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Agosto Dourado oferta serviços municipais de apoio às lactantes em Fortaleza

Mês de agosto é dedicado ao incentivo do aleitamento materno de forma a ofertar serviços específicos para incentivar as mães à prática. Confira
18:29 | Ago. 03, 2021
Autor - Marília Serpa
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- Marília Serpa Autor
Tipo Noticia

Em alusão ao mês do aleitamento materno, maternidades e Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS) municipais de Fortaleza estarão com uma programação interna voltada à equipe de saúde e aos pacientes, de forma a promover a campanha do Agosto Dourado. O tema da programação deste ano é “Proteger a Amamentação: uma responsabilidade de todos”, onde contará com ações educativas, palestras, apresentações culturais, cursos, gincanas e arrecadação de leite materno.

O Ministério da Saúde (MS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida do bebê e amamentação até os dois anos de idade ou mais. Pensando nisso, na Capital, além das cinco maternidades, são ofertados serviços específicos para incentivar e capacitar as mães para o aleitamento materno pela rede municipal. Confira.

Dezoito salas de apoio à mulher que amamenta

As salas são como um local de apoio destinado ao compartilhamento de informações sobre os benefícios do aleitamento materno, bem como orientação de técnicas que possibilitem um bom processo de amamentação. Além disso, há coleta de leite humano, o qual é encaminhado aos bancos de leite dos hospitais da rede pública que são utilizados para beneficiar outras crianças prematuras que não conseguem ser alimentadas com leite da mãe.

Fortaleza já conta com 18 salas, sendo treze em postos de saúde e cinco em maternidades, onde cada uma delas consegue captar entre quatro e cinco litros de leite humano por mês. O equipamento conta com o apoio de enfermeiros e técnicos de enfermagem que são capacitados para proporcionar um melhor acolhimento às mulheres por meio do esclarecimento de dúvidas e repassando orientações sobre o assunto.

As salas de apoio podem ser encontradas nos seguintes postos:

- Posto de Saúde Virgílio Távora (Regional I);
- Posto de Saúde Aída Santos (Regional II);
- Posto de Saúde Rigoberto Romero (Regional II);
- Posto de Saúde Roberto Bruno (Regional IV);
- Posto de Saúde Dom Aloísio Lorscheider (Regional IV);
- Posto de Saúde Jurandir Picanço (Regional V);
- Posto de Saúde Ronaldo Albuquerque (Regional V);
- Posto de Saúde Luis Franklin (Regional VI);
- Posto de Saúde Licínio Nunes (Regional III);
- Posto de Saúde Meton de Alencar (Regional III);
- Posto de Saúde Gothardo Peixoto (Regional IV);
- Posto de Saúde Sandra Nogueira (Regional II);
- Posto de Saúde Francisco Monteiro (Regional VI);
- Hospital e Maternidade Zilda Arns;
- Hospital Nossa Senhora da Conceição;
- Gonzaguinhas da Barra do Ceará, Messejana e José Walter.

As cinco maternidades municipais são:

- Hospital e Maternidade Zilda Arns;
- Hospital Nossa Senhora da Conceição;
- Gonzaguinhas da Barra do Ceará;
- Gonzaguinha de Messejana.
- Gonzaguinha José Walter (em reforma).

Unidade Amiga da Primeira Infância (UAPI)

As ações das UAPIs possibilitam o aumento da qualidade da atenção integral que uma criança recebe, principalmente ao longo dos seus primeiros mil dias de vida, de forma a garantir direito ao pleno desenvolvimento. Isso inclui o monitoramento de diversos indicadores, como o aleitamento materno. Atualmente, nove Postos de Saúde de Fortaleza são certificados como UAPIs, sendo eles:

- Dom Aloísio Lorscheider;
- Humberto Bezerra;
- Irmã Hercília Aragão;
- Luis Franklin Pereira;
- Oliveira Pombo;
- Paulo Marcelo;
- Regina Maria da Silva Severino;
- Rigoberto Romero de Barros;
- Maria José Turbay Barreira.

