Barco com Greta Thunberg e mais ativistas: quem são e o que aconteceu? Últimas notícias
Ativista sueca estava em missão humanitária com outros 10 tripulantes. Grupo foi detido após navio ser cercado por forças israelenses no Mediterrâneo; entenda
O barco Madleen, que partiu da Itália com destino à Faixa de Gaza, foi interceptado pela marinha israelense por volta das 22 horas deste domingo, 8 (horário de Brasília), conforme informou a Freedom Flotilla Coalition (FFC).
A embarcação fazia parte da missão Break the Siege (“Romper o Cerco”, em tradução livre), que pretendia levar ajuda humanitária simbólica ao território palestino e denunciar o bloqueio imposto por Israel desde 2007.
É + que streaming. É arte, cultura e história.
Entre os 11 passageiros estavam a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, o ator irlandês Liam Cunningham (conhecido por seu papel em Game of Thrones), a eurodeputada francesa Rima Hassan e o brasileiro Thiago Ávila.
Israel e Palestina: ENTENDA como começou este conflito histórico
Barco detido por Israel: Greta Thunberg e mais ativistas
De acordo com a FFC, o navio foi cercado por embarcações militares israelenses em águas internacionais. A organização afirma que drones lançaram uma substância branca sobre o convés antes da interceptação.
Segundo a ativista Yasmin Acar, que estava a bordo, o grupo passou a sentir ardência nos olhos e dificuldade de respiração. “Eles estão nos sufocando com algo”, afirmou Acar durante uma transmissão ao vivo, que foi interrompida logo após o relato.
A relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, acompanhava a missão e confirmou que manteve contato com os tripulantes até o momento da abordagem, segundo a BBC.
Em rede social, Albanese relatou: “A bordo estavam 11 pessoas civis desarmadas. Houve drones, embarcações navais e comandos a bordo. Os contatos foram cortados”.
Israel diz que ação foi necessária
O jornal israelense Haaretz publicou que o Exército de Israel afirmou que a embarcação violava uma “zona marítima fechada na costa de Gaza”. O Ministério das Relações Exteriores do país disse que todos os passageiros estão em segurança e serão repatriados.
Ainda segundo o governo israelense, a carga do barco era “menor do que a de um caminhão de ajuda humanitária” e a missão tinha como objetivo promover uma “provocação midiática” com “celebridades a bordo”.
A embarcação foi levada para o porto de Ashdod, em Israel. Não houve relatos de feridos.
Habitantes do norte de Gaza devem acelerar retirada, alerta Exército de Israel; SAIBA MAIS
Vídeo de brasileiro após detenção em Israel
Em vídeo gravado antes da interceptação e divulgado após a confirmação da detenção, o ativista brasileiro Thiago Ávila declarou: “Se você está assistindo a este vídeo, é porque eu fui preso ou sequestrado por forças israelenses no Mediterrâneo”.
A gravação foi publicada pela Freedom Flotilla e reproduzida por diversos veículos de imprensa. Veja o vídeo abaixo:
A coalizão afirmou que a carga levada no Madleen incluía alimentos como arroz, farinha e leite em pó para bebês — itens cuja entrada em Gaza tem sido bloqueada por Israel, segundo agências da ONU.
Diplomata de Israel é esfaqueado na China com suspeita de atentado; VEJA
A bordo, havia ativistas de países como Alemanha, Suécia, França, Turquia, Holanda e Espanha, conforme noticiou o jornal britânico The Guardian.
Histórico de missões e bloqueio a Gaza
A Freedom Flotilla Coalition realiza missões humanitárias desde 2010. Naquele ano, o ataque israelense ao navio Mavi Marmara, que integrava uma flotilha com destino a Gaza, deixou nove mortos e gerou forte repercussão internacional.
Segundo o governo de Israel, o bloqueio à Faixa de Gaza visa impedir o contrabando de armas para o Hamas, grupo considerado terrorista por Estados Unidos e União Europeia.
Já organizações de direitos humanos e agências da ONU denunciam que o bloqueio representa uma forma de punição coletiva à população civil e impede a entrada de suprimentos básicos, como remédios, alimentos e combustível.
Milhares cruzam Gaza após ultimato de Israel, que inicia ataques por terra; CONFIRA
Greta Thunberg e o ativismo pela Palestina
Greta Thunberg, de 22 anos, ficou conhecida por liderar protestos globais contra a crise climática. Nos últimos anos, tem se manifestado também em defesa dos direitos dos palestinos.
Em suas redes sociais, já criticou duramente a ofensiva israelense em Gaza iniciada após os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram 1.200 mortos em Israel.
Desde então, mais de 54 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza, segundo o Ministério da Saúde do enclave, controlado pelo Hamas — números que a ONU considera plausíveis.
O Madleen era o segundo barco da atual missão humanitária. O primeiro, o Akdeniz, foi impedido de zarpar do porto de Iskenderun, na Turquia, na semana passada.
Segundo a FFC, “o objetivo do barco não era apenas entregar alimentos, mas denunciar um bloqueio ilegal que contribui para o colapso da vida em Gaza”.