Fortaleza fica quatro dias sem assassinatos, feito inédito desde 2009

Nenhum homicídio foi registrado na Capital na semana passada, de quarta-feira, 4, a sábado, 7. Homicídio no bairro José de Alencar pôs fim à sequência

18:11 | Fev. 10, 2026

Por: Lucas Barbosa
Policiamento foi acionado após os três homicídios (foto: Mirla Nobre )

Na semana passada, da quarta-feira, 4, ao sábado, 7, Fortaleza não registrou nenhum homicídio, conforme dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) divulgados nessa segunda-feira, 9. É a maior sequência sem assassinatos na Capital desde 2009, primeiro ano da base estatística disponibilizada pela SSPDS.

A série foi encerrada durante a madrugada de domingo, 8, com o assassinato de Benedito Saboia de Brito Filho, de 34 anos, morto a tiros na comunidade do São Miguel, localizada no bairro José de Alencar.

Antes da morte de Benedito, na terça-feira, 3, Luciana Cordeiro do Nascimento, de 27 anos, havia sido morta no Centro, em um feminicídio pelo qual Bruno Ribeiro da Silva, de 30 anos, foi preso.

Os dados da SSPDS mostram que Fortaleza já havia tido cinco sequências de três dias sem homicídios, mas nenhuma de quatro dias. As marcas de três dias sem assassinatos foram atingidas em 2010 (de 31 de maio a 2 de junho), 2011 (de 10 a 12 de abril), 2019 (de 11 a 13 de março e de 13 a 15 de junho) e 2025 (de 15 a 17 de outubro).

Em nota, a SSPDS destacou que, no mês passado, Fortaleza registrou redução de 36,4% no número de homicídios na comparação com janeiro de 2025. Foram 42 assassinatos em janeiro deste ano, enquanto janeiro do ano passado havia registrado 66 crimes.

“Os percentuais indicam que janeiro de 2026 apresentou a maior redução da série histórica de CVLIs, considerando exclusivamente os meses de janeiro”, afirmou a pasta.

A SSPDS também mencionou ações implementadas na área que, conforme a pasta, proporcionaram esses resultados. Entre as medidas citadas está o Programa de Cumprimento de Mandados de Prisão (Procumpri), que, entre janeiro e dezembro de 2025, capturou 1.935 pessoas que tinham mandado de prisão em aberto.

O foco no Procumpri, de acordo com a SSPDS, é a redução dos índices de criminalidade, especialmente dos Crimes Violentos Letais e Intencionais (CVLIs, que englobam homicídios dolosos, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte), além do enfrentamento aos grupos criminosos e à violência contra mulheres e outros grupos vulneráveis.

A SSPDS ainda destacou a criação de um Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para a Região Metropolitana de Fortaleza, com delegacias direcionadas para a investigação de assassinatos em Caucaia (onde está sediada a unidade), Maranguape, Maracanaú e Pacatuba.

“A SSPDS destaca ainda os investimentos contínuos realizados pelo Governo do Ceará na área da Segurança Pública. Entre 2023 e 2025, mais de 3 mil profissionais foram nomeados, reforçando as ações desenvolvidas também nos municípios do interior. Além disso, há concursos públicos em andamento com 2.124 vagas, sendo 1.024 destinadas à PMCE e 600 à PCCE”.

Facção foi extinta em Fortaleza em dezembro

Paralelamente aos investimentos, Fortaleza registrou um avanço da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na Capital entre setembro e dezembro de 2025. O movimento fez com que, primeiramente, a facção Guardiões do Estado (GDE) se transformasse no Terceiro Comando Puro (TCP).

Esta facção, por sua vez, deixou de atuar na Capital em dezembro após criminosos de áreas como a comunidade da Colônia, na Barra do Ceará, e do entorno do Parque Presidente Vargas deixarem o TCP para passar a compor o CV.

Com isso, entre as comunidades que registram a atuação de facções criminosas, o CV só não está presente naquelas onde age a Massa Carcerária, a exemplo de localidades da Grande Messejana, do Passaré e das Cajazeiras.

Em entrevista excluisa a O POVO, o secretário Roberto Sá comentou sobre a possibilidade da recente redução de homicídios registrada em Fortaleza, Maracanaú e Maranguape ter relação com o fim da rivalidade entre CV e TCP.

O titular da SSPDS reconheceu que as disputas entre facções interferem diretamente nas ocorrências de mortes, mas creditou a diminuição dos indicadores ao trabalho das Forças de Segurança do Estado.

"Eu atribuo muito mais o resultado a ação de servidores públicos, ao direcionamento do governo, homens e mulheres que efetuaram mais de 5 mil prisões só de assassinos e membros de organizações criminosas, do que à dinâmica do crime", afirmou Sá.

"No entanto, a gente não desconsidera que quando o conflito é reduzido há uma tendência de redução da letalidade".