Ciro diz que articulação da oposição passa pelo Cariri e exalta Glêdson: 'maior liderança'
Passagem do tucano na Região conta com a participação de deputados do PL, mesmo com a suspensão das negociações sobre a composição do palanque estadual
14:27 | Fev. 07, 2026
Em agenda no Cariri neste sábado, 7 de fevereiro, o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) voltou a criticar o Governo do Ceará num discurso de tom eleitoral.
Na ocasião, que antecedeu a entrega da mais alta honraria da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, o tucano destacou o papel da Região e a liderança do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos).
“O que eu estou agora com entusiasmo é ajudando a construir um movimento de libertação do Ceará, que vai ter que aterrissar numa chapa, e qualquer chapa que queira realmente representar bem o Ceará vai ter que ouvir as lideranças do Cariri”, iniciou Ciro, que recebeu a Comenda do Mérito Legislativo.
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Em seguida, ele destacou o papel do chefe do Executivo juazeirense. “E nós temos conosco a liderança mais importante do Cariri.
Não para desfazer ninguém, mas é a maior cidade, naturalmente líder da economia e dos serviços regionais, que é o prefeito Glêdson, que sofre todo tipo de perseguição e, ainda assim, é reconhecido como o melhor prefeito do Ceará”, completou.
Glêdson chegou a ensaiar uma aproximação com o governo Elmano de Freitas (PT). Contudo, protagonizou embates. Já Ciro, favorito para disputar a sucessão do petista pela oposição, reafirmou que ainda não bateu o martelo sobre concorrer nas eleições de 2026.
“Olha, eu não estou construindo chapa majoritária ainda. Ainda estou naquela briga do juízo dizendo para eu não ser mais candidato, porque o que aconteceu comigo em 2022 me doeu muito. Machucou muito e não é culpa do povo, porque pelo povo eu tenho só gratidão. E se eu morrer muito velho e ainda morrer trabalhando, ainda vou morrer devendo ao povo cearense, ao povo brasileiro. Mas a política ficou muito suja”, disse o tucano.
Em entrevista coletiva após o evento, Ciro ressaltou: "O que eu posso lhe garantir hoje é que nenhuma chapa será fechada sem antes consultar as lideranças do Cariri". Apesar disso, ele não antecipou as definições.
"Eu venho tentar mobilizar o que há de mais importante no interior do Ceará, que é a liderança do Cariri para um movimento que pretende mudar as coisas do estado do Ceará. A hora própria para escolher candidatos não é essa ainda".
Segundo o tucano, o momento agora é de compreender "a natureza do problema do Estado" e começar a "ouvir as pessoas que são responsáveis, que têm, enfim, presença real na vida do povo" e, assim, "começar a formular um projeto para o Ceará de maneira que, quando a candidatura for escolhida, ela nasce junto com o projeto".
Articulação da oposição
Além de Glêdson, participaram do evento políticos que compõem o bloco de oposição no Ceará.
Na chegada, Ciro cumprimentou o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) chamando-o de “senador”. Em entrevista coletiva, Wagner comentou sobre a movimentação.
“Olha, a gente está muito feliz. Cada dia a gente vê um apoio popular mais forte, crescente a pré-candidatura do nosso irmão Ciro Gomes. Como ele disse, nem lançou ainda a candidatura e já está com toda essa força. Imagine quando tiver o lançamento, perspectiva de que a gente possa libertar o Ceará e para isso ele pode contar comigo.”
Até o momento, a oposição tem lançada a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal e dirigente partidário André Fernandes (PL).
O PL, por sua vez, suspendeu as negociações sobre compor um palanque estadual no Ceará. Apesar disso, os deputados federais Matheus Noronha e Dr. Jaziel e os deputados estaduais Alcides e Dra. Silvana prestigiaram Ciro na Câmara de Juazeiro.
Nesse tempo, o tucano já mencionou que a chapa deve ser composta por ele, Wagner e Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza. Questionado sobre ser candidato a vice-governador, RC postergou a decisão.
“Na verdade, tem uns prazos legais, né? A partir de abril é que se define legalmente as pré-candidaturas. Mas o movimento do povo cearense fala por si mesmo. Onde a gente anda no Ceará, de norte a sul, leste oeste, essa comoção, essa emoção, esse sentimento de desejo de mudança que está representado pela força, experiência e liderança do Ciro Gomes”.
Acenos de Ciro
Durante a solenidade, Ciro abriu o discurso cumprimentando as autoridades presentes. Sobre Wagner, ele falou:
“Esse jovem, talentoso líder cearense, a quem aprendi a admirar depois de ter feito forte, vigoroso a oposição, eu e ele, mas a quem eu já pedi desculpas por reconhecer de perto a virtude e o valor que ele representa, cumprimentar o Capitão Wagner, que também cumprirá grandes missões”.
Alcides Fernandes foi convidado pela cerimonialista a compor a mesa da Câmara. O ex-ministro saudou o bolsonarista, reforçando o desejo em votar nele para o Senado.
“Cumprimentar o meu querido amigo, quem sabe, o futuro senador do Ceará, Alcides Fernandes. Pelo menos, eu tenho vontade de votar nele. Eu espero que dê tudo certo, porque eu tenho vontade de votar nele pela humildade, pela simplicidade, pela necessidade de termos um Senado à altura da grave missão de enfrentar a instabilidade institucional e os abusos que determinados poderes, hoje, têm praticado contra a democracia e contra a sociedade brasileira”.
Quem também foi contemplada pelos elogios do tucano, foi a líder do PL na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
“E a Dra. Silvana, que tem aguentado incompreensões para sustentar a amizade, o carinho. Muito obrigado pelo seu valor de mulher lutadora”.
Presença do PL
A presença de deputados da sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou a atenção. Quando questionado sobre isso, Ciro respondeu: "Pergunta para eles". Depois, ponderou que os parlamentares do PL compunham a ocasião como "convidados".
"Nós fizemos uma gentileza. Nós sabemos que eles estão com esse problema. Há outros problemas em andamento na seara deles, que é a ideia que disse que o Flávio Bolsonaro vai exigir que todas as sessões do PL tenham um candidato próprio a governador", disse.
E prosseguiu: "Mas nós, que estamos preocupados de unir o Ceará para discutir a questão local no Estado, resolvemos, por gentileza, apesar de sabendo que as negociações estão suspensas, convidar. E pra nossa alegria, o pai veio, o filho não. Quer dizer, não que a alegria seja o filho não vir, [mas] o pai vindo".