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Projeto de Lei que cria aluguel social para mulheres vítimas de violência vai para Câmara

FORTALEZA
15:13 | Ago. 03, 2021
Autor Mirla Nobre
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Mirla Nobre Autor
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Tipo Notícia

O prefeito de Fortaleza, José Sarto (PDT), anunciou na tarde desta terça-feira, 3, por meio das redes sociais, que encaminhou à Câmara Municipal de Fortaleza o Projeto de Lei (PL) que cria o Aluguel Social Maria da Penha. O programa é destinado a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar na Capital. O projeto de lei, que tem pedido de urgência, começa a tramitar na Câmara Municipal a partir desta quarta-feira, 4, para discussão dos vereadores e vereadoras de Fortaleza para aprovação da proposta.

De acordo com o gestor municipal, o projeto é um compromisso assumido por ele desde a campanha eleitoral, em 2020, e espera diminuir os efeitos da violência doméstica. “Com a lei, esperamos minimizar os duros efeitos dessa cruel realidade sobre as mulheres e seus filhos, além de oferecer suporte social para garantir mais efetividade às medidas protetivas, contribuindo também para promover a autonomia”, disse Sarto, em publicação nas redes sociais.

LEIA MAIS | Ceará registra a segunda maior taxa de homicídios femininos do Brasil

Violência contra a mulher - o que é e como denunciar?

A violência doméstica e familiar constitui uma das formas de violação dos direitos humanos em todo o mundo. No Brasil, a Lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, caracteriza e enquadra na lei cinco tipos de violência contra a mulher: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial.

Entenda as violências:

Violência física: espancamento, tortura, lesões com objetos cortantes ou perfurantes ou atirar objetos, sacudir ou apertar os braços

Psicológica: ameaças, humilhação, isolamento (proibição de estudar ou falar com amigos)

Sexual: obrigar a mulher a fazer atos sexuais, forçar matrimônio, gravidez ou prostituição, estupro.

Patrimonial: deixar de pagar pensão alimentícia, controlar o dinheiro, estelionato

Moral: críticas mentirosas, expor a vida íntima, rebaixar a mulher por meio de xingamentos sobre sua índole, desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir

A Lei 13.104/15 enquadrou a Lei do Feminícidio - o assassinato de mulheres apenas pelo fato dela ser uma mulher. O feminicídio é, por muitas vezes, o triste final de um ciclo de violência sofrido por uma mulher - por isso, as violências devem ser denunciadas logo quando ocorrem. A lei considera que há razões de condição de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

LEIA MAIS | Veja como denunciar violência doméstica durante a pandemia

Veja como buscar ajuda:

Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180

Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza (DDM-FOR)
Rua Teles de Souza, s/n - Couto Fernandes
Contatos: (85) 3108- 2950 / 3108-2952

Delegacia de Defesa da Mulher de Caucaia (DDM-C)
Rua Porcina Leite, 113 - Parque Soledade
Contato: (85) 3101-7926

Delegacia de Defesa da Mulher de Maracanaú (DDM-M)
Rua Padre José Holanda do Vale, 1961 (Altos) - Piratininga
Contato: 3371-7835

Delegacia de Defesa da Mulher de Pacatuba (DDM-PAC)
Rua Marginal Nordeste, 836 - Jereissati III
Contatos: 3384-5820 / 3384-4203

Delegacia de Defesa da Mulher do Crato (DDM-CR)
Rua Coronel Secundo, 216 - Pimenta
Contato: (88) 3102-1250

Delegacia de Defesa da Mulher de Icó (DDM-ICÓ)
Rua Padre José Alves de Macêdo, 963 - Loteamento José Barreto
Contato: (88) 3561-5551

Delegacia de Defesa da Mulher de Iguatu (DDM-I)
Rua Monsenhor Coelho, s/n - Centro
Contato: (88) 3581-9454

Delegacia de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte (DDM-JN)
Rua Joaquim Mansinho, s/n - Santa Teresa
Contato: (88) 3102-1102

Delegacia de Defesa da Mulher de Sobral (DDM-S)
Av. Lúcia Sabóia, 358 - Centro
Contato: (88) 3677-4282

Delegacia de Defesa da Mulher de Quixadá (DDM-Q)
Rua Jesus Maria José, 2255 - Jardim dos Monólitos
Contato: (88) 3412-8082

Casa da Mulher Brasileira

A Casa da Mulher Brasileira é referência no Ceará no apoio e assistência social, psicológica, jurídica e econômica às mulheres em situação de violência. Gerida pelo Estado, o equipamento acolhe e oferece novas perspectivas a mulheres em situação de violência por meio de suporte humanizado, com foco na capacitação profissional e no empoderamento feminino.

