Acusados de executar policial civil em Fortaleza são denunciados pelo MPCE

Segundo a denúncia, execução foi planejada após desavença por aluguel de imóvel, no entanto não é possível confirmar a ligação entre o crime e o conflito

19:48 | Jan. 22, 2026

Por: Jéssika Sisnando
Movimentação após o crime contra o policial civil Lopes (foto: leitor via WhatsApp )

O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) denunciou quatro homens acusados de executar a tiros o policial civil aposentado João Lopes Cavalcante, de 70 anos. O crime ocorreu na noite do dia 10 de outubro de 2025, em frente a uma sucata na avenida Américo Barreira, no bairro Demócrito Rocha, em Fortaleza.

Os denunciados são Antônio Celielton de Oliveira Linhares, apontado como o autor dos disparos, Francisco Joel Moura de Alencar, que dirigiu o carro usado no crime, Samuel Teixeira Damasceno, que forneceu a arma e deu apoio logístico, e Samuel Sampaio Maciel, responsável por dar fuga ao atirador em uma motocicleta. Todos estão presos. 

Segundo a denúncia obtida pelo O POVO, o grupo agiu de forma premeditada. Francisco Joel conduziu um veículo Fox branco até as proximidades da sucata "O Lopes", levando Antônio Celielton e Samuel Damasceno.

Celielton desceu do carro, abordou o policial a pé e anunciou a execução dizendo: "Sei que tu és Polícia, não reage". Em seguida, disparou contra o idoso, atingindo-o no tórax, coxa e mão. Após o crime, ele fugiu na garupa de uma moto pilotada por Samuel Maciel.

A investigação aponta que o homicídio pode ter sido motivado pela condição de policial da vítima e agravado por disputas envolvendo o aluguel de um imóvel pertencente a João Lopes.

Antes do crime, inquilinos irregulares teriam procurado a Controladoria Geral de Disciplina (CGD) para denunciar supostos "excessos" do aposentado na cobrança.

A quebra de sigilo telefônico revelou áudios trocados entre os acusados minutos após a execução, combinando a devolução da arma do crime. No local, a perícia recolheu estojos de munição calibre .380.

O MPCE pede a condenação do quarteto por homicídio qualificado, o motivo torpe, emboscada e uso de arma restrita, além do pagamento de indenização à família da vítima.

Um dia antes de ser executado o policial foi ameaçado de morte

O policial civil aposentado João Lopes Cavalcante, de 70 anos, teve uma das casas de sua propriedade tomada por integrantes de facções criminosas, que alugaram a residência para uma terceira pessoa. O POVO apurou que um dia antes de ser morto, o policial tentou reaver o imóvel e foi agredido e ameaçado por criminosos.

Segundo uma fonte ligada à Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a vítima era proprietária de uma casa e havia um contrato de aluguel com vigência até o dia 8 de outubro. No dia seguinte ao vencimento, o aposentado foi até o local e verificou que havia uma nova pessoa residindo na casa e um novo contrato, no qual ele não teria conhecimento.

A pessoa que estava no imóvel mostrou o contrato com o nome do falso proprietário e o policial informou que a casa era dele. Houve um desentendimento no local e Lopes foi empurrado e ameaçado por criminosos.

Um Boletim de Ocorrência (B.O.) foi registrado sobre o caso, no 16º DP. A vítima era proprietária da sucata e no dia seguinte foi morta a tiros após sair do estabelecimento.