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Em situação inédita, Interpol segura inclusão de bolsonaristas na lista de procurados da organização

A Organização Internacional de Polícia Criminal não incluiu o nome do caminhoneiro Marcos Gomes e ainda avalia a inclusão do blogueiro Allan dos Santos em sua lista de difusão vermelha
12:45 | Nov. 25, 2021
Autor Alice Araújo
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Tipo Notícia

A Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal), em Lyon (França), está segurando a inclusão de bolsonaristas em sua lista de procurados. A organização até agora não atendeu pedidos de autoridades brasileiras para colocar nomes de investigados pelo Supremo Tribunal Federal em seu radar. De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, a situação é inédita.

A Organização não acatou o pedido para colocar o caminhoneiro Marcos Gomes, conhecido como Zé Trovão, na difusão vermelha e ainda não incluiu o blogueiro Allan dos Santos, ambos investigados pelo STF, em inquéritos nos quais o relator é o ministro da Corte, Alexandre de Morais.

No caso de Zé Trovão, Morais pediu a prisão do caminhoneiro por estar envolvido na organização dos atos antidemocráticos de 7 de setembro. Mesmo foragido no México, a Interpol não o incluiu na lista de difusão vermelha, e Zé Trovão acabou retornando ao Brasil, onde se entregou à polícia.

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Já Allan dos Santos teve prisão e extradição decretadas por Morais em outubro, pelo inquérito que apura uma suposta milícia digital que age para enfraquecer as instituições democráticas. O blogueiro estava nos Estados Unidos, e além das autoridades brasileiras acionarem o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Internacional (DRCI) para pedir sua extradição, um pedido para inclusão de Santos na lista da Interpol também foi enviado. Três semanas após a decisão de Morais ter sido feita, a entidade ainda não incluiu Allan dos Santos.

A reportagem ouviu especialistas que explicaram que geralmente a inclusão é realizada de maneira ágil, portanto, essa demora da Interpol em analisar o pedido, é uma situação inédita – as fontes ouvidas pelo jornal relataram nunca ter visto algo semelhante. Em tese, após receber os pedidos embasados nas decisões do STF, o procedimento padrão da Organização deveria ser incluir os nomes de maneira automática, para assim acionar os 200 países integrantes e efetuar a prisão ordenada.

Conforme normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a difusão vermelha deve ser alertada em casos de "ordem de prisão por decisão judicial criminal definitiva, de sentença de pronúncia ou de qualquer caso de prisão preventiva em processo crime". O Brasil é representado na Interpol pela Polícia Federal, e é por meio da corporação que os pedidos com base em decisões judiciais chegam à entidade internacional. No entanto, até o momento não houve resposta definitiva e informações dos bastidores apontam que os documentos ainda estão sendo avaliados.

Ainda conforme especialistas no assunto, a não inclusão pode ocorrer em situações onde a Interpol verifica que a autoridade solicitante não é competente, ou em casos nos quais o país que faz a solicitação está passando por convulsão social ou em situações excepcionais. Segundo relatos de investigadores ouvidos pela reportagem, a Organização tem feito uma análise jurídica dos casos dos pedidos de inclusão de nomes de bolsonaristas para evitar ações contra supostos perseguidos políticos.

 

 

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