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Em Fortaleza, ministro da Educação nega interferência no Enem e ataca servidores do Inep

O ministro atribuiu os pedidos de exoneração a um problema com gratificações de um de "grupo pequeno" de servidores "altamente politizado"
15:43 | Nov. 20, 2021
Autor Filipe Pereira
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Filipe Pereira Repórter de Política
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Tipo Notícia

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, participou de culto na manhã deste sábado, 20, na Igreja Apostólica Novidade de Vida, no bairro Sapiranga, em Fortaleza, e negou interferência do governo federal nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 

Há 10 dias, o ele enfrenta uma série de problemas desde que funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela realização do Enem, pediram exoneração em massa, diante de denúncias de influência política na prova. ⁠

O ministro, no entanto, atribuiu os pedidos de exoneração a um problema com o recebimento da chamada Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso (GECC) pelos servidores que elaboram as provas do Enem. Segundo Ribeiro, um "grupo pequeno" e "altamente politizado" da instituição ficaram incomodados com "uma questão de governança".

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De acordo com o ministro, esses servidores recebem salário, gratificação por Direção e Assessoramento Superior (DAS) e a GECC. Ribeiro defendeu que existem alguns servidores cuja função e descrição dos cargos que exercem já contempla a montagem da prova. Segundo ele, em média, esses servidores ganham R$ 36 mil anuais de GECC, mas alguns chegaram a receber R$ 70 mil ao ano.

"Esses funcionários que ganham 70 mil reais a mais só de gratificação, fora o DAS, fora o salário. Eles que venham falar a mim que eu estou errado. Nós temos que respeitar os tributos, os impostos, o Brasil não aguentava mais tanta corrupção e tanta coisa errada. Quem merece vai receber, mas quem não merece vai deixar de receber. Sendo assim eu estou muito tranquilo", criticou o ministro. 

Segundo informação do jornal Folha de S.Paulo, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), teria pedido a Milton Ribeiro que o Enem abordasse o golpe militar de 1964 como revolução. Desde o início do governo Bolsonaro, há pressão para que sejam evitados, no exame, temas como Ditadura, questões de gênero e racismo. Procurado no evento para comentar o assunto, o ministro não quis responder. 

Em Fortaleza, Milton negou alguma possível interferência. "As regras são claras, existe uma sala sigilosa e eu não tenho acesso. Poderia ter, pois eu posso até contratar um camarada que escolhe a pergunta, mas eu não posso ter acesso a pergunta, é um absurdo. Mas, esse é o motivo? Eu me retiro. Eu não sei hoje quais são as perguntas. Se me perguntar hoje 'qual o tema da redação que amanhã vamos ter no Enem?', não sei e não quero saber. Eu quero deixá-los livres", disse.

O ministro disse ainda não entender a polêmica e afirmou que o exame não deve ter "nenhuma interferência ideológica nem de direita nem de esquerda". "Então, quero confirmar para você que tem filho e parente, as provas foram impressas há três meses atrás. Porque todo esse barulho?", disse. 

Desde sua eleição, em 2018, o presidente da República vem tentado aplicar estratégias para regular e controlar o conteúdo das questões do exame, entre elas o uso de comissão externas e impressão antecipada das provas. Na segunda-feira, 15, Bolsonaro afirmou que as questões do Enem começavam a ter a “cara do governo”. Dois dias depois, ele também negou ter visto detalhes das provas. Servidores relacionados ao Enem declararam temer possíveis perseguições e punições caso o exame não cumpra as expectativas do chefe do Executivo. 

Durante a celebração na capital cearense, apesar das polêmicas, o ministro da Educação, participou de um culto com pastores, parlamentares conservadores do Ceará e o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cândido Albuquerque. Após seu pronunciamento, o ele recebeu uma "benção" especial dos lideres religiosos presentes no local.

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