Telefones para informações e denúncias:

Recepção: (85) 3108.2992 / 3108.2931 – Plantão 24h
Delegacia de Defesa da Mulher: (85) 3108.2950 – Plantão 24h, sete dias por semana
Centro Estadual de Referência e Apoio à Mulher: (85) 3108.2966 - segunda a quinta, 8h às 17h
Defensoria Pública: (85) 3108.2986 / segunda a sexta, 8h às 17h
Ministério Público: (85) 3108. 2940 / 3108.2941, segunda a sexta , 8h às 16h
Juizado: (85) 3108.2971 – segunda a sexta, 8h às 17h

 

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Polônia concede visto humanitário à atleta olímpica expulsa após críticas à federação

tóquio 2020
09:35 | Ago. 02, 2021
Autor AFP
Tipo Notícia

A Polônia concedeu um visto humanitário para a atleta olímpica bielorrussa Kristina Tsimanuskaya, após denunciar que sua equipe tentou obrigá-la a deixar o Japão. O visto foi anunciado pelo vice-ministro polonês dos Assuntos Exteriores, Marcin Przydacz, nesta segunda-feira, 2. A atleta criticou a Federação Bielorrussa de Atletismo, ao afirmar que foi obrigada a participar do revezamento de 4x400 metros, quando inicialmente deveria correr nas provas de 100 e 200 metros.

LEIA MAIS: Atleta de Belarus é obrigada a deixar as Olimpíadas de Tóquio após criticar sua federação

Tsimanuskaya "já está em contato direto com diplomatas poloneses em Tóquio. Recebeu um visto humanitário. A Polônia fará o que for necessário para ajudá-la a continuar sua carreira esportiva", tuitou Przydacz. Mais cedo, o marido da atleta, Arseny Zdanevich, havia dito à AFP que Kristina Tsimanuskaya "provavelmente" viajará para a Polônia.

"Provavelmente irá à Polônia", afirmou Zdanevich, de Kiev, aonde chegou por causa do conflito entre sua esposa e as autoridades bielorrussas. "Me encontro em território ucraniano e pretendo me juntar à minha mulher", acrescentou. Zdanevitch disse, porém, não saber onde sua esposa estava no momento. Segundo vários veículos da imprensa e uma associação esportiva ligada à oposição bielorrussa, a atleta estaria na embaixada da Polônia em Tóquio.

"Estivemos em contato ontem e hoje (pela manhã), mas agora não está localizável", disse ele à AFP por volta das 7h (horário de Brasília). Polônia, República Tcheca e Eslováquia se ofereceram para acolher a atleta olímpica bielorrussa. Segundo Alexander Opeikin, diretor-executivo da Fundação Bielorrussa para a Solidariedade Esportiva (BSSF), uma organização que apoia os atletas deste país, Kristina Tsimanuskaya "preencheu os documentos para obter asilo político na Polônia".

Entenda

A atleta foi obrigada a suspender sua participação nos Jogos de Tóquio 2020 depois de ter criticado publicamente sua federação, afirmou neste domingo, 1º, a Fundação Bielorrussa de Solidariedade Esportiva. "Estou segura e estamos decidindo onde passarei a noite", declarou a atleta em um comunicado publicado no Telegram pouco depois das 12h00 (horário de Brasília) pela Fundação Bielorrussa de Solidariedade Esportiva.

"O COI (Comitê Olímpico Internacional) e Tóquio-2020 falaram diretamente com Krystsina Tsymanouskaya esta noite. Está com as autoridades no aeroporto de Haneda e acompanhada por um membro da equipe de Tóquio-2020. Ela disse que se sente segura", confirmou o COI, para quem a atleta pediu ajuda.

O Comitê Olímpico de Belarus, dirigido por Viktor Lukashenko, filho do presidente do país Alexander Lukashenko, afirmou em nota que a atleta teve que suspender sua participação nos Jogos "por decisão dos médicos, devido ao seu estado emocional e psicológico". Uma declaração classificada como "mentira" pela atleta no aeroporto da capital japonesa.

