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Política
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Guedes diz que Fies é "bolsa para todo mundo" e financiou até "quem não tinha nenhuma capacidade"

A fala aconteceu durante a reunião pública do Conselho de Saúde na última terça-feira, 27. Sem saber que estava sendo gravado, o ministro da Economia fez outras declarações polêmicas

15:29 | 30/04/2021
Durante reunião do Conselho de Saúde na última terça-feira, 27, o ministro da Economia Paulo Guedes criticou o Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Durante reunião do Conselho de Saúde na última terça-feira, 27, o ministro da Economia Paulo Guedes criticou o Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Durante reunião do Conselho de Saúde na última terça-feira, 27, o ministro da Economia Paulo Guedes criticou o Fies, programa de financiamento estudantil do governo federal. Segundo declarou, a iniciativa é “uma bolsa para todo mundo” e inseriu no ensino superior “quem não tinha nenhuma capacidade”. Guedes relatou ainda que o filho do seu porteiro ingressou na universidade pelo programa mesmo após tirar “zero em todas as provas”.

“Teve uma bolsa do governo, o Fies, uma bolsa pra todo mundo. [...] O porteiro do meu prédio virou pra mim e falou: ‘Eu tô muito preocupado’. Eu disse: ‘O que houve?’ Ele disse: ‘Meu filho passou na universidade’. Eu: ‘Ué, mas você não tá feliz por quê? Ele: ‘[Meu filho] tirou zero na prova. Tirou zero em todas as provas. Recebi um negócio financiado escrito ‘parabéns seu filho tirou…’ Aí tinha um espaço para preencher... e lá zero. Seu filho tirou zero e acaba de ingressar na nossa escola. Estamos muito felizes.”, relatou.

Diferente da afirmação do ministro, no entanto, o financiamento exige uma pontuação mínima de 450 pontos no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Além disso, não cobre alunos que tenham zerado a redação do exame. Vale destacar também que o Fies limita-se a um programa de financiamento para estudantes de baixa renda em cursos de ensino superior de instituições privadas. Logo, o Fies não oferta bolsas, ao contrário do Prouni.

O ministro criticou ainda os supostos excessos do programa que, segundo ele, foi de “um extremo a outro”. “Deram bolsa para quem não tinha a menor capacidade. Não sabia ler, escrever. Botaram todo mundo. Exageraram. Foi de um extremo ao outro", disse.

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo nesta quinta-feira, 29, Guedes tentou explicar as declarações. Ele defendeu que suas críticas seriam à flexibilidade do atual modelo do programa, responsável por transformar universidades em “caça-níqueis” ao tentar atrair o máximo de alunos.

“Eu sou um produto da oportunidade de educação. Eu sou de classe média e baixa e a vida inteira recebi bolsa de estudo baseado em performance e desempenho”, afirmou.

Guedes tornou a usar o exemplo do filho do seu porteiro para defender exageros do financiamento, mas insistiu que não é contrário ao Fies, uma vez que sua política econômica defende parcerias entre o setor público e privado.

Para ele, no entanto, o programa é responsável por uma sobrecarga no poder público pelo alto percentual de alunos matriculados em instituições privadas via incentivo governamental. “Isso é um drama hoje no mundo inteiro, você empresta dinheiro e ali na frente ele não consegue o dinheiro e não consegue pagar. Eu defendo o empréstimo, mas defendo ainda mais ainda o voucher”, declarou.

Durante participação na reunião do Conselho de Saúde, Guedes se envolveu ainda em outras polêmicas por conta de suas declarações. Na mesma ocasião, o ministro da Economia afirmou que “o chinês inventou” o novo coronavírus e, ainda assim, teria fabricado uma vacina “menos eficiente” do que os imunizantes produzidos nos Estados Unidos.

A referência de Guedes seria em relação à vacina Pfizer/BionTech, em detrimento da chinesa CoronaVac. No comentário, Guedes cometeu outro equívoco, pois o imunizante não foi produzido por norte-americanos, e sim por cientistas alemães de origem turca.

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