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Há 32 anos, falecia Luiz Gonzaga; conheça história do Rei do Baião

O pernambucano Luiz Gonzaga, um dos nomes mais importantes da música brasileira, falecia há 32 anos em decorrência de uma parada cardiorrespiratória
17:48 | Ago. 02, 2021
Autor - Clara Menezes
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Tipo Noticia

“Até pra falar que meu tio morreu é complicado, porque, na verdade, ele não morreu completamente. Ele saiu daqui do meio da gente, está no outro andar, mas deixou um legado muito especial. A gente, em todos os sentidos, está responsável para seguir com tudo isso que ele deixou”, afirma Joquinha Gonzaga, acordeonista e sobrinho de Luiz Gonzaga, em entrevista à CBN Cariri. Há 32 anos, falecia o Rei do Baião, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória.

Considerado um dos nomes de maior importância da música popular brasileira, o cantor e compositor deixou um legado extenso, que reflete em todos os lugares do Brasil. Em Exú, no interior de Pernambuco, a população realizou várias homenagens neste domingo, 1º de agosto, para celebrar a história de seu morador mais popular.

“Ontem fizemos missa, novena, teve forró... Aqui, todo mundo tá contando a história do Luiz Gonzaga. O Nordeste todo tá fazendo isso. O Brasil todo tá fazendo isso. Acho que Luiz Gonzaga é um artista especial, que jamais vamos ter outro igual”, complementa Joquinha.

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Sempre acompanhado da sanfona, da zabumba e do triângulo, ele foi responsável por popularizar o forró. Com dezenas de discos e centenas de músicas lançadas em vida, tem títulos como “Asa Branca”, “Olha Pro Céu”, “O Xote das Meninas”, “A Morte do Vaqueiro” e “A Vida de Viajante”. Em suas letras, levava as realidades nordestinas para as outras regiões do País.

Sobre sua história, livros foram publicados e filmes foram divulgados. Um dos mais conhecidos é “Gonzaga: De Pai Para Filho”, dirigido por Breno Silveira. O enredo mostra a história pessoal e profissional de Gonzagão, além de focar na distância entre ele e o filho Gonzaguinha (1945 - 1991). Os dois chegaram a viajar juntos para se apresentarem na turnê “A Vida do Viajante”, em meados da década de 1980.

Mas, três décadas depois de seu falecimento, suas influências continuam a ecoar entre os músicos brasileiros, principalmente, do forró. “Fico muito feliz de ver essa turma toda, como o Jorge de Altinho e O Trio Nordestino, fortalecendo aquilo que ele deixou pra gente”, afirma o sobrinho.

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Apesar disso, Joquinha cita sua tristeza com algumas pessoas que utilizam o gênero musical somente para se promover: “Fico muito chateado também quando vejo pessoas usando o nome de forró para se engrandecer, mas sem levar o legítimo forró pra frente do povo. Mas a gente fica na luta, provando que o forró é assim, é sanfona, zabumba e triângulo”.

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Ney Matogrosso completa 80 com conjunto de obras atemporais

Homenagem
00:30 | Jul. 31, 2021
Autor Lara Montezuma
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Tipo Notícia

Prestes a completar 80 anos, celebrados neste domingo, 1º, o cantor Ney Matogrosso continua revelando novas facetas em oposição ao ordinário. Para não lamentar outra comemoração em completo isolamento, o leonino decidiu festejar com a produção de um disco composto por temas que sempre quis cantar. Canções de artistas consagrados da música popular brasileira, como Caetano Veloso e Raul Seixas, estão no repertório do EP "Nu Com a Minha Música", disponível a partir da data de aniversário do intérprete.

Nascido na cidade de Bela Vista, no Mato Grosso do Sul, Ney de Souza Pereira se apropriou do nome artístico quando começou a profissionalização no teatro. Em 1971, passou a integrar o grupo Secos & Molhados, com o qual gravou dois discos repletos de sucessos nacionais, como "Sangue Latino" e "Flores Astrais". Estreou como solista em "Água do Céu - Pássaro" (1975) e confirma a imprevisibilidade característica do seu trabalho: surge vestido com pelos de animais, chifres e dentes de bois. Desde então, o artista consolida carreira com 27 álbuns de estúdio, milhões de discos vendidos e uma homenagem honorária no Grammy Latino.

