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Política
NOTÍCIA

Com popularidade em queda, Bolsonaro tenta surfar nos protestos em Cuba

Desde 2018, quando ainda era o candidato do PSL à Presidência da República, Bolsonaro, fazia discursos contra o socialismo e o comunismo

Filipe Pereira
17:25 | 12/07/2021
Com popularidade em queda, Bolsonaro faz uso de protestos em Cuba para eleitorado nas redes sociais (Foto: Alan Santos)
Com popularidade em queda, Bolsonaro faz uso de protestos em Cuba para eleitorado nas redes sociais (Foto: Alan Santos)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitou a recente onda de protestos contra o regime de Cuba para reforçar discursos anticomunistas e fazer críticas a partidos e políticos de esquerda, retórica comum entre seus apoiadores. Com a maior queda de popularidade desde o início do seu governo, não demorou para o mandatário retomar a mesma estratégia contra o socialismo e o comunismo, bastante adotada nas eleições de 2018, quando ainda era candidato à Presidência da República. 

Na manhã desta segunda-feira, 12, o mandatário chegou a interromper sua na saída do Palácio da Alvorada para conversar sobre a crise do governo de Cuba. Na ocasião, o presidente do Brasil afirmou que os cubanos protestaram para pedir liberdade e receberam como resposta "borrachada, pancada e prisão". 

Nas redes sociais, Bolsonaro também dedicou espaço para falar sobre o assunto. Em publicação, ele prestou solidariedade ao povo cubano, que, segundo ele, pede "o fim de uma ditadura cruel". "Por décadas massacra a sua liberdade enquanto vende pro mundo a ilusão do paraíso socialista. Que a democracia floresça em Cuba e traga dias melhores ao seu povo", disse. 

O presidente do Brasil também afirmou que os cubanos protestaram para pedir liberdade e receberam como resposta "borrachada, pancada e prisão". Alvo de inquérito da Polícia Federal que investiga suspeita de prevaricação na negociação para a compra da vacina indiana Covaxin, o gestor tem evitado falar sobre o assunto. Porém, manteve-se bastante ativo nos comentários sobre os atos contra o governo de Miguel Díaz-Canel. 

"É o Brasil verde e amarelo e eles (petistas) que representam Cuba, que representam o governo da Venezuela com a sua bandeira vermelha com a foice e o martelo em cima dela", disse o presidente em vídeo, ao lado do filho Flavio Bolsonaro, no ano que em que se elegeu. 

Alinhados com o presidente, bolsonaristas também "surfaram" na mesma onda das manifestações.  “Cuba, o país mais querido pelos socialistas brasileiros dá ordem para civis reprimirem manifestações que clamam por liberdade”, escreveu o filho 03 do presidente e deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). De acordo com o parlamentar, Cuba é “o paraíso'', segundo os “socialistas de iPhone brasileiros”.

Apontado como chefe do “gabinete paralelo” de Jair Bolsonaro, Arthur Weintraub também usou as redes sociais para comentar o caso. “Gritar por liberdade, no final, é gritar contra o governo dos Castro mesmo. Agora, mostrando a ditadura que é, o governo cubano cortou a internet”, disse.

A deputada Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que cubanos estão sofrendo ataques e repressão. “Talvez nunca saibamos se ou quantas pessoas desaparecerão na data de hoje em Cuba.” Já o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) reagiu às falas do presidente de Cuba. “Impressionante! Em qualquer lugar a mesma ladainha de sempre. E dane-se a liberdade do povo! Otário é quem ainda cai nesse papinho”, disse o parlamentar.