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"Mini-espigões" no Aterro buscam evitar alagamentos na Beira Mar

| DRENAGEM | Prefeitura começou a construir barreiras para evitar assoreamento das galerias de drenagem. Conforme a Seinf estrutura não será bloqueada aos frequentadores, mas não terá urbanização
19:09 | Out. 15, 2021
Autor Marcela Tosi
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Tipo Notícia

Os dias de alagamento na avenida Beira Mar podem chegar ao fim em breve. Ao menos é o que espera a Prefeitura de Fortaleza, que, no último dia 7, iniciou a construção de barreiras de contenção para evitar assoreamentos nas galerias de drenagem. Na prática, a solução proposta é evitar o acúmulo de areia na saída das tubulações que levam água pluvial para o mar.

São três barreiras ao longo do Aterro da Praia de Iracema: duas na altura da rua Idelfonso Albano, onde acontecem as obras atualmente, e outra ao lado do espigão da avenida Rui Barbosa. O serviço é a última etapa do novo sistema de drenagem da avenida. A previsão é que a obra seja entregue dentro de três meses.

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Samuel Dias, titular da Secretaria de Infraestrutura de Fortaleza (Seinf), explica que as barreiras são um prolongamento da proteção que já existe ladeando as galerias. Cada estrutura contará com 25 metros de comprimento. “Com isso, a gente vai precisar ter menos manutenção. A retirada da areia com maquinário na saída da drenagem será mais espaçada”, afirma.

A Seinf informa ainda que as barreiras não serão bloqueadas aos frequentadores. Porém, não serão instaladas estruturas de urbanização. Assim, o resultado final será diferente dos espigões.

Newton Becker, professor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (DAU/UFC), entende que, pensada para o fim do sistema de drenagem, a obra pode ser uma solução imediata, mas "talvez de pouca duração".“No atual sistema de drenagem, a chuva cai principalmente no asfalto e em outras supercificies impermeáveis, vai para o sistema subterrâneo e acaba nessas galerias da Beira Mar. O volume termina grande e com alta velocidade”, explica sobre uma das causas das enchentes.

Becker expõe ainda o problema da qualidade da água que chega ao mar - muitas vezes carregando o lixo que encontra no caminho.“Existem técnicas compensatórias, como piso drenante e jardins para biorretenção, que tratam da drenagem desde a origem e contribuem nas duas frentes. Com a chamada infraestrutura verde, a água caminha mais devagar e fica mais limpa”, indica. Para ele, “são soluções a longo prazo, mas que precisam ser pensadas, aprendidas e testadas desde agora.”

O arquiteto e urbanista chama ainda a atenção para a possibilidade de caminhos mais harmônicos com o uso do espaço. “Cria-se uma paisagem que não é natural e influencia na forma como as pessoas vão interagir. Não sei se seria possível usar outro material que não as pedras, mas fica essa questão. É um cartão postal de Fortaleza, é isso que a gente quer ver?”, analisa. 

Para Fábio Perdigão, coordenador do Laboratório de Gestão Integrada da Zona Costeira da Universidade Estadual do Ceará (Uece), as barreiras "não causarão impactos negativos" para a dinâmica da orla. O laboratório produziu em 2018 parecer técnico relatando, entre outras conclusões, que "o aterro da Beira Mar não causará impacto erosivo sobre o litoral de Caucaia".

Problema histórico

Os alagamentos na Beira Mar decorrentes da obstrução das vias de escoamento das águas pluviais e de esgoto são realidade que se repete a cada quadra chuvosa. Pelo menos desde 2014, O POVO registra em suas páginas as enchentes na Beira Mar. Em março deste ano, uma manhã de forte chuva foi suficiente para alagar a avenida. Os dias de janeiro de 2020 também foram marcados por inundações na via e a água invadiu prédios e comércios.

Comparação

As barreiras terão comprimento equivalente a menos 10% do comprimento dos espigões da Beira Mar. O comprimento das barreiras será de 25 metros. O espigão da avenida João Cordeiro, o mais extensão, tem 640 m. O da av. Rui Barbosa conta com 270 m. Já o espigão do Náutico tem 245 metros.

 

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