No palco, o público se depara com tantas outras versões do também dançarino e diretor. Polêmico, excêntrico, livre. Ney carrega consigo as artimanhas de um performer e tem presença cativante nas apresentações. "Ele tem um percurso muito inusitado, não tem nenhuma referência. Foi traçando o caminho dele por meio de uma influência que sofreu no teatro", explica Flávio Queiroz, professor universitário com doutorado em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) que pesquisa a carreira do cantor há 21 anos.

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No tempo de estudo, o sociólogo se debruçou sobre a participação de Ney no Secos & Molhados e seu trabalho solo. "Ele teve uma influência muito voltada para a transgressão do comportamento, muito importante nos anos 1970 e 80. Prevaleceu uma carreira comportamental. Ele representa uma ruptura de gênero que não pautava dentro das expectativas da esquerda, da direita, foi construindo a carreira solo dele sem apoio", analisa.

Homem com H, Ney atravessou o conservadorismo em meio à ditadura com performances que transitavam entre o gênero masculino e feminino, com roupas extravagantes e temas como a liberdade sexual. "A censura não conseguiu apreender o Ney Matogrosso, ele sempre usou um personagem. A sexualidade exacerbada no palco, essa questão do gênero, era uma pancada muito grande nos militares, ele era hostilizado no meio. A censura que ele sofria era diferente da censura política, era uma censura moral", destaca Flávio.

O movimento revolucionário de Ney pavimentou a música e cultura brasileira, e inspirou o trabalho de tantos outros artistas que viriam a seguir para que pudessem se expressar livremente. "O Ney é único, ímpar, conseguiu tecer uma relação muito potente e quase transcendental entre a música, a performance e o teatro. Ele teatraliza a música, ele musicaliza o teatro", opina o ator Andree Ximenes.

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As inquietações pessoais e artísticas de Andree culminaram no curta-metragem "Felino" (2021). "Veio do questionamento de como o masculino e o feminino existem em mim, eles podem existir em fluxo?", indaga. A imagem do cantor surgiu como uma resposta e personificação da animalidade. "Para mim ele é um animal no palco. Ele tem muita força, o olhar dele é muito marcante, e isso para mim é um gato, leão, tigre. Tudo está entrelaçado nessa obra que eu fiz. Acabou virando meio que uma homenagem para o Ney Matogrosso", conta.

Essa influência também perpassou pela trajetória do cantor Daniel Peixoto, que tinha um "fascínio sobrenatural" pela imagem de Ney. Quando começou a trabalhar no meio artístico, Daniel buscou aplicar os ensinamentos na arte. "Não tínhamos referências nacionais de ídolos pops, principalmente de um artista queer. Todos os artistas que inspiravam minha geração de performers eram gringos", relembra. O trabalho do intérprete continua acompanhando Daniel nas regravações de "O Vira" (1973), sucesso dos Secos & Molhados, e da canção "Postal de Amor" (1975). É uma forma, explica Daniel, de se manter conectado com um artista "brilhante" que segue pulsante.

Talento múltiplo

Para a professora de música Lu Basile, da Universidade Estadual do Ceará (UECE), o diferencial de Ney Matogrosso é a "força da performatividade", além da "voz maravilhosa”. Ela menciona a capacidade do cantor de trazer o corpo em cena como um complemento do espetáculo. "É como se construísse uma "persona". Essa ideia de que a música estava para além do canto, se dando num mix de elementos das roupas, da atitude, dos arranjos, da arte da capa dos discos, enfim, da intertextualidade com as outras linguagens", especifica. Os elementos já apareciam com a Tropicália, mas Lu afirma que, com Ney, o "corpo é destacado em toda sua potência".

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A versatilidade do intérprete também é ponto de destaque para o bancário aposentado Marcondes Chaves Almeida, fã do artista desde 1976. "Ele transmite a música, vive a música e cativa você", comenta. Para quem presencia um show de Ney Matogrosso, o conselho é não tirar o olho do palco. "Você tem que ficar vidrado no palco para ver as coisas bonitas que ele tem para oferecer, o cenário, o palco, a coreografia", exemplifica.

