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Política
NOTÍCIA

Comissão descarta Sabino e busca novo intermediador para acordo com PMs

Segundo membros da comissão, o ex-parlamentar não possui legitimidade para participar do processo; negociações pararam por falta de representante da categoria

Filipe Pereira
18:56 | 28/02/2020
FORTALEZA, CE, BRASIL, 28-02-2020: Coletiva da Comissão dos 3 poderes (Foto: Thais Mesquita/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 28-02-2020: Coletiva da Comissão dos 3 poderes (Foto: Thais Mesquita/O POVO) (Foto: Thais Mesquita)

Na manhã desta sexta-feira, 28, a comissão formada por representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Ceará, criada para mediar a paralisação dos policiais militares (PMs) no Estado, comunicou que irá buscar um novo interlocutor para as negociações. Os dirigentes se recusaram dialogar com o ex-deputado federal Cabo Sabino, principal liderança hoje do movimento de PMs em paralisação no Ceará.

Cabo Sabino, representante da tropa amotinada (Fco Fontenele/OPOVO)
Cabo Sabino, representante da tropa amotinada (Fco Fontenele/OPOVO) (Foto: 21 09:09:07)


Sabino participa de uma ocupação promovida por policiais  amotinados no 18º Batalhão de Polícia Militar (BPM), no Antônio Bezerra. Na noite dessa quinta-feira, 27, mesmo possuindo um mandado de prisão aberto contra ele por envolvimento nos motins registrados no Estado, a categoria decidiu enviá-lo como representante dos agentes paralisados na mesa de negociações, no entanto, o governo rejeitou participação.

Segundo o procurador-geral de Justiça do Estado do Ceará (PGJ), Manuel Pinheiro, embora abertos ao diálogo, os poderes não devem conversar com ex-parlamentar por este responder a processo administrativo e não possuir legitimidade para negociar. “Nós temos impedimento de ordem legal e institucional para que ele sente a mesa com os poderes do estado, Ministério Público e o exército brasileiro” afirmou.

Na noite desta quinta, a categoria voltou a recusar proposta apresentada pelo Executivo. Para o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil do Ceará (OAB-CE), Erinaldo Dantas, a falta de interlocutores claros dos policiais tem prejudicado avanço dos acordos.

Ele ressalta que, na semana passada, a escolha do advogado Walmir Medeiros chegou a ser aprovada junto com representantes dos policiais. A decisão, contudo, já teria mudado na manhã desta sexta-feira, 28, após encontro com Walmir e Sargento Reginauro no MP, que pediram a inclusão de Sabino

“O nome do Walmir foi aclamado pela quase totalidade dos policiais, ou seja, ele saiu com legitimidade para conversar com a gente. Hoje, o Reginauro, cabo Monteiro e Walmir informaram que as propostas foram recusadas por eles e que a sequência de negociação só haveria na participação do Sabino” explicou.

FORTALEZA, CE, BRASIL, 28-02-2020: Coletiva da Comissão dos 3 poderes (Foto: Thais Mesquita/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 28-02-2020: Coletiva da Comissão dos 3 poderes (Foto: Thais Mesquita/O POVO) (Foto: Thais Mesquita)

A partir de agora, Segundo Erinaldo, a OAB-CE vai auxiliar a presidente da defensora pública geral, Elizabeth Chagas, a procurar novos interlocutores no movimento. “ É um momento para que a gente possa sensibilizá-los que agora não é da gente se estressar ainda mais, de fazer disputa ou demonstração de força, mas encontrar uma saída consensual para essa crise que a gente vive” declarou.

O procurador-geral do Estado do Ceará, Juvêncio Vasconcelos, afirmou que “a população está refém” e que as infrações durante as mobilizações precisam de uma “apuração justa”. “Dentro de um campo da legalidade, me parece prudente no momento a apuração justa, com transparência. No momento o estado democrático que direito e a sociedade não admite isso” completou.