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Ditadura de Belarus é acusada de induzir centenas de migrantes à fronteira com a União Europeia

Tensões aumentam na fronteira de Belarus com a União Europeia, e governo nacionalista polonês reforça policiamento na região
00:02 | Nov. 09, 2021
Autor DW
Tipo Notícia

A Polônia reforçou a segurança em sua fronteira com Belarus na segunda-feira, 8, após um grande número de migrantes se acumular na região, na esperança de cruzar para o território polonês. A fronteira polonesa com Belarus também separa a União Europeia (UE) do país governado pelo chamado "último ditador da Europa", o presidente belarusso Alexander Lukashenko.

O episódio ocorre em um momento em que aumentam as tensões diplomáticas entre as duas nações. O governo polonês acusa Belarus de atrair migrantes de países do Oriente Médio e da Ásia Central, com o objetivo de incitá-los a entrar na UE através da fronteira entre os dois países.

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Imagens de vídeo da imprensa belarussa mostraram pessoas recolhendo árvores para, supostamente, usá-las para atravessar a cerca. Migrantes tentaram forçar a passagem por uma cerca de arames farpados e atiraram objetos contra a polícia polonesa.

O ministério polonês do Interior disse ter reprimido uma tentativa de invasão na fronteira, e assegura que a situação está sob controle. A ausência de uma imprensa livre e independente em Belarus torna difícil avaliar o que de fato ocorre do lado belarusso da fronteira.

Ao mesmo tempo, do lado polonês, o atual estado de emergência no país impede o acesso de jornalistas e entidades ao local. A conta do Ministério da Defesa polonês no Twitter publicou nesta terça-feira, 9, uma série de imagens mostrando os migrantes na fronteira.

 

Entretanto, o acúmulo de pessoas na fronteira aparenta ser um sinal do agravamento de uma crise que se desenrola há meses, enquanto o governo de Belarus é acusado de incentivar refugiados a migrarem ilegalmente para a UE. 

Essa prática foi adotada, primeiramente, através da Lituânia e Letônia e, mais recentemente, passou a ocorrer majoritariamente através da Polônia. Um porta-voz da Guarda de Fronteira belarussa disse em nota que os migrantes tentam apenas "exercer seus direitos de entrarem com o pedido do status de refugiados na UE", e insistiu que eles não são uma "ameaça de segurança" e que não se comportam de maneira agressiva.

Ele justificou o acúmulo de pessoas na fronteira afirmando que os migrantes queriam simplesmente evitar uma "expulsão forçada" por parte da polícia polonesa. Contudo, não somente a Polônia mas também outros países europeus viram nesse episódio uma ameaça por parte de Minsk. Esse sentimento também é compartilhado pela Alemanha, país que é o principal destino dos migrantes.

Steffen Seibert, porta-voz da chanceler federal alemã, Angela Merkel, disse a repórteres nesta segunda-feira que "o regime belarusso age como um traficante de pessoas". "Eles instrumentalizam os refugiados e migrantes de uma maneira condenável, do ponto de vista político e humanitário. A Europa reagirá unida a esse ataque contínuo e orquestrado."

Polônia aceita ajuda da UE

Autoridades da UE confirmaram que a Polônia – um dos 27 Estados-membros do bloco – finalmente aceitou a ajuda da patrulha europeia de fronteiras, a Frontex, algo que o governo nacionalista polonês vinha recusando.

Um porta-voz da Comissão Europeia disse que os últimos incidentes na fronteira são mais uma "desesperada tentativa do regime de Lukashenko" de manipular pessoas para desestabilizar a União Europeia e seus valores

O ministro polonês da Defesa, Mariusz Blaszczak, afirmou em mensagem no Twitter que mais de 12 mil soldados foram enviados à fronteira, além dos 10 mil que já estavam ali, e uma "força voluntária" chamada Defesa Territorial foi colocada em alerta.

Ministros de Estado e autoridades de segurança realizaram uma reunião de emergência juntamente com o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki. O premiê escreveu no Twitter que "a fronteira não é apenas uma linha no mapa, [...] é algo sagrado pelo qual foi derramado o sangue de gerações de poloneses".

Autoridades de fronteira disseram que aguardam tentativas de entrada ilegal no pais por grupos de centenas de migrantes. "Esperamos para as próximas horas que os ataques à nossa fronteira serão reforçados por várias centenas de pessoas", afirmou o diretor do Escritório de Segurança Nacional do país, Pawel Soloch.

O porta-voz do governo em Varsóvia disse que entre 3 e 4 mil migrantes estão atualmente na fronteira, sendo que outros 10 mil se encontram em outras partes de Belarus em direção à área fronteiriça.

Afeganistão, Belarus e a crise migratória

Logo após o retorno do talibã ao poder no Afeganistão, a série Depois da Fronteira, do jornal O POVO, explicou como a situação no país centro-asiático poderia gerar um novo fluxo migratório rumo à União Europeia - e de que modo a ditadura de Belarus poderia se aproveitar politicamente dos migrantes. Assista:

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