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Trio é suspeito de seis homicídios em quatro meses na região do Siqueira

Thiago Lucas Ferreira Fonseca da Silva e Francisco Leonardo Paulino Gomes já foram denunciados por três desses crimes. Um adolescente também teria envolvimento nas mortes
21:41 | Nov. 23, 2021
Autor Lucas Barbosa
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Lucas Barbosa Repórter do caderno de Cidades
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Tipo Notícia

Dois homens e um adolescente são investigados pela Polícia Civil pelo assassinato de seis pessoas entre 19 de janeiro e 5 de maio deste ano, crimes ocorridos na região do bairro Siqueira. Thiago Lucas Ferreira Fonseca da Silva, de 20 anos, e Francisco Leonardo Paulino Gomes, conhecido como “Léo Trem Bala”, de 21 anos, estão presos e foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPCE) por três desses crimes. 

A mais recente denúncia foi ofertada no último sábado, 20. Thiago Lucas e Francisco Leonardo são acusados de matar Ícaro Oliveira de Sousa no Jardim Jatobá em 7 de março. Além deles, também o adolescente foi identificado como tendo participado da execução.

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Conforme a denúncia, a vítima foi surpreendida por quatro pessoas no momento em que estava dormindo. Usando roupas semelhantes às da Polícia Civil, o grupo arrombou a porta da casa de Ícaro e atirou diversas vezes contra ele. O modus operandi é semelhante aos demais crimes nos quais há suspeita sobre o trio.

A motivação do assassinato seria o fato de o adolescente de 15 anos acusar Ícaro de lesioná-lo durante uma festa. Ícaro também morava em uma área com atuação da facção Guardiões do Estado (GDE), enquanto o grupo pertencia ao Comando Vermelho (CV). O quarto integrante do grupo não foi identificado. Na ação, um parente da vítima foi baleado de raspão ao tentar impedir o crime.

Além do modus operandi parecido, os demais homicídios também ocorreram em contexto de conflito entre facções criminosas. Conforme um relatório elaborado pela 2ª Delegacia do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Thiago Lucas, Francisco Lucas e o adolescente eram moradores do Jardim Jatobá, mas foram expulsos pela GDE, que predomina no local, por cometerem furtos e roubos na região. Isso fez com que eles se “batizassem” no CV e passado a tentar “tomar” a região para a facção.

“Por conhecerem a região geográfica do Jardim Jatobá e também os moradores da região, Thiago, (o adolescente) e Leonardo escolhiam as vítimas e tomavam a frente das ações, disfarçados de policiais (utilizando coletes, pé-de-cabra e distintivos) arrombavam as portas e assassinavam as vítimas", escreve no relatório o delegado Karlus Klever Sandes Santos.

A segunda denúncia contra a dupla de maiores refere-se ao assassinato de Gerson Breno Ferreira dos Santos, caso ocorrido em 28 de fevereiro, no bairro Bom Jardim. Conforme o MPCE, Gerson Breno foi morto quando se encaminhava para uma mercearia. Ele foi surpreendido por três homens em um carro, que já chegaram atirando contra ele. Também neste caso teria participado o adolescente. Conforme o MPCE, a vítima seria integrante da GDE.

Já em 5 de maio, ocorreu o terceiro homicídio que resultou em denúncia contra a dupla. Mais uma vez, conforme o MPCE, a vítima, Luís Vieira da Silva Neto, foi surpreendida em sua casa, quando estava deitado em uma rede, e foi morto a tiros. Os disparos ainda atingiram um outro homem que estava na casa — ele foi socorrido em estado grave ao Instituto Dr. José Frota (IJF), mas sobreviveu. Na ação, Thiago Lucas foi baleado na axila, "provavelmente, um disparo efetuado por algum dos seus comparsas". Ele recebeu socorro e foi preso pela Polícia no IJF.

Outros três inquéritos estão em andamento e têm Thiago Lucas e Francisco Leonardo como suspeitos. Exames de comparação balística nos projéteis retirados dos corpos das vítimas desses crimes foram pedidos e aguardam conclusão. As vítimas são: José Ribamar Deodato de Moura, Francisco Lucas Paula de Castro e Lucas Rodrigues da Silva.

Francisco Leonardo viria a ser preso em 25 de outubro último, abordado pela Polícia Militar em um carro com placa clonada com outros dois homens. Com o trio, os PMs apreenderam um revólver e uma pistola.

O POVO não localizou as defesas dos suspeitos na tarde desta terça-feira, 23.

 

Local onde ocorreu cada um dos crimes pelos quais o trio é investigado, conforme a Polícia Civil(Foto: Reprodução/Polícia Civil)
Foto: Reprodução/Polícia Civil Local onde ocorreu cada um dos crimes pelos quais o trio é investigado, conforme a Polícia Civil

LINHA DO TEMPO

19 de janeiro — Vítima: José Ribamar Deodato de Moura

O inquérito que investiga a morte de José Ribamar Deodato de Moura chegou a ser arquivado por falta de provas, mas, como teve modus operandi semelhante às demais ações, também neste caso foi pedida a confrontação balística.

22 de janeiro — Vítima: Francisco Lucas Paula de Castro

Conforme relatório de local do crime, elaborado pela Polícia Civil, quatro homens arrombaram a porta da casa de Francisco Lucas. Em seguida, arrastaram-no para a rua e executaram-no. No local do crime, foram apreendidos 43 estojos de projéteis de armas de fogos, de três calibres diferentes. Testemunhas afirmaram que, no local do crime, há atuação da GDE, enquanto os executores vieram de uma comunidade dominada pelo CV. O inquérito segue em andamento.

28 de fevereiro — Vítima: Gerson Breno Ferreira dos Santos

O primeiro dos crimes a ser denunciado pelo MPCE. Conforme a denúncia, Thiago Lucas foi o autor dos disparos, enquanto Leonardo dirigiu o veículo e o adolescente filmou a execução. Testemunhas reconheceram o trio como autor do crime. A denúncia do MPCE foi recebida pela Justiça e o processo está em fase de instrução.

7 de março — Vítima: Ícaro Oliveira de Sousa

Outro caso em que a denúncia já foi ofertada. Acusação aguarda recebimento pela Justiça.

17 de março — Vítima: Lucas Rodrigues da Silva

Também neste caso a vítima foi surpreendida enquanto dormia. Cerca de cinco pessoas, que tinham um carro de apoio, arrombaram a porta dos fundos da casa onde a vítima estava. Os criminosos disseram ser da Polícia Civil e perguntaram pela vítima e pelo irmão — que estava preso. Lucas se escondia em um dos quartos da casa, mas foi encontrado pelos criminosos, que o executaram a tiros após acusá-lo de ser integrante da GDE.

Conforme a investigação, Lucas não tinha envolvimento com crimes, porém. Após o homicídio, o grupo ainda pichou a casa onde o crime ocorreu com uma ordem para que a família abandonasse o imóvel em até 24 horas. Thiago Lucas foi ouvido e negou participação nesse crime. O inquérito segue em andamento.

5 de maio — Vítima: Luís Vieira da Silva Neto

Outro caso pelo qual Thiago Lucas e Leonardo foram denunciados. Neste crime, o MPCE afirmou que os acusados "não visaram vítimas específicas, simplesmente escolheram a residência, invadiram e mataram ou tentaram matar quem estivesse no local, agindo por pura maldade". Os dois foram pronunciados pelo crime e aguardam julgamento.

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