RC confirma federação União-PP na oposição, mas diz que respeitará posições diferentes
Ex-prefeito elogiou o senador Cid Gomes, mas admitiu não manter contato com ele desde o racha no PDT; RC também falou sobre possível saída de Camilo do MEC
16:20 | Fev. 06, 2026
O ex-prefeito de Fortaleza e presidente do União Brasil na Capital cearense, Roberto Cláudio, afirmou que a federação com o Progressistas — que se chamará União Progressista — ficará na oposição ao PT no Ceará, embora respeitando eventuais divergências internas com outros grupos políticos que compõem a federação.
RC conversou na manhã desta sexta-feira, 6, com o jornalista Luciano Cesário, da Rádio O POVO CBN Cariri, e disse que, apesar de a federação ainda não ter sido homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a União Progressista atuará no campo de oposição ao Partido dos Trabalhadores.
Segundo ele, dirigentes nacionais das duas siglas já deixaram claro o posicionamento político do novo bloco. RC afirmou ter ouvido do presidente do União Brasil, Antônio Rueda, do vice-presidente da legenda, ACM Neto, e do presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, que a federação será “a maior força partidária brasileira, uma grande frente partidária para apresentar um projeto alternativo de poder ao Brasil, projeto alternativo ao PT”.
RC continuou: "Ou lançando candidatura própria ou apoiando outra candidatura, mas estando no campo das oposições. Então, esse é o posicionamento político nacional da federação aqui no Estado do Ceará", adiantou.
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Disputa no Ceará
O posicionamento da federação tem sido alvo de disputa política no Ceará nos últimos meses, envolvendo oposição e o governo Elmano de Freitas (PT).
Enquanto alguns nomes de peso do União Brasil defendem uma atuação oposicionista, os dois deputados federais mais votados da sigla nas eleições de 2022 — Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues — já declararam apoio a Elmano na tentativa de reeleição do petista.
No Progressistas, o deputado federal AJ Albuquerque também integra a base governista, assim como o pai, o deputado estadual Zezinho Albuquerque, atualmente licenciado para comandar a Secretaria das Cidades do Ceará.
Respeito às diferenças
Roberto Cláudio afirmou manter boa relação com Fernanda Pessoa e Moses Rodrigues e disse que a federação respeitará posicionamentos distintos internamente.
“A gente compreende que essa federação irá compor essa frente de oposição e irá, inclusive, respeitar internamente posições distintas e diferentes. Isso faz parte da vida partidária, a gente conviver com as divergências internas dentro do partido”, afirmou.
Há poucos meses, no entanto, o União Brasil decidiu que todos os filiados deveriam deixar o governo Lula, sob pena de expulsão, após definir rompimento na esfera federal.
Apoio a Ciro
RC disse que a federação só poderá definir oficialmente apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará após a homologação da União Progressista pelo TSE.
"A gente não precisa ser ansioso, até porque a gente confia muito nas palavras do Rueda, do ACM Neto e do Ciro Nogueira, e também confia muito no alinhamento político que representa a candidatura, o apoio da federação à eventual candidatura do Ciro a governador do Estado do Ceará", ponderou.
Composição da chapa
Apesar de Ciro ter afirmado que Roberto Cláudio seria um nome ideal para disputar o governo estadual, RC disse que, caso Ciro encabece a chapa, as demais posições ainda não estão definidas.
“(Ciro) É o nome que nos une a todos nessa jornada, da oposição, de construção de um projeto alternativo de futuro pro Ceará. As demais posições, o tempo, o diálogo entre as forças partidárias, a conversa nossa, interna e com a população, é que irá definir", afirmou. Ele não esconde que deseja candidatar-se em outubro, mas como parte do projeto.
"Eu não nego, eu pretendo disputar um cargo eletivo nessa próxima eleição. Eu quero fazer parte desse time que irá construir esse projeto de futuro e de esperança para o povo cearense, mas ainda não há nenhuma definição de nenhuma posição a ser ocupada ainda nos demais cargos dessa chapa majoritária”, explicou.
Para RC, uma eventual candidatura de Ciro Gomes ao governo do Ceará teria repercussão nacional, especialmente no Nordeste.
