Bolsonaro completa seis meses preso após condenação por tentativa de golpe
Ex-presidente passou da prisão domiciliar ao regime fechado após descumprir medidas cautelares e hoje cumpre pena no Complexo da Papuda, em Brasília
11:26 | Fev. 04, 2026
Seis meses após ser preso por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) cumpre pena em regime fechado no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O ex-mandatário completa seis meses preso nesta quarta-feira, 4.
A trajetória que o levou à prisão foi marcada por sucessivas decisões judiciais, descumprimento de medidas cautelares e uma condenação que o responsabilizou por crimes ligados à tentativa de ruptura institucional após ser derrotado nas eleições de 2022.
Prisão Domiciliar
Em 18 de fevereiro de 2025, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou formalmente Bolsonaro ao STF. Ele foi acusado de liderar uma “organização criminosa armada” voltada à tentativa de impedir a posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após as eleições de 2022.
Entre os crimes apontados estão: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, ameaça grave, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A denúncia descreveu uma estrutura que envolveria militares de alta patente e aliados políticos com o objetivo de minar a democracia.
Assim, medidas cautelares foram imposta ao ex-presidente. A partir daquele momento — após solicitação pela Polícia Federal (PF), com parecer favorável da PGR — Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica e ficou submetido a recolhimento domiciliar das 19h às 6h, de segunda a sexta-feira, e em tempo integral nos fins de semana e feriados.
Além disso, o ex-mandatário ficou proibido de usar redes sociais, mesmo que de forma indireta, de manter contato com embaixadores ou autoridades estrangeiras e de se aproximar de sedes de embaixadas e consulados no Brasil.
O ex-presidente descumpriu as medidas ao participar, por meio de chamada de vídeo, de manifestações que atacavam o Judiciário no início de agosto de 2025. No dia 4, a prisão domiciliar foi decretada, após Bolsonaro descumprir medidas cautelares no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado.
A PF realizou busca e apreensão na casa do ex-presidente, localizada na capital federal. Na operação foram apreendidos todos os aparelhos de telefone celular encontrados no local. O ministro Alexandre de Moraes ainda proibiu Bolsonaro de receber visitas, com exceção de familiares próximos e advogados.
Além disso, foram mantidas as proibições de manter contatos com embaixadores ou quaisquer autoridades estrangeiras, bem como com os demais réus e investigados nas diversas ações penais relacionadas aos processos sobre a tentativa de golpe, à investigação sobre obstrução de Justiça e ao uso de redes sociais, inclusive por meio de terceiros.
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O fim da domiciliar
Em 2 de setembro de 2025, a Primeira Turma do STF iniciou o julgamento de Bolsonaro e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado. Em 11 de setembro de 2025, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime fechado, após decisão do STF, com voto determinante da ministra Cármen Lúcia, única mulher da Corte.
Confira, abaixo, os crimes pelos quais Bolsonaro foi condenado e as respectivas penas:
Organização criminosa: 7 anos e 7 meses
Abolição do Estado democrático de direito: 6 anos e 6 meses
Golpe de Estado: 8 anos e 2 meses
Dano qualificado: 2 anos e 6 meses e 62 dias-multa
Deterioração de patrimônio tombado: 2 anos e 6 meses e 62 dias-multa
Inicialmente, Bolsonaro permaneceu em regime domiciliar, enquanto aguardava o trânsito em julgado da condenação e o início formal do cumprimento da pena. Porém, o cumprimento da pena foi antecipado. No dia 22 de novembro de 2025, Bolsonaro foi preso preventivamente após confessar que utilizou um ferro de solda para tentar romper a tornozeleira.
Um laudo elaborado por peritos do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal confirmou a violação. Devido ao descumprimento, Bolsonaro foi preso em uma sala da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde passou a iniciar o cumprimento da pena.
Nos dias seguintes, Bolsonaro passou por audiência em que afirmou que a violação da tornozeleira não foi tentativa de fuga, mas teria sido motivada por “paranoia” e “alucinações”, atribuídas a efeitos de medicamentos que vinha tomando. Ele negou a intenção de escapar.
Regime fechado
Embora já estivesse preso preventivamente na sede da PF desde o dia 22, em 25 de novembro de 2025 o ministro Moraes determinou oficialmente o início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses em regime fechado, após a defesa não apresentar novos recursos que impedissem o trânsito em julgado da condenação.
No dia 15 de janeiro de 2026, por ordem do ministro Alexandre de Moraes, Bolsonaro foi transferido da Superintendência da PF para o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, especificamente para uma ala reservada conhecida como “Papudinha” — uma Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.
A transferência foi decidida para oferecer condições mais adequadas ao cumprimento da pena e às necessidades de saúde, incluindo maior espaço, assistência médica 24 horas e possibilidades ampliadas de visita, em comparação com a cela anterior na PF.
Agora, ao completar seis meses de prisão, Bolsonaro está em meio a uma ofensiva política e jurídica para retomar a prisão domiciliar. Nos últimos meses, a defesa de Bolsonaro apresentou pedidos de revisão do regime de cumprimento da pena, solicitando o retorno à prisão domiciliar.
As solicitações se baseiam principalmente em laudos médicos anexados ao processo, que alegam agravamento do estado de saúde do ex-presidente, além de argumentos sobre a adequação das condições carcerárias.
Os requerimentos seguem sob análise do STF, que considera, entre outros fatores, o histórico de descumprimento de medidas judiciais e os pareceres contrários da PGR.
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