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Confira as 10 vezes em que a ONU convocou sessão de emergência da Assembleia Geral

O encontro desta segunda-feira, 28, faz parte da 11ª sessão da Assembleia Geral convocada desde 1950, quando o dispositivo foi criado
13:24 | Fev. 28, 2022
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

O Conselho de Segurança da ONU aprovou neste domingo, 27, a pedido de países ocidentais, uma resolução para convocar hoje, "em sessão extraordinária de emergência", a Assembleia Geral da ONU, a fim de que seus 193 membros se pronunciem sobre a invasão à Ucrânia. 

Recorrer à Assembleia Geral, o que aconteceu algumas vezes na história da ONU, permitirá que os países se posicionem sobre o conflito, entre os defensores da democracia e da soberania da Ucrânia e o apoio a Moscou.

É a primeira vez em 40 anos que o Conselho de Segurança pede uma reunião de emergência. O encontro faz parte da 11ª sessão da Assembleia Geral convocada desde 1950, quando o dispositivo foi criado. Na época, a sugestão foi dada com base no procedimento intitulado A União pela Paz.

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Guerra de Suez

A primeira ocasião foi em novembro de 1956, durante a Guerra de Suez. O conflito teve início quando Israel, que usava o canal de Suez para ter acesso ao comércio oriental, declarou guerra ao Egito, com o apoio da França e Reino Unido. Foi no Canal de Suez que ocorreu o mais importante dos incursos militares das tropas comandadas pela ONU, uma vez que, o conflito que se encontrava em andamento
era de grandes proporções, envolvendo inúmeros países, inclusive, membros permanentes
do Conselho de Segurança.

A convocação se deu devido à instabilidade na região apesar das tentativas do Conselho de Segurança. A sessão foi encerrada em 10 de novembro de 1956 com a criação de uma nova polícia da ONU para separar os lados do conflito. Ficariam conhecidos como “tropas de paz”.

O conflito se originou na ascensão do Coronel Abdel-Nasser, representante máximo do pan-arabismo, ao poder no Egito. Oriundo de uma vertente ideológica que pregava um nacionalismo extremo, no qual, não haveria espaço para qualquer dependência para com governos estrangeiros, principalmente os ocidentais.

Em decorrência de tal política, o Coronel Abdel-Nasser expulsou paulatinamente os ingleses e demais nacionais europeus do território egípcio, culminando por reivindicar junto a uma companhia anglo-francesa o total controle sobre o Canal de Suez e, posteriormente, findou por nacionalizá-lo ainda em meados de 1956.

No entanto, o Canal de Suez era uma importante rota comercial na região, de vital importância para as pretensões econômicas de grandes potências mundiais, principalmente para o Reino Unido, a França e para Israel, que dependiam desta rota para escoar suas produções.

Diante da decisão do Coronel Nasser, foi realizada pelas tropas anglo-francesas apoiada pelas forças israelenses, que ocupou a região do Sinai e praticamente a totalidade do Canal de Suez, não permitindo as forças egípcias, a possibilidade de qualquer reação militar.

Em decorrência de tal ação militar, a União Soviética se posicionou abertamente contra as agressões sofridas pelo Egito e ameaça intervir militarmente no conflito. Assim, na iminência de que o conflito ganhasse grandes proporções, a AGNU agiu, aprovando uma resolução condenando a ação militar anglo-francesa.

Revolução Húngara

O encontro foi convocado devido à Revolução Húngara de 1956. Na ocasião, houve revolta popular contra as políticas impostas pelo governo da Hungria e da União Soviética.  Foi a primeira grande ameaça ao controle soviético desde que as forças da URSS expulsaram os nazistas no final da II Guerra Mundial e ocupou a Europa Oriental. Na época, a ONU declarou que os acontecimentos no território húngaro expressavam o desejo do povo de exercer seus direitos fundamentais, e condenou a tentativa das tropas soviéticas de conter as manifestações.

