Fortaleza registra média de 130 casos de fissuras labiopalatinas por ano

Fortaleza registra média de 130 casos de fissuras labiopalatinas por ano

Mais de quatro mil pacientes já foram atendidos pelo Núcleo de Atendimento Integrado ao Fissurado (Naif) desde 2001

Adrielly, mãe da Maria Vitória de dois anos e sete meses, natural de Nova Russas, descobriu a fissura labiopalatina após o parto e logo foi cadastrada pelo hospital de sua cidade para que sua filha realizasse o tratamento no Hospital Infantil Albert Sabin.

Ela foi atendida pelo Núcleo de Atendimento Integrado ao Fissurado (Naif), que recebe uma média de 130 pacientes para a realização de, além da cirurgia, outras etapas do tratamento. Desde a sua criação, em 2001, o Núcleo já atendeu mais de quatro mil pacientes de diversos locais do Ceará.

“Teve mãezinha que falou para mim que era um hospital muito bom, bem desenvolvido e que minha filha seria bem atendida”, disse Adrielly.

Maria já fez a primeira cirurgia, além de receber atendimento de profissionais como fonoaudióloga, médico-cirurgião, neuropediatra e pediatra e já está com a segunda cirurgia marcada.

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“Sempre fomos bem acolhidas, bem atendidas, sempre com aquele carinho, aquele amor, aquela dedicação que eles tem pelas crianças”, afirmou ainda.

Principais causas

Segundo a médica geneticista Erlane Ribeiro, a fissura labiopalatina é um defeito congênito Que nasce com o indivíduo  que acontece por uma falha no desenvolvimento ainda no útero.

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Essa falha faz com que ocorra uma abertura no palato, na região do céu da boca, e no lábio, principalmente na parte superior.

Não existe ainda uma causa definida, mas fatores como predisposições genéticas, ingerir álcool ou inalar fumaça de cigarro, mesmo enquanto fumante passivo, podem influenciar na condição.

A médica também aponta para a necessidade de cuidados preventivos já nas primeiras suspeitas de gravidez. “A mulher só descobre que está grávida depois que falha a primeira menstruação, até aí já se passaram quatro semanas, em que o bebê já tem o desenvolvimento de uma série de coisas”, explica.

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Métodos preventivos

Uma das medidas de prevenção mais comuns é a melhora na alimentação, pois a absorção de nutrientes é essencial para a boa formação do feto.

Mulheres que possuem quadros de enjoo em excesso na gravidez e evitam se alimentar regularmente ou vomitam em excesso durante esse período não estarão absorvendo os nutrientes necessários para o desenvolvimento saudável.

“Quando o organismo falha para o bebê, ele não falha para a mãe. Então, se fizermos um exame de sangue na mãe, virá normal, mas ela tem que comer para dois”, destaca ainda a médica geneticista Erlane Ribeiro.

Ácido Fólico

Outra recomendação médica para a prevenção da fissura é a utilização de ácido fólico durante o período de gravidez.

O ácido fólico é uma vitamina hidrossolúvel importante para diversas funções do organismo, como manter a saúde do cérebro, evitar doenças cardiovasculares, prevenir a anemia e participar da formação do sistema nervoso do bebê, segundo o portal Tua Saúde.

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“O ácido fólico funciona como se fosse uma espécie de cola, então, quando você não tem ácido fólico, essa cola está falha. Então quando você olha o bebezinho que tem o lábio leporino, às vezes dá vontade da gente colocar os dedinhos e fechar, porque é como se tivesse faltado uma cola naquela localização”, explica ainda a geneticista.

 

Criação do Naif

Em maio deste ano, foi sancionada a Lei 15.133, que garante para todo o País a oferta da cirurgia reconstrutiva de fissura labiopalatina pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de acompanhamento pós-operatório por profissionais de fonoaudiologia, ortodontia e psicologia caso necessário.

Porém, esse serviço já é ofertado no Ceará há quase 25 anos pelo Naif, também do SUS, que realiza seus atendimentos no Hospital Infantil Albert Sabin, em Fortaleza.

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O Núcleo foi criado a partir de uma equipe que identificava e acompanhava as crianças que eram operadas pelo Operação Sorriso, organização médica voluntária dos EUA que esteve no Ceará pela primeira vez em 1997, realizando mutirões de cirurgias para pacientes com fissuras.

Na época, não havia uma estimativa oficial da demanda por esse procedimento. Posteriormente, o Naif integrou ao seu grupo um cirurgião plástico, enfermeira e fonoaudióloga, passando a oferecer também a cirurgia reconstrutiva.

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Atualmente, o núcleo conta com diversos outros profissionais, como geneticistas, psicólogos, cirurgiões buco maxilares e pediatras, trabalhando tanto com procedimentos cirúrgicos quanto com acompanhamento médico pré e pós-operatório.

“A gente espera que melhore nossa assistência, que a gente consiga mais recursos pra termos mais profissionais e poder fortalecer esse processo de reabilitação. Mas essa é uma coisa acho que mais a longo prazo”, explica Larissa Loiola, coordenadora do Naif, quando questionada sobre quais serão os impactos da nova lei no serviço do Núcleo.

Como ter acesso ao tratamento

São disponibilizadas 20 vagas por mês, os interessados devem entrar em contato pelo posto de saúde mais próximo, caso viva em Fortaleza, ou pela Secretaria Municipal de Saúde, caso seja de outro município.

A unidade realizará o agendamento, e o governo municipal ficará responsável por custear o transporte, seja disponibilizando o veículo ou pagando a passagem para que o paciente se desloque.

“Todos os municípios têm por obrigação fornecer deslocamento daquele paciente, já que ele não oferta aquela especialidade, que pode ser ambulância, carro pequeno ou van. Eles também podem ofertar a passagem e a pessoa se desloca gratuitamente”, detalha a coordenadora.

Serviço

Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) (Rua Tertuliano Sales, 544, Vila União, Fortaleza/CE)

Horário de Atendimento

Emergência: 24 horas
Demais serviços: das 8 às 17 horas

Contato: (85) 3492-5336
 

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