Krystsina Tsimanouskaya criticou a Federação Bielorrussa de Atletismo, ao afirmar que foi obrigada a participar do revezamento de 4x400 metros, quando inicialmente deveria correr nas provas de 100 e 200 metros, devido à quantidade insuficiente de testes antidoping realizados por outros dois atletas bielorrussos.

 

dt/amj/yad/mar/zm/grp/mar/tt

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Lucy Antoneli Rocha: 15 anos da Lei Maria da Penha

00:00 | Ago. 01, 2021
Autor
Tipo Opinião

No dia 07 de agosto de 2021, a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06) comemora 15 anos. A Lei foi criada não somente para punir o agressor, mas, principalmente, para prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

A iniciativa dessa lei não partiu de legisladores, mas de uma luta da biofarmacêutica Maria da Penha e do movimento de mulheres, fomentado por organismos internacionais, tendo em vista o grande número de mulheres vitimadas pela violência no nosso país.

O trabalho para elaboração do anteprojeto da LMP foi resultado do esforço coletivo de um Consórcio de ONGs, que lutou para a aprovação da referida Lei, mesmo com sérios embaraços que surgiram no tramitar legislativo.

O dispositivo legal já se encontra em vigor há mais de uma década, mesmo com vários outros obstáculos enfrentados na sua vigência, com interpretações equivocadas que fogem ao princípio da proteção integral.

A Lei Maria da Penha possui conteúdo protetivo muito avançado, contendo entre seus princípios especiais a Proteção Integral, a Presunção de Vulnerabilidade, a Autonomia da Vontade da vítima, a Presunção de Veracidade da palavra da vítima, a Especialidade, a Prioridade, a Confidencialidade, a Informação, a Responsabilização e o princípio da Universalidade do Acolhimento.

Essa debutante, entretanto, vem sofrendo muitos ataques, tanto em sua natureza, ataques interpretativos à lei, que buscam desconstituir sua natureza protetiva, como em seu conteúdo, com tentativas de mudanças legislativas que desvirtuam seus princípios.

Atualmente, o excelente conteúdo da LMP precisa de interpretação protetiva e de efetividade das políticas públicas para que possa realmente proteger as vítimas. n

 

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Ativista defende direito de mulheres sem filhos fazerem laqueadura

direitos reprodutivos
00:02 | Jul. 31, 2021
Autor Mirla Nobre
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Mirla Nobre Autor
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Tipo Noticia

O desejo de não ter filhos também faz parte da realidade de algumas mulheres. O direito da mulher de decidir sobre o corpo dela vem se fortalecendo cada vez mais com o passar dos anos. No Brasil, a legislação diz que é possível se submeter a cirurgias de esterilização de laqueadura quando se tem dois filhos ou mais ou sendo maior de 25 anos. O método é assegurado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), determinado pela Agência Nacional de Saúde (ANS), desde 2008. Em 2019, foram realizadas mais de 73 mil laqueaduras pela rede pública de saúde, segundo dados do DataSus, do Ministério da Saúde.

Ativista dos direitos sexuais das mulheres, fundadora do Projeto “Laqueadura Sem Filhos Sim” e mestranda em Direito, Patrícia Marxs conversa com O POVO sobre direitos reprodutivos sexuais das mulheres e acesso aos métodos contraceptivos. Ela defende o desejo da laqueadura feita por quem não tem filhos e fala do desejo de mulheres de não quererem filhos, além de como lidar com as críticas da sociedade na defesa do tema.

O POVO - O direito da mulher de tomar suas próprias decisões se fortaleceu com o passar dos anos. Qual foi sua motivação para começar a trabalhar sobre os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres e como a senhora se identifica com a causa?