Desde o primeiro show que participou, em 1977, Marcondes não perdeu uma apresentação do cantor em Fortaleza. A coleção de itens relacionados ao artista só aumentou: atualmente, ele soma 71 trabalhos, entre CD's, DVD's e livros. Ele também relata que agregou várias pessoas aos projetos de Ney, inclusive a mãe, que conheceu pessoalmente a personalidade aos 90 anos em um show no Dia das Mães. "O público dele tem de 18 a 90 anos, é uma diversidade muito grande", acrescenta.

Entre tantos encontros com Ney, Marcondes pôde conhecer relances da personalidade. “É totalmente diferente, sereno, tranquilo. E muito simpático. No palco ele é um leão, já que é leonino. Pessoalmente ele é muito calmo, quando a gente chega no camarim ele recebe todo mundo da mesma maneira", conta. A maturidade, aponta, é visível nos últimos trabalhos. "Ele acompanha o tempo, vai evoluindo, varia para não ser o mesmo Ney de sempre. Ele está fazendo 80 anos com toda a vitalidade e cantando cada vez melhor", opina o fã. 

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Zeca Baleiro apresenta show online "Zoró Zureta" neste domingo, 1º

Música
00:30 | Jul. 30, 2021
Autor Vida&Arte
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O mês de agosto começará com muita música e atrações para as crianças. Neste domingo, 1º, subirão ao palco - mas de forma virtual - personagens como a Girafa Rastafári e o Ornitorrinco Com Dor de Garganta no show “Zoró Zureta”, do cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro. O espetáculo adaptado ocorre dentro do programa Diversão em Cena, da ArcelorMittal, a partir das 16 horas em transmissão no YouTube.

Em uma mistura de fases de sua discografia voltadas para o universo das crianças, o show trará canções de “Zoró”, seu primeiro álbum infantil, e de “Zureta”, o segundo CD infantil. O repertório conta com apresentações de músicas como “Onça Pintada, “O Ornitorrinco”, “Minhoca Dorminhoca” e “Papai e Mamãe”.

As criações do cantor maranhense trazem personagens não tão convencionais, como, por exemplo, a Girafa Rastafári e o Ornitorrinco com dor de garganta. Essas escolhas revelam as opções do maranhense pelo imaginário infantil, levando em consideração pela criatividade e pelo interesse para o que é diferente.

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Zeca Baleiro tem como uma de suas principais inspirações no processo de criação para esse universo os nascimentos de seus filhos, Vitória e Manuel. O artista começou a compor canções para alegrar o dia a dia deles, e essa iniciativa trouxe resultados - muitos, aliás: hoje, Zeca Baleiro tem em sua trajetória mais de 60 músicas direcionadas ao público infantil.

Para o maranhense, “trabalhar com (e para) crianças” possibilita repensar valores, posturas e até a própria vida. “Uma coisa é certa para mim: é impossível viver sem fantasia, mesmo em tempos tão ‘reais’”, afirma o músico ao Vida&Arte.

A ligação do artista com o universo infantil não é de agora: na verdade, foi um dos elementos marcantes do início de sua carreira, quando compôs músicas para o teatro infantil na década de 1980. O artista, em suas músicas, reúne mistura de ritmos e referências diversas, trazendo também humor e ironia.

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Ter filhos também o ajudou a olhar para as crianças “com outros olhos”, contribuindo para entender mais o funcionamento da psicologia infantil e perceber como elas reagem a situações do dia a dia. “É um mundo fascinante”, acrescenta.

O músico também acredita ser importante investir em elementos lúdicos no Brasil de 2021, pois ajuda a enfrentar a “brutalidade” da vida com leveza, algo essencial “em qualquer tempo”: “O elemento lúdico é importante porque traz imaginação, sonho, ajuda a enfrentar a vida com poesia, encantamento e a buscar transpor a brutalidade da vida com alguma leveza.”

Com mais de dez discos de estúdio, além de CDs ao vivo, DVDs e projetos especiais, o artista maranhense também realizou o projeto para crianças “Zoró Zureta”, com os CDs Zoró [bichos esquisitos] Vol.1 e Zureta Vol.2. Baleiro também traz facetas voltadas à literatura e ao teatro, com autorias de livros e peças, e composições de trilhas sonoras, como a de “Roque Santeiro, o musical”, em 2017.

