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Política
NOTÍCIA

Apoiadores de Bolsonaro usam contas não oficiais no Twitter após terem perfis bloqueados após decisão do STF

Estão envolvidos o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, os empresários Luciano Hang e Otávio Fakhoury, a extremista Sara Giromini e o blogueiro Allan dos Santos

Alan Magno
08:23 | 25/07/2020
Sara Winter é uma das apoiadores de Bolsonaro que passou a usar uma conta não oficial no twitter após ter seu perfil suspenso após ação do STF (Foto: Reprodução Facebook)
Sara Winter é uma das apoiadores de Bolsonaro que passou a usar uma conta não oficial no twitter após ter seu perfil suspenso após ação do STF (Foto: Reprodução Facebook)

Apoiadores do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), passaram a usar contas não oficiais depois de terem seus perfis no Twitter bloqueados após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Estão envolvidos o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, os empresários Luciano Hang e Otávio Fakhoury, a extremista Sara Winter e o blogueiro Allan dos Santos. Todos são investigados no “Inquérito das Fake News”.

Ambas as ações ocorreram nesta sexta-feira, 24. A administração da rede social pontuou que bloqueou as contas das pessoas mencionadas para cumprir exigência do ministro Alexandre de Moraes, do STF, responsável pelo inquérito onde os apoiadores de Bolsonaro são investigados.

Durante a decisão, ele justificou que a suspensão das contas foi definida para impedir que os suspeitos pudessem continuar cometendo delitos. “É necessário para a interrupção dos discursos com conteúdo de ódio, subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática”, destacou.

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Os donos dos perfis bloqueados são apontados como articuladores de disparos e compartilhamento de informações falsas e enganosas a fim de beneficiar o presidente Bolsonaro, seus ideais e base política.

Juntos, os cinco suspeitos somam cerca de 1 milhão de seguidores. Moraes pontuou que durante as investigações preliminares foram encontrados indícios de crimes de calúnia, difamação, injúria, associação criminosa e contra a Segurança Nacional e que por isso, determinou a suspensão dos perfis.

Reagindo à decisão do STF, os suspeitos criaram novos perfis para continuar suas comunicações na rede social e entrar em contato com apoiadores. Roberto Jefferson, que chegou a ser condenado no escândalo de corrupção do Mensalão, está utilizando a conta de sua filha, Cristiane Brasil ex-deputada federal filiada ao PTB-RJ.

Em uma publicação feita na tarde desta sexta-feira, Jefferson se referiu à decisão de Alexandre de Moraes como “tirania” e afirmou não ter medo das ações do ministro. “Em breve estaremos todos juntos”, completou, agradecendo aos seus apoiadores.

Allan dos Santos utilizou uma conta antiga para tecer críticas ao Fundo de Educação e ao inquérito no qual é investigado. “A ordem é calar-se diante da descarada ditadura do STF”, exclamou. Ele se refere ao Supremo como uma força “ditatorial”.

Sara Winter chegou a criar uma conta nova na mesma rede social da qual foi banida e postou mensagens de indignação com as ações do STF. Para ela a ação é “inconstitucional” e tem como objetivo “desmantelar os apoiadores do governo Bolsonaro”

Luciano Hang, dono das Lojas Havan, fez o maior pronunciamento dentre os investigados. Ele chegou a realizar uma transmissão ao vivo em seu perfil oficial do Instagram para comentar sobre o assunto.

O empresário se disse transtornado tanto pela investigação quanto pela suspensão de sua conta. Ele afirma estar tendo seu direito de expressão violado e convocou seus apoiadores para resistirem, pois, segundo Luciano, podem ser os próximos a ter os direitos "violados".