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Enem 2021: casal faz prova para testar conhecimentos e incentivar filhas e netas

Antônio Lopes dos Santos, de 54 anos, e sua esposa Liduina Brilhante, de 59 anos, planejam entrar na faculdade, caso consigam uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021
23:05 | Nov. 21, 2021
Autor Ana Flávia Marques
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Tipo Notícia

Hoje, domingo, 21 de novembro (21/11), ocorreu o primeiro dia de prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021. Apesar de ser comum ver jovens do segundo grau realizando o teste, há também pessoas de outras faixas etárias que fazem o exame. É o caso de Antônio Lopes dos Santos, de 54 anos, e sua esposa Liduina Brilhante, de 59 anos.

Essa não é a primeira vez que Liduina faz a prova. Em entrevista ao O POVO, ela conta as principais diferenças entre pessoas mais velhas e os mais jovens na hora de realizar o exame. "Para mim, creio que seja totalmente diferente dos jovens, porque os jovens tem a cobrança deles e da família. Já eu, não. É para testar a minha mente", acredita.

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Para Liduina, fazer o Enem é uma maneira de provar sua capacidade. "Hoje estamos muito obsoletos, para não dizer alienados, em relação aos jovens em algumas questões", diz. "Acho que os jovens precisam ver que nós, os 'mais vividos', como diz minha filha, também interagimos, temos conhecimento, e como não tivemos a oportunidade de fazer uma faculdade quando éramos jovens, de também almejar, querer... quem sabe se eu não tiro uma nota boa, eu não vou fazer uma faculdade? Mas sem essa cobrança, é buscar testar nosso conhecimento", ressalta.

Caso consiga uma boa nota, Liduina já tem cursos em mente. Ela pensa em estudar Biologia ou Agronomia. Já Antônio, que fez a prova no ano passado, conta que conseguiu nota suficiente para entrar em Ciências da Computação, mas não conseguiu enviar os documentos no prazo estipulado e precisou adiar o sonho para 2021. Ele espera passar para o mesmo curso, pois já trabalha na área e gosta do que faz.

Apesar de não ter feito faculdade, Antônio está no mercado de trabalho, na área da Computação, desde a década de 90. "Hoje temos essa oportunidade de estudar sem pressão, temos uma cabeça mais tranquila e aprendemos mais fácil. Tem coisa de matemática que eu estudava e não sabia de nada, hoje não, aprendo mais fácil, por isso estou tentando o Enem", conta.

Ao avaliarem o desempenho, eles afirmam que gostaram da prova. "O tema da redação é um assunto bem necessário", declara Liduina. Sobre as questões, eles criticam a abordagem e acreditam que teve viés político por trás da elaboração. "Muitas questões mudaram do que era antes", acredita Antônio. "Eu percebi um teor de política. Não sou a favor de como foram abordadas as perguntas. Achei que tinha um cunho político", explica Liduina. "Mas essa questão de política, eles podem querer interferir, mas só vão interferir se a gente deixar", ressalta.

Liduina também destaca que faz a prova para incentivar as filhas e as netas a continuarem estudando. Apesar disso, Antônio lembra uma situação em que aconteceu o oposto. Anteriormente, uma das filhas do casal havia o exame pela primeira vez e, para incentivá-la, Liduina decidiu fazer a prova também. No entanto, acabou tirando nota maior que a filha, que chorou com o resultado e até cogitou desistir de prestar o exame novamente. Hoje, ela cursa Letras na Uece.

Com informações da repórter Gabriela Custódio

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