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A apresentação deste domingo, 1º, será realizada em formato virtual e transmitida ao vivo. Na visão de Zeca Baleiro, esse é um show que funciona melhor com a interatividade presencial do público, e um de seus desejos é justamente “voltar aos palcos” com esse trabalho.

A equipe da apresentação tem, em voz e violão, Zeca Baleiro, Tata Fernandes, Nô Stopa, Simone Julian e Vange Milliet. Na flauta e no sax, Simone Julian. A percussão fica por conta de Vange Milliet e os teclados, a sanfona e programações ganharão destaque com Pedro Cunha.

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Marcas do início, diversidade e transgressão ecoam no rock atual

DIA DO ROCK
19:55 | Jul. 26, 2021
Autor João Gabriel Tréz
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Tipo Análise

O que forma o rock? Uma conjunção de instrumentos específicos que seguem regras sonoras específicas? Uma atitude? O gênero musical vem ocupando novamente espaços massivos como as paradas da Billboard, as rádios, e as plataformas e redes digitais nos últimos meses de uma forma que ressalta a essência de diversidade, mistura e transgressão que marca o estilo - representada nos idos dos anos 1930 pela cantora, compositora e guitarrista pioneira Sister Rosetta Tharpe e, atualmente, encontrando ecos nas referências da estrela pop Olivia Rodrigo, na empreitada nostálgica de Willow e na atitude livre da banda italiana Måneskin, entre outras.

Foi apostando na mistura e na ousadia que Sister Rosetta Tharpe decidiu incorporar a guitarra elétrica nas gravações de música gospel que produzia. Uma mulher negra e LGBT ousou, nos anos 1930, aproximar o mundo religioso de uma sonoridade intensa, cumprindo essencial papel para a fundação do rock.

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Em entrevista ao veículo especializado em música NPR em 2019, a autora da biografia da artista, Gayle Wald, destacou que a atitude de Sister Rosetta marca a relação dela com o gênero. "(As pessoas) veem algo acontecendo na maneira como ela segura o violão, a maneira como ela trabalha com ele enquanto canta - veem algo que identificam com o rock", definiu à época.

Apesar dos purismos quererem o contrário, essa essência de mistura e de liberdade não somente de experimentar, mas de ser, ecoa nas obras recentes que têm chamado a atenção do público e da indústria. Para a cantora Mona Gadelha - um dos principais nomes do rock do Estado e que vem trabalhando a canção "Essa Menina" - porém, o momento não é necessariamente uma "retomada" do gênero.

"Esses movimentos de ida e volta sempre acontecem na indústria", atesta. "É muito interessante acompanhar essas 'mutações' e ao mesmo tempo a 'permanência' de uma indústria de música pop que emergiu a partir da fonte do rock. Para mim, que acompanho muito além do mainstream e nunca fiz parte dele, o rock sempre esteve presente, com essas idas e vindas no grande mercado musical", avalia Mona.

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O artista Mateus Fazeno Rock - que lançou no ano passado o disco de estreia "Rolê nas Ruínas", marcado por misturas musicais, e está atualmente em processo de financiamento coletivo de novo trabalho, "Jesus Ñ Voltará" - aponta para o caráter nostálgico das produções estrangeiras.

"Até a Miley Cyrus tinha trabalhado o rock", exemplifica, citando a cantora estadunidense ligada ao pop que, recentemente, lançou um álbum influenciado pelo gênero e entrou no top 5 de uma das listas de rock da Billboard com um cover de "Nothing Else Matters", do Metallica. "Sinto que alguns trabalhos têm vindo numa atmosfera bem nostálgica, remetendo a outras épocas e trabalhos", avalia.

Mesmo com a popularização do gênero, porém, o aprofundamento do público para conhecer artistas e ideias além da superfície depende de outros fatores. "Gente que sempre gostou (de rock) vai gostar de ter essas pessoas fazendo música com essa atmosfera. Mas um interesse de se aprofundar vai muito de como isso pode ser construído através das mídias", afirma Mateus.

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"Há muita informação disponível. De livros a podcasts, rádios e revistas especializadas online. Discografias praticamente completas também disponíveis nas plataformas digitais. Se a pessoa navegar e garimpar, vai obter muita informação', acrescenta Mona.

