maneira robótica e às vezes desconcertantes. Mas há quem goste e até diga que faz parte do "charme" do jogo.

A genialidade de "Hitman" se dá pelo emaranhado de ações presentes em sua mecânica. Enquanto outros jogos investem na randomização ou na criação de mapas e eventos por meio de algoritmos aleatórios, neste, cada personagem tem uma rotina de movimento específica que pode ser manipulada pelo jogador de maneira indireta. Um guarda parado frente a uma porta lhe impede de acessar uma sala, mas pode ser distraído e levado a checar um canto escuro, longe de outros olhares, e perto do garrote que seu personagem pode utilizar para abatê-lo.

A genialidade de Hitman se dá pelo emaranhado de ações presentes em sua mecânica
Foto: Divulgação
A genialidade de Hitman se dá pelo emaranhado de ações presentes em sua mecânica

O protagonista do jogo, o Agente 47, apesar de ter um enredo próprio, é tratado meramente como um avatar para a criação do caos por parte do jogador. Sua falta de expressividade e carisma se tornaram marca registrada, mas servem mesmo para não tornar "Hitman" um jogo com ênfase narrativa, mesmo havendo um começo, um meio e um fim para sua história.

Essa falta de apelo à história aumenta a sensação de liberdade, mas também traz o calcanhar de Aquiles do jogo. Em meio a uma valorização cada vez maior de jogos com narrativas marcantes e personagens cativantes, "Hitman" vai na contramão e opta por ser mais "jogo" do que "enredo". Não há um caminho óbvio e nem um jeito certo de concluir cada missão. A história avança ao final de cada fase, mas pouca importância é dada a ela até perto da missão final. Nesta, o jogo muda radicalmente seu estilo e assume uma postura mais linear. Essa mudança causa frustração, pois foge do estilo de jogo que - até então - Hitman intencionalmente escolheu ser.

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O número "3" no título é a dica mais óbvia de que se faz necessário jogar os anteriores da série para aproveitar ao máximo o mais recente. Felizmente, a equipe de desenvolvimento incluiu um verdadeiro presente junto ao pacote básico do jogo. "Hitman" e "Hitman 2" estão inteiramente presentes em "Hitman 3". Ademais, as melhoras de mecânicas e sistemas trazidas no terceiro game estão presentes nos outros dois títulos, fazendo com que essa terceira parte seja também um excelente ponto de partida para aqueles que nunca se aventuraram na franquia.

A nova aventura traz seis mapas que, em sua maioria, são enormes. Pode parecer pouco, mas cada missão traz possibilidades e dificuldades que aumentam o tempo de jogatina e que, para muitos, trazem a maior qualidade do jogo: a possibilidade de concluir cada missão de diferentes maneiras. Não só pela variedade de armas e disfarces, mas também pela presença de missões secundárias e desafios como o de eliminar cada alvo sem usar armas, "Hitman 3" é para ser jogado repetidas vezes, encontrando em cada uma uma novidade.

Para atiçar ainda mais a vontade de jogar diversas vezes uma mesma fase, o jogo oferece níveis de dificuldade e uma categoria de missões chamada de "Contratos". Trata-se de desafios criados pela própria comunidade de jogadores do game, como eliminar certos indivíduos usando apenas um objeto presente no cenário. A comunidade de jogadores de "Hitman" não é enorme, mas consegue prover uma quantidade quase infinita de maneiras de abordar cada mapa do jogo, aumentando o valor agregado da experiência e ensinando novos jeitos de jogar.

'Hitman 3' é um título de espionagem em terceira pessoa que envolve uma dinâmica de gato e rato conceitualmente rasa, mas interessante
Foto: Divulgação
'Hitman 3' é um título de espionagem em terceira pessoa que envolve uma dinâmica de gato e rato conceitualmente rasa, mas interessante

Mesmo bem feito, mais polido que seus antecessores e divertido, "Hitman 3" não é isento de problemas. A presença de bugs no curso de algumas missões pode causar enormes frustrações. Uma jogatina de mais de três horas em uma única fase pode simplesmente não valer de nada por conta de uma falha que impede o progresso do jogador na fase. Pelo menos na versão de lançamento, há bugs de áudio que removem efeitos sonoros e até a trilha sonora inteira de um mapa até ser completado. Para piorar, apesar de ser prioritariamente um título single-player, "Hitman" demanda conexão de internet constante, o que também ocasiona falhas devido a problemas de conectividade. Patches de atualização, contudo, podem resolver tais limitações futuramente.

"Hitman 3" é um fechamento nobre, porém seguro, neste novo arco da franquia. Tem pouca coisa nova, mas, em compensação, traz um polimento que eleva a qualidade deste terceiro game. A cereja do bolo se dá pela aplicação das melhorias presentes no título nos outros dois jogos anteriores da série, fazendo este ser tanto um excelente ponto de partida para não-iniciados, como também um verdadeiro presente para os amantes das aventuras do Agente 47.

Onde jogar: Hitman 3 está disponível no Playstation 4 e 5, Xbox One, Xbox Series X|S, PC e no Nintendo Switch (via streaming).