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Gestor do Parque do Cocó afirma que incêndio foi criminoso

Fogo na Unidade de Conservação estadual consumiu um pouco mais de 46 hectares de vegetação na floresta de manguezal. Mais de 50 árvores nativas e exóticas foram queimadas ou derrubadas pelas chamas
21:12 | Nov. 19, 2021
Autor Demitri Túlio
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Demitri Túlio Repórter investigativo
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Tipo Notícia

O incêndio no Parque Estadual do Cocó, na área próxima à comunidade Salinas - entre as avenidas Raul Barbosa, Murilo Borges e Rogaciano Leite, em Fortaleza, “foi criminoso”. A afirmação é de Paulo Lira, gerente da Unidade Estadual de Conservação e de Proteção Integral.

“O incêndio, aqui, foi criminoso. Se ele foi doloso, ou seja, se (alguém) teve a intenção mesmo (de destruir a mata), compete às autoridades investigarem. Que foi criminoso, foi. Infelizmente a gente detecta que as pessoas ainda não dão a devida importância que tem o Parque do Cocó. O Parque do Cocó é a nossa Amazônia. É a nossa Amazônia cearense”, observa Paulo Lira.

Segundo o gestor do bioma, “menos mal que o incêndio ocorreu, principalmente, em uma área de capinzal”. Além do capim, típico de floresta de manguezal, houve a devastação de mais de 50 árvores. Entre as nativas carbonizadas ou derrubadas pela violência do fogo estão mangues-pretos e carnaubeiras. Há também exóticas afetadas, a exemplo de azeitoneiras e castanholeiras. Espécies que estão em quase toda a extensão dos 1.581 hectares do ecossistema Cocó.

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As chamas do fogaréu, de acordo com Paulo Lira, consumiram uma área de um pouco mais de 46 hectares de vegetação. O que corresponde a 46 campos de futebol do tamanho do espaço onde se disputam os jogos na Arena Castelão, por exemplo.

  Paulo Lira, gerente da Unidade Estadual de Conservação e de Proteção Integral
Paulo Lira, gerente da Unidade Estadual de Conservação e de Proteção Integral (Foto: Demitri Túlio)

O incêndio no Parque do Cocó, iniciado às 18 horas da última quarta-feira, 17/11, durou até às 16 horas da quinta-feira, 18/11. Nesta sexta-feira,19/11, equipes do Corpo de Bombeiros do Ceará e 19 brigadistas da Secretaria do Meio Ambiente do Ceará (Sema) estiveram no local para o “esfriamento” de novos focos de fogo.

No rescaldo, além da vegetação que se desmanchava em cinzas, vários pontos de braseiros embaixo das raízes das árvores, no “tapete” de capim e em troncos e galhos que foram ao chão com mais de 22 horas de fogo.

 

No local, Artur Bruno, secretário do Meio do Ceará, afirmou que aguarda um diagnóstico final sobre a situação daquela zona destruída do Parque. E que é intenção utilizar a produção de espécies nativas do Viveiros de Mudas que está parcialmente funcionando no Adahil Barreto.

Por enquanto, faltam insumos para a produção das mudas de árvores nativas para a floresta de manguezal e outros biomas. Até o final do ano, caso a burocracia do Estado permita e a licitação para o berçário de plantas seja concluída, a projeção é que se produzam 5 mil plantinhas por mês.

Parque receberá câmeras de monitoramento

 

Artur Bruno visita a área que foi queimada no Parque do Cocó
Artur Bruno visita a área que foi queimada no Parque do Cocó (Foto: Demitri Túlio)

De acordo com Artur Bruno, 21 pontos do Parque do Cocó, em Fortaleza, receberão 35 câmeras de monitoramento de segurança. Uma promessa ainda da primeira gestão do governo Camilo Santana (PT) e que, até o fim deste ano, será implementada, diz o secretário.

“Há algumas câmeras por aqui, em alguns locais (próximo ao mapa do incêndio), que podem ter alguma imagem. Trabalharemos em conjunto com a Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Semace (Superintendência Estadual do Meio Ambiente) para tentar identificar e punir os responsáveis”, explica o gestor da Sema.

As imagens das 35 câmeras, que custaram mais de R$ 1 milhão de acordo com Artur Bruno, serão monitoradas da gerência do Parque do Cocó (Padre Antônio Tomás), do Batalhão de Polícia do Meio Ambiente (Raul Barbosa) e da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Bezerra de Menezes).

Duas fontes ouvidas pelo O POVO, e que estavam entre os militares que combatiam o incêndio, afirmam que 12 focos de incêndio não são normais em uma ocorrência que teria causas ligadas às altas temperaturas de novembro e à vegetação seca. “Um foco de fogo não pula de uma margem para outra do rio”, explica. Nem “seria casual” já que estavam distantes um do outro no início da ocorrência.

 

Uma apuração preliminar apontaria que “um homem teria espalhado o fogo ao longo de uma das margens da avenida Murilo Borges” e que “esse indivíduo seria ligado a uma facção criminosa”. A ação estaria ligada a uma disputa entre áreas dominadas pelo crime na região da Aerolândia e bairros vizinhos.

Por nota, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará informou que as causas do incêndio “só serão definidas após trabalho da Perícia Forense” e com a investigação da Delegacia Contra Crimes Ambientais. “Qualquer especulação sobre possíveis motivos para a ignição do fogo é precipitada”, afirma o comunicado da pasta gerida pelo delegado federal Sandro Caron.

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