Tartaruga é encontrada morta na Praia do Futuro, em Fortaleza

Em caso de avistamento de animais encalhados nas praias, recomenda-se o acionamento imediato das equipes de resgate e o isolamento da área

15:33 | Fev. 16, 2026

Por: Gabriele Félix
Uma tartaruga-verde foi encontrada morta na Praia do Futuro, em Fortaleza, na manhã desta segunda-feira, 16 (foto: Daniel Galber / Especial para O POVO)

Uma tartaruga foi encontrada morta na Praia do Futuro, em Fortaleza, na manhã desta segunda-feira, 16 de fevereiro.

O animal foi avistado em uma área de grande movimentação e atraiu a atenção de crianças e banhistas que passavam pelo local. 

De acordo com testemunhas, o réptil, identificado como uma fêmea adulta de tartaruga-verde (Chelonia mydas), permanecia há várias horas na área e cercado de pessoas.

De acordo com Alice Frota Feitosa, bióloga, doutoranda em Ciências Marinhas Tropicais pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente do projeto Tartarugas do Futuro, essa é a espécie com o maior número de encalhes registrados no Estado.

“Quando adulta, ela come muita alga, e os bancos de alga sempre precisam estar em locais mais próximos à costa, devido à iluminação, porque o mar é mais raso. Então, elas chegam muito perto da costa, morrem por algum motivo, e acabam encalhando. Por isso que as outras espécies a gente não vê muito”, explica.

A bióloga alertou sobre as dificuldades do projeto, formado por voluntários, de realizar o resgate em épocas de feriados já que, em dias da semana, a empresa contratada pela Prefeitura de Fortaleza para realizar a remoção de lixo na Praia do Futuro acaba sendo a responsável por demandas desse tipo.

Tartarugas do Futuro só faz o recolhimento do animal quando a gente consegue algum transporte para fazer a necrópsia, que não é o caso dessa tartaruga. Ela já está morta há um tempo, então mesmo que a gente fizesse a necropsia, a gente não ia conseguir inferir muita coisa”, detalha.

A bióloga destaca que parte dessas coletas feitas vão para pesquisa. "A gente tem, por exemplo, uma exposição itinerante, e todos os objetos da exposição a gente pegou aqui nas praias de Fortaleza: crânio, nadadeira, casco”, acrescentando que é necessária uma licença ambiental específica para realizar esse tipo de atividade.

Alice Frota destaca ainda que as tartarugas estão em época de desova, iniciado no começo do mês de dezembro.

A recomendação é que os frequentadores da Sabiaguaba, da Barra do Ceará e especialmente da Praia do Futuro que, em caso de rastros ou avistamentos de ninhos, contatar as equipes de resgatistas do projeto, que realizam o monitoramento semanal desses espaços.

“Já teve a primeira eclosão. Agora, em março, vai ter um boom maior de eclosões, entre março e abril, e termina em julho”, ressalta

A morte, a perseguição, a coleta de ovos e a captura de tartarugas marinhas são crimes previstos pela Lei nº 9.605 de 12 de fevereiro de 1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais.

O que fazer ao avistar uma tartaruga encalhada na praia?

Em caso de avistamentos de tartarugas, a presidente do projeto recomenda que a equipe do Tartarugas do Futuro seja contatada imediatamente e que sejam seguidas as orientações dos resgatistas.

Para facilitar a identificação, recomenda-se a medição do comprimento e da largura da carapaça do animal, utilizando um objeto de tamanho conhecido, como uma sandália ou caneta, para servir de escala comparativa.

O animal deve ser fotografado a uma distância segura, preferencialmente a cabeça, a cauda e a vista de cima da carapaça da tartaruga.

Para informar a localização do animal, pode-se utilizar aplicativos de geolocalização ou pontos de referência, como o nome de uma barraca.

Em caso de animais vivos, o ideal é isolar a área de avistamento. A tartaruga deve ser mantida na areia, com o ventre virado para baixo, sendo oferecida sombra para ela. Para evitar desidratação do animal, pode-se utilizar panos úmidos para cobrir a carapaça.

Em hipótese alguma é recomendado que o animal seja colocado de volta no mar. Caso ele esteja apto, o retorno será feito sozinho.

Ao avistar ninhos ou eclosões, o recomendado é também isolar a área, permitindo a caminhada dos filhotes. Para nascimentos no período noturno, os animais podem ser coletados em bacias e liberados próximos ao mar.

Para mais informações sobre resgate de tartarugas marinhas:

Projeto Tartarugas do Futuro
Telefone para contato: (85) 99690-1269
Instagram: @tartarugasdofuturo

Bombeiros
Telefone para contato: (85) 3101-1078

Secretaria de Proteção Animal
Telefone para contato (85) 3101-1013