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54% dos brasileiros se sentem seguros para realizar atividades culturais com reabertura

Os dados são referentes à pesquisa "Hábitos Culturais pós pandemia e reabertura das atividades culturais", realizada pelo Itaú Cultural e pelo Datafolha

11:09 | 09/10/2020
O cinema é a atividade que os brasileiros mais têm intenção de retornar (Foto: Thais Mesquita/ O Povo)
O cinema é a atividade que os brasileiros mais têm intenção de retornar (Foto: Thais Mesquita/ O Povo)

Quando a pandemia começou em meados de março, o setor da cultura foi um dos primeiros a parar, e a área precisou se adaptar aos meios virtuais para se manter ativa. Logo, surgiram as transmissões ao vivo, as salas de cinema on-line, os espetáculos de teatro com os recursos tecnológicos, entre outras variações. Mas os profissionais não tinham como se manter. Iniciaram, por exemplo, campanhas de arrecadação de fundos e cobrança de ingressos para ações na internet. A partir da crise econômica e após reivindicações de artistas, o Governo Federal sancionou a "Lei Aldir Blanc", com benefícios para trabalhadores e estabelecimentos culturais. Foi - e continua sendo - um cenário adverso.

Porém, a pesquisa "Hábitos Culturais pós pandemia e reabertura das atividades culturais", produzida pelo Itaú Cultural em parceria com o Datafolha, traz alguns dados que podem ser positivos para o setor. Um deles indica que 66% da população têm a intenção de realizar atividades que envolvem as artes nos próximos meses, na medida em que a economia reabre. A consulta foi realizada com 1521 pessoas, entre 5 e 14 de setembro.

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Apesar da vontade de frequentar esses espaços de lazer, somente 29% das classes D e E participaram de alguma atividade cultural nos últimos 12 meses. O número contrasta com as classes A e B, que tiveram 76% de frequência no ano. "O desejo dessas pessoas (D e E) é surpreendentemente alto, mesmo que elas não tenham feito nada em um ano. Ficamos triste porque a pesquisa revela a realidade do País. Quanto mais difícil a situação econômica, mais difícil é frequentar atividades culturais", comenta Eduardo Saron, diretor do Itaú Cultural. "Cultura e arte se fazem no tempo livre. Em uma crise, a possibilidade de terem esse tempo é ainda menor. Quando alguém não está trabalhando, está fazendo um ou dois bicos", complementa.

Esses anseios, porém, não são o suficiente. Dos entrevistados que demonstraram interesse em praticar as atividades, 54% se sentem seguros para retomar as atividades na medida em que a reabertura acontece. A pesquisa também demonstra que o Nordeste é a região com o menor percentual de pessoas confiantes para voltar a frequentar essa agenda: 48%. No Sudeste o número chega a 58%. O índice é ainda menor quando se analisam as classes sociais: enquanto a C tem confiança de 61%, a A e a B têm 54%. Na classe D, ele cai para 43%.

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Segundo a pesquisa, vários protocolos de segurança precisam ser adotados para promover o conforto do público. Limpeza constante dos ambientes e disponibilidade de álcool em gel contam com mais de 93% e 91% de valorização, respectivamente. Em seguida, surgem a necessidade do treinamento da equipe, da adaptação da arquitetura, da medição de temperatura, além dos horários para público preferencial e de forma agendada. "As pessoas que pretendem fazer alguma atividade cultural nos próximos meses deixam muito claro que querem o distanciamento social. Então, um conjunto de coisas precisa ser oferecido, os lugares precisam comunicar o que está sendo feito para que todos se sintam confortáveis", indica Saron.

Mas quais são os espaços que a população mais sonha em voltar? Entre as atividades que ganham destaque nessa intenção, estão o cinema, com 44%; os shows musicais, com 40%; as ações infantis, com 38%; as bibliotecas, com 36%; e os centros culturais, também com 36%. Quem frequentou ações culturais nos últimos 12 meses também demonstrou interesse em saraus, circo, dança e teatro, além dos outros já mencionados. É importante ressaltar, porém que, enquanto 84% mostram tendência para frequentar lugares abertos, apenas 39% se disporiam a ir aos espaços fechados. Por isso, os setores poderão optar por um formato híbrido, com a utilização das plataformas virtuais. "Neste pós-pandemia, o que foi feito com uma qualidade adequada para o momento poderá ter um uso expandido. Não vamos perder essa energia. Ela será remodelada e equalizada", afirma o diretor do Itaú Cultural.

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A instituição pretende lançar mais uma pesquisa nas próximas semanas. O objetivo será analisar o comportamento dos brasileiros nos espaços virtuais durante o isolamento social. O levantamento, porém, não tem data de divulgação confirmada.

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