Patrícia Marxs - Percebi que tinha muito assunto sobre a interrupção da gravidez, no qual existe uma luta muito válida e legítima que é a descriminalização do aborto. Porém, não havia ainda projeto que pautasse sobre o direito de não ter filhos e o acesso aos métodos contraceptivos ao processo, que são legalizados. Na minha vivência, apesar de existir uma lei em que eu possa fazer uma esterilização voluntária acima dos 25 anos sem filhos, eu passei de quatro a cinco anos buscando informações. Quando eu dizia que o meu sonho era fazer esterilização sem filhos, eu sempre ouvia os mais absurdos comentários e ofensas. Isso estava me retraindo e me fazia pensar que era melhor eu não procurar sobre o procedimento. Achei que talvez eu fosse uma pessoa doente por desejar isso. Mas, eu não desisti e consegui fazer o procedimento. Depois eu percebi o quanto a internet é uma ferramenta que pode levar informações para outras mulheres de uma forma mais fácil. Pensei em por que não fazer um projeto em que eu pudesse falar como foi para mim sobre o procedimento de laqueadura sem filhos. Sabemos que o acesso à internet não chega a todas as mulheres, mas é um começo. A criação do projeto ocorreu por meio de um conjunto de situações, e ele veio para explicar com uma linguagem do Direito de forma mais clara e acessível para mostrar para população que é possível o procedimento e que esse direito é assegurado.

OP - O que é o procedimento de laqueadura sem filhos e qual a importância do debate sobre o tema?

Patrícia - Assim como ter filhos é um direito, o de não ter filhos também é. Mas, no nosso ordenamento jurídico brasileiro, o nosso direito de não ter filhos só abarca a prevenção, lembrando que nem todo método é 100%. E é para isso que existe a lei e as informações para mostrar que você pode culminar os métodos. No caso da esterilização voluntária, sem filhos, ela é muito importante porque existe um transtorno, falo da minha experiência, em que você fica com muito medo de engravidar e de estar grávida. A lei 9.263/96 do Planejamento Familiar nos ampara a realizar o procedimento acima dos 25 anos e é um direito acima de qualquer outro, como usar o Dispositivo Intrauterino (DIU) ou realizar o pré-natal. Para fazer o procedimento não é simples, é um conjunto de decisões em que a mulher realmente precisa pensar.

OP - O processo de laqueadura sem filhos só pode ser realizado se atender à Lei do Planejamento Familiar de 25 anos atrás. Como a senhora analisa a intervenção do Estado sobre a decisão sobre os corpos das mulheres?

Patrícia - Muitas mulheres enviam mensagens no projeto “Laqueadura Sem Filhos Sim” com relatos informando que o Estado quer mandar nos nossos corpos para pesquisa. Na minha opinião, não é para pesquisa, e sim o que eles acham que é possível para a gente. Nos anos 1980 para os anos 1990, existia uma política de esterilização compulsória, então o Estado dizia como não deveria procriar e isso também é uma intervenção sobre os nossos corpos. Naquele tempo dizia que era para mulheres em situação de vulnerabilidade, população indígena e pessoas com deficiência. Atualmente, eles estão continuando essa política de intervenção. No momento em que uma mulher chega respaldada pela lei que possibilita esse direito e o Estado diz: “Não, você não pode fazer porque acho que você pode se arrepender”, é uma intervenção clara sobre os corpos das mulheres.

OP - Em 2019, foram realizadas mais de 73 mil laqueaduras pela rede pública de saúde, segundo dados do DataSus, do Ministério da Saúde. Como a senhora analisa quais são os principais pontos que influenciam a mulher a realizar o procedimento?

Patrícia - Com base nas minhas pesquisas e na vivência do projeto, a impossibilidade de usar alguns métodos contraceptivos, como pílula anticoncepcional ou DIU de cobre ou mirena, influenciam as mulheres. Muitas delas não podem utilizar alguns desses métodos e, infelizmente, essa situação é silenciada. Muitas vezes, a mulher que não tem filhos só quer um procedimento que dê paz à ela. Há casos em que a mulher só quer um procedimento que seja definitivo, porque os outros métodos não deram certo ou ela não pode fazer uso deles. É difícil a sociedade aceitar que existem mulheres que querem fazer esse procedimento.

OP - O processo de laqueadura sem filhos é uma decisão definitiva. Durante o seu trabalho, ocorreram casos em que a mulher se arrependeu do processo de laqueadura sem filhos? Se sim, como reverter?

Patrícia - Ainda não ocorreu nenhum relato sobre o arrependimento do processo. Em casos de arrependimento, há o processo de reversão da laqueadura. Existem programas, um deles fica no Estado da Paraíba, que ocorre por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A laqueadura em si, pode ser reversível, mas é necessário o contato com o médico ou médica responsável para informar os procedimentos adequados para cada processo de reversão.

