Bolsonaro pode ser preso após denúncia da PGR por trama golpista? Entenda cenários

Bolsonaro pode ser preso após denúncia da PGR por trama golpista? Entenda cenários

PGR denunciou 34 pessoas, incluindo Bolsonaro e aliados militares; dois generais e um tenente-corenel cearenses estão entre os acusados

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi um dos alvos de denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) nessa terça-feira, 18, por suposta participação em trama golpista de 2022, planejada após o resultado das eleições, marcadas pela vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ex-presidente pode ser preso em dois cenários:

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  • Caso seja condenado após todo o trâmite processual, ou
  • Preventivamente, caso seja verificado risco de fuga, ameaça à ordem pública ou à destruição de provas.

Em regra, a prisão ocorre após condenação penal, quando não existe mais possibilidade de recursos. Já a prisão preventiva é uma forma de evitar possíveis interferências no andamento de processos e apurações, decretada por decisão judicial.

Em situações de prisão provisória, como a preventiva, ela é aplicada como medida extrema e deve ser requerida pela polícia ou pelo Ministério Público. Caso os réus sejam condenados, uma pena de prisão é fixada, há restrições de direito ou multa.

Medidas cautelares

Uma série de medidas cautelares também podem ser adotadas para garantir o cumprimento do processo sem intercorrências, como:

  • proibição de manter contato com outros investigados no mesmo processo;
  • comparecimento periódico à Justiça;
  • uso de tornozeleira eletrônica;
  • proibição de deixar a cidade onde reside.

Denúncia

Recebida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a acusação será avaliada pela Corte, que deverá decidir se a aceita ou não. Após denúncia da PGR, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, deve notificar a defesa do ex-presidente, com um prazo de 15 dias para resposta

Passado os 15 dias, o caso deverá ser aberto para análise do colegiado. Se tudo estiver devidamente justificado, a acusação poderá ser aceita e Bolsonaro se tornará réu. Após trâmite processual, a Corte decidirá se condena ou absolve os investigados. Nesse último caso, o processo é arquivado.

Sobre a denúncia de Bolsonaro e aliados, nota da PGR informa que as “peças acusatórias baseiam-se em manuscritos, arquivos digitais, planilhas e trocas de mensagens que revelam o esquema de ruptura da ordem democrática”.

“A organização tinha como líderes o então presidente da república e o seu candidato a vice-presidente. Aliados a outras pessoas, dentre civis e militares, eles tentaram impedir de forma coordenada, que o resultado das eleições presidenciais de 2022 fosse cumprido”, consta no texto.

Trama golpista de 2022

O plano de golpe de 2022, batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, não era, segundo aponta a denúncia da PGR, uma ação isolada planejada pelo grupo integrado por Bolsonaro e aliados, entre civis e militares, conforme relatório de mais de 800 páginas da Polícia Federal (PF).

O plano teria sido iniciado em 2021, com ataques sistemáticos contra o sistema eletrônico de votação, que ocorreram por meio de declarações públicas e na internet. Em 2022, durante o segundo turno, aparatos de órgãos de segurança teriam sido mobilizados para mapear e impedir eleitores de votar na oposição.

Essa atuação, de pessoas envolvidas na Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF), teria facilitado os atos de violência e depredação nas sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.

A organização criminosa é acusada de pressionar, à época, o Comandante do Exército e o Alto Comando, para promover ações de força que impedissem a posse de Lula. A trama previa também o assassinato do presidente, além da morte seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), e do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Ao todo, 34 pessoas foram acusadas pela PGR. Entre elas, os generais cearenses Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro da Defesa na época, e Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, então chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter).

Além dos generais, um outro cearense aparece entre os acusados: tenente coronel Rodrigo Bezerra de Oliveira, integrante dois "kids pretos".

Bolsonaro se defende

A defesa de Bolsonaro se manifestou por meio de nota nas redes sociais. “O Presidente jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do Estado Democrático de Direito ou as instituições que o pavimentam”, diz o texto.

A defesa informa que recebeu com “estarrecimento e indignação a denúncia” da PGR. Por meio dela, Bolsonaro ressalta que em quase dois anos de investigações não foi encontrado nenhum elemento que o conectasse minimamente à narrativa da acusação.

“Não há qualquer mensagem do presidente da República que embase a acusação, apesar de uma verdadeira devassa que foi feita em seus telefones pessoais", traz a nota, que questiona também a delação do general Mauro Cid. Segundo a defesa, o depoimento do militar é uma “narrativa fantasiosa”, em que as versões foram mudadas “inúmeras vezes”.

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