No nível massivo, Olivia Rodrigo lançou no final de maio o álbum "Sour", que traz elementos da sonoridade pop rock em faixas como "good 4 u" e "deja vu". Ambas as faixas estão no top 10 na lista "Hot 100", da Billboard, assim como o disco voltou a encabeçar a parada "Billboard 200".

Além disso, recentemente, Rodrigo divulgou uma imagem de promoção de uma live em que aparece na mesma situação registrada na capa do álbum "Live Through This" (1994), da banda Hole. Courtney Love, líder do grupo, insinuou plágio pelo Instagram, mas a estrela pop respondeu com um comentário falando que "amava" Courtney.

Quem também está no Hot 100 da Billboard é Willow, com "transparentsoul". O novo álbum da artista, "Lately I Feel Everything", será lançado na sexta, 16, e traz participações de Travis Barker, do blink-182 (na faixa citada), e Avril Lavigne, nomes centrais do rock produzido entre o fim dos anos 1990 e o começo dos anos 2000.

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Também na parada da Billboard está "Beggin'", cover de uma canção do grupo The Four Seasons feito pela banda Måneskin. O conjunto italiano explodiu depois de vencer o concurso EuroVision deste ano e vem angariando recordes nas plataformas digitais.

A atitude vem sendo uma marca do grupo, cujos posicionamentos já foram bem explicitados. Foi o caso de uma apresentação que fizeram em uma TV na Polônia, país que vem atacando os direitos da comunidade LGBTQIA . Na performance, o vocalista Damiano David e o guitarrista Thomas Raggi se beijaram. "Todos devem ser completamente livres para ser o que quiserem", discursou o cantor.

Os três são exemplos não somente de projetos que reavivam e referenciam o gênero, mas que reforçam, cada um de maneira própria, a atitude do rock e o fato de que ele é um espaço de diversidades. Vale citar, ainda, que a categoria "Melhor Performance de Rock" da mais recente edição do Grammy só teve projetos liderados por mulheres entre os indicados.

"Era e é notória a pouca presença feminina no rock, por exemplo, mas nos últimos anos vem melhorando com o surgimento de guitarristas como Annie Clark (St.Vincent), Brittany Howard e Anna Calvi, entre tantas outras. No Brasil, Monica Agena", elenca Mona.

"A Billboard, pródiga em listas, já incluiu algumas com 'selo' pride (orgulho). No Brasil é notória a ascensão de uma música criada e produzida por artistas LGBTQ, que deu uma bem-vinda sacudida na MPB com referências de rock e blues, como Johnny Hooker, As Baías, Mahmundi, Filipe Catto e mais", avança.

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Conquistas como essas em meio à lógica da indústria são importantes, mas não "resolvem" problemas estruturais. "Aqui, a luta é diária e constante e, muito além da música, que vem desempenhando esse papel relevante de dar voz à causa juntamente com outras linguagens artísticas", defende Mona. "É preciso o combate à transfobia, que coloca o País no ranking vergonhoso do ódio e assassinatos de pessoas LGBTQIA ".

É sintomático, por exemplo, que artistas trans ainda estejam menos presentes não só no rock, mas na indústria de forma geral, em um reflexo da forma com que a sociedade trata as pessoas T. Além de Filipe Catto e de As Baías, citadas por Mona, vale citar também a cantora Verónica Valenttino, cujo trabalho na banda Verónica Decide Morrer é essencialmente roqueiro.

"O mainstream não é só um espaço de imaginário, onde se elaboram coisas. É um lugar empresarial, de investimento coletivo, de mídias e de culturas. Falando de grana, mesmo", lembra Mateus Fazeno Rock. "Muita coisa precisaria caminhar em conjunto pra que a gente conseguisse imaginar uma prosperidade coletiva", observa.

"Politicamente, na mente das pessoas, nas perspectivas estruturais de um país como o Brasil, um país racista, colonizado e colonizador, que tende a destruir um monte de coisa que é essencialmente nossa, da nossa memória", elabora o artista. "A ampliação da visibilidade e da diversidade é uma conquista de longos anos, mas há muito por se alcançar e lutar", resume Mona Gadelha.

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