“É também uma candidatura que fala ao Brasil, pela força da liderança do ex-governador Ciro Gomes. Uma candidatura do Ceará aqui, apoiada pela federação, é uma uma candidatura que fortalece as candidaturas de oposição, inclusive ao PT, em todo o Nordeste brasileiro. Não por acaso o Ciro estará voltando hoje do estado da Bahia, acompanhando o ex-prefeito ACM Neto, pré-candidato também ao governo da Bahia”, afirmou.
Ciro participa neste sábado, 7, de evento em Juazeiro do Norte, onde receberá uma comenda da Câmara Municipal e reunirá líderes políticos.
Relação com Cid Gomes
Embora o senador Cid Gomes (PSB) integre atualmente a base do governo Elmano, Roberto Cláudio o classificou como uma das principais lideranças políticas do Ceará, mas evitou opinar sobre o posicionamento do parlamentar nas próximas eleições.
“Cid é uma liderança política muito importante aqui no Ceará. Hoje compõe a base do governo Elmano, dos aliados, mas só o próprio Cid pode falar sobre as próprias definições e as definições do grupo político dele, de como se comportará, se apoiará a eventual candidatura de reeleição do Elmano ou a eventual candidatura de oposição do Ciro. Essa é uma decisão que cabe ao próprio Cid, ele pode comentá-la", disse.
Sem citar Cid nominalmente, RC disse esperar uma união de forças no Estado. "Eu espero muito que os homens e mulheres de bem, que se preocupam com o presente e o futuro do Estado do Ceará, a despeito de diferenças políticas eventuais que tenham, possam se unir”, afirmou.
Roberto admitiu que está afastado do ex-governador Cid, mas negou um rompimento pessoal.
“Não cheguei a ter atritos, nenhum atrito com o Cid antes da minha eleição, não. A gente teve algumas divergências de opinião dentro do PDT após eleição e, realmente, não mantivemos mais contato. Desde então, tivemos um encontro social, cordial, agradável, há um ano e pouco atrás. Mas a gente não tem mantido diálogo político e nem pessoal”.
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O fator Camilo Santana
Questionado sobre o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), ter afirmado que deixará o cargo até o fim de março, Roberto Cláudio disse enxergar contradição no movimento.
“O ministro fala que vai se desincompatibilizar, diga-se de passagem, num prazo que permite ele virar candidato, para ajudar ao Lula e ao Elmano aqui no Ceará. Claro e óbvio que, quando se desincompatibiliza num prazo que permite a eleição, o fantasma ou a ameaça da candidatura do Camilo ficará pairando ali em torno da Abolição, não? Virará um pesadelo na cabeça do Elmano", afirmou.
O prazo para deixar o MEC também foi motivo de questionamento. "Se fosse somente para ajudar o Lula e o Elmano, por que o ministro não sairia um dia depois desse prazo, para não restar qualquer dúvida? Isso é conversa para boi dormir, para enganar bobo”, questionou.
Ainda sobre o tema, RC disse enxergar duas hipóteses para a decisão de Camilo, embora afirme que a questão diz respeito exclusivamente ao PT.
“Duas hipóteses aí: ele está saindo mesmo para conspirar a construção de uma candidatura própria ao Governo do Ceará ou para representar uma ameaça ao Elmano até o final e, com isso, mandar ainda mais no Elmano do que ele já manda, mandar inclusive na montagem da chapa. (...) É para uma dessas duas coisas, só não é de espírito público desprendido para ajudar o Elmano e para ajudar o Lula. É para fortalecer o poder político pessoal dele”, disparou.
Segurança pública
Por fim, RC afirmou que, independentemente de quem seja o candidato governista, terá que responder sobre o que classificou como “fracasso da gestão no combate às facções criminosas”.
“Um fracasso da gestão dele, Camilo, e do Elmano, no enfrentamento das facções, que não surgiram aqui do nada e que não transformaram o Ceará no estado mais violento do Brasil inteiro, segundo o Ministério da Justiça, da noite pro dia", afirmou, dizendo que os governos petistas pecaram por "leniência, omissão, covardia e frouxidão" nos últimos anos.