Crise no Líbano

O conflito começou em 1958 em meio a protestos muçulmanos contrários ao presidente Camille Chamoun, pró-ocidente e Estados Unidos. O líder decidiu não romper relações diplomáticas com as potências ocidentais que atacaram o Egito durante a Crise de Suez, irritando o presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser. A situação se agravou pois Chamoun mostrou proximidade com o Pacto de Bagdá. Nasser considerava o Pacto de Bagdá pró-ocidental, o que representava uma ameaça ao nacionalismo árabe.

Como resposta, o Egito e a Síria uniram-se na República Árabe Unida (RAU). O primeiro-ministro libanês sunita Rashid Karami apoiou Nasser em 1956 e 1958. Karami formou um governo de reconciliação nacional após a crise de 1958 terminar.

Houve intervenção norte-americana, com tropas que desembarcaram no país. A solução da ONU foi concretizada após a saída dos soldados norte-americanos. Formou-se, então, um governo composto de líderes dos vários grupos religiosos do país.

A questão do Congo

Guerras civis emergiram no Congo logo após a independência do país, em 1960, antes governado pela Bélgica. Em tentativa de interferência, a Organização das Nações Unidas chegou enviar ao país uma missão de paz. No entanto, não obteve êxito.

Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1967, foi o terceiro conflito entre israelenses e árabes desde 1948, um evento decisivo para que Israel expandisse suas fronteiras. A Liga Árabe determinou que um de seus principais objetivos era a destruição do Estado de Israel, e tropas da Liga realizaram ações militares em suas fronteiras.

Chamada de “guerra-relâmpago”, a Guerra dos Seis Dias foi vencida por Israel, que abrangeu suas fronteiras para as Colinas de Golã, Jerusalém Oriental, Península do Sinai e Cisjordânia. Os israelenses desmilitarizaram as regiões ocupadas após a guerra depois que os árabes permitiram sua livre movimentação e acesso às águas do Suez e do Rio Jordão.

Forças de Paz da ONU faziam a separação entre os israelenses e egípcios na fronteira, mas foram obrigadas a se retirarem durante o conflito, vencido por Israel.

Primeira Guerra do Afeganistão

A sessão emergencial abordou um conflito civil no Afeganistão marcado pelo envolvimento militar direto da União Soviética, ainda no contexto da Guerra Fria. O grupo da ONU convocou a sessão para entre os dias 10 e 14 de janeiro de 1980, e passou uma resolução protestando e questionando a invasão soviética.

Conflito Israel-Palestina

A sessão emergencial para encerrar o conflito entre os envolve a criação do Estado de Israel e aconteceu mais de uma vez, entre os anos de 1980 e 1982. Em 29 de novembro de 1947, a Organização das Nações Unidas aprovou a divisão da Palestina em dois estados: um judeu e outro árabe. Líderes judeus aceitaram a resolução, mas os países árabes discordaram. A questão ainda segue sem acordo.

África do Sul e Namibia

A Assembleia foi realizada nos dias 13 e 14 de setembro de 1981. A guerra de Independência da Namíbia foi um conflito que ocorreu entre 1966 e 1989 no Sudoeste Africano e ficou marcada como uma das guerras mais longas do continente. O longo processo de descolonização da Namíbia prolongou-se até o ano de 1990, resultando na vitória do Partido do Povo do Sudoeste Africano, a SWAPO, na primeira eleição democrática realizada no país. O líder teve nome revogado em 1966, pela Assembleia Geral da ONU. Porém, a resolução não foi cumprida pelo país. Em 1990, a Namíbia se tornou independente.

Terras árabes

A reunião solicitada pelo Conselho de Segurança se deu do dia 29 de janeiro até 5 de fevereiro de 1982. O objetivo era debater a situação nos territórios árabes. A crise envolvia as Colinas de Golã, no sudoeste da Síria, que foram ocupadas por Israel durante a guerra dos seis dias. Após os encontros, as resoluções da ONU determinaram que a soberania israelense sobre a área fosse tornada sem efeito legal.

Har Homa

A décima de sessão especial foi convocada pela primeira vez em 1997 para tratar de territórios palestinos. O objetivo era discutir a decisão do Estado de Israel de construir Har Homa, um projeto com 6.500 moradias, no leste de Jerusalém.

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