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Política
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Maia diz não ter encontrado embasamento legal nos pedidos de impeachment contra Bolsonaro

O presidente da Câmara dos Deputados discutiu o tema e outros assuntos durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na noite de segunda, 3

12:04 | 04/08/2020
RODRIGO Maia participou da reunião de ontem que debateu a reforma tributária (Foto: Gustavo Sales/Câmara)
RODRIGO Maia participou da reunião de ontem que debateu a reforma tributária (Foto: Gustavo Sales/Câmara)

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que não encontrou embasamento legal nos quase 50 pedidos de impeachment contra o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enviados até agora. Maia participou do programa Roda Viva, da TV Cultura, onde disse: "Destes que estão colocados, eu não vejo nenhum tipo de crime atribuído ao presidente, de forma nenhuma".

Ele também destacou que o impeachment não pode ser instrumento para solução de crises. "Tem que ter um embasamento para essa decisão e não encontro ainda nenhum embasamento legal", acrescentou. As informações são do portal UOL.

Como ainda não "engavetou" os processos, Maia foi questionado sobre isso e justificou dizendo que ocuparia tempo na agenda do Congresso, que deve focar em pautas sobre o coronavírus, em sua opinião. "Estamos no meio de um processo de pandemia e qualquer decisão agora leva um recurso ao plenário e nós vamos ficar decidindo impeachment sem motivação para isso. É por isso que eu não decido."

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O presidente da Câmara criticou a atuação de Bolsonaro na pandemia, fato que está no centro de alguns dos pedidos de impeachment. Maia disse que "o presidente errou na questão de minimizar o impacto da pandemia, a questão da perda de vidas". "Vamos chegar a 100 mil vidas perdidas. Ele minimizou, criou um falso conflito", apontou.

Ainda durante a entrevista, ele afirmou que a Lava Jato é uma "operação política" e que cabe ao procurador-Geral da República, Augusto Aras, junto à Corregedoria e ao próprio Conselho Nacional do Ministério Público tomar decisões que, segundo Maia, não foram tomadas no passado.

Segundo o presidente da Câmara, houve excessos na operação. "Acho que o Aras está indo no caminho correto, organizar o processo para que esses excessos não se repitam mais no nosso País", ponderou.

Sobre o projeto de quarentena para juízes, defendido por ele e pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, Maia garantiu que não atingiria o ex-ministro Sérgio Moro. "Seria legítimo (a candidatura de Moro). É um direito que ele tem, como qualquer um."

Maia negou que o projeto tenha como objetivo impedir eventual candidatura do ex-juiz: "Claro que (o projeto de quarentena para juízes) não é para atingir o Moro. Os deputados, senadores ou o Supremo não encaminhariam uma tese de fazer uma lei para proibir uma pessoa de disputar uma eleição. Ficaria muito ruim para a democracia brasileira."

Sobre a PL das Fakes News, Maia afirmou que colocará em votação até o final do ano e que o texto aprovado deve garantir transparência. "Não queremos votar nenhum projeto que fere a liberdade de expressão, mas não podemos continuar aceitando que novas tecnologias continuem sendo instrumento de radicais", criticou.

Rodrigo Maia ainda relatou ter sido atacado nas redes sociais após chamar o youtuber e influenciador digital Felipe Neto para participar de uma reunião que vai discutir o PL 2630/2020. "Como se a Câmara, que é a casa do povo, não pudesse ouvir uma pessoa que é seguida por 40 milhões de pessoas."

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