OP - Os cenários religiosos, políticos, sociais e culturais ainda podem influenciar na decisão da mulher sobre o corpo dela?

Patrícia - Acredito que sim. Por experiência própria, eu, como cristã, me perguntava se era certo eu não querer ter filhos. Ainda há uma força muito grande de desestabilizar a mulher, de utilizar Deus alegando que ele irá castigar a mulher que deseja não ter filhos. Muitos relatos de mulheres chegam ao projeto alegando sobre isso, sobre o castigo de Deus nessa decisão de não querer filhos e que Deus poderia castigar enviando um filho doente. Infelizmente, ainda fundamentam muito o próprio preconceito na questão religiosa. Mas, eu acredito que Deus não julga essas decisões.

OP - Como a mulher pode lidar com as críticas sobre a decisão da laqueadura sem filhos, tanto do campo médico quanto da sociedade em geral?

Patrícia - Antes de tudo, é importante a mulher ter uma ajuda psicológica. As críticas são muito pesadas, amargas e cruéis. E ela sempre deve se ouvir sobre o que ela realmente quer. Tirando como exemplo o meu caso, a gente tem uma educação indo para um treinamento para a maternidade e em um contexto doméstico. Desde criança, nos presenteiam com bonecas, bebês e brinquedos que direcionam ao ambiente doméstico, como fogão e geladeira. Então, já somos desde criança doutrinadas nessa situação. Mas, o mais importante para a mulher lidar com essas situações é ela se escutar, em caso de ela não conseguir ajuda psicológica. Na relação com os médicos, eu acredito que elas precisam ter cautela e não permanecer em uma consulta onde o médico ou a médica está a ofendendo em alguma frase sobre maternidade, o que é relatado por muitas mulheres. No caso das ofensas, é aconselhado que a mulher procure um advogado ou advogada para tomar decisões responsáveis sobre o caso. Acima de tudo, a mulher precisa de respeito e que ela se respeite.

OP - Qual a orientação para as mulheres que têm interesse em saber mais sobre os direitos reprodutivos?

Patrícia - Tentar se informar. Sabemos que nem todas têm acesso a essas informações, mas a gente tenta levar essas informações por meio do projeto “Laqueadura Sem Filhos Sim”, no Instagram. Debatemos o assunto com psicólogos e ginecologistas por meio de lives na plataforma, além de mulheres que já passaram por essas situações, que trazem seus relatos. A melhor dica é sempre tentar se informar sobre o assunto e ter empatia com a situação que as mulheres passam. A gente precisa de união para tentar combater o preconceito sobre o tema.

Lei

No Brasil, a esterilização cirúrgica está regulamentada por meio da lei nº 9.263/96, que trata do planejamento familiar, que estabelece o procedimento de laqueadura a mulheres com 25 anos ou mais ou com dois filhos. Em 2019, foram realizadas mais de 73 mil laqueaduras pela rede pública de saúde, segundo dados do DataSus, do Ministério da Saúde.

Projeto

Patrícia Marxs é fundadora do projeto “Laqueadura Sem Filhos Sim”, criado no Instagram. No canal, ela aborda sobre os métodos contraceptivos, direitos reprodutivos das mulheres, além de debater com especialistas, como psicólogos e ginecologistas, como lidar com as críticas sobre a decisão da laqueadura voluntária e dúvidas acerca do tema.

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Ministério lança campanha de valorização do aleitamento materno

Saúde
00:30 | Jul. 30, 2021
Autor Agência Brasil
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O Ministério da Saúde lançou nesta quinta-feira (29) uma nova edição da campanha de valorização do aleitamento materno. A iniciativa tem como tema Todos pela Amamentação: É Proteção para a Vida Inteira e visa sensibilizar a sociedade sobre a importância dessa prática.

A campanha reafirma a relevância do aleitamento materno durante os dois primeiros anos, ou mais. Nos primeiros seis meses, a recomendação é que o aleitamento materno seja a fonte exclusiva para do bebê.

A prática continua importante mesmo no cenário da pandemia de covid-19, diz o Ministério da Saúde, ao ressaltar que o aleitamento materno pode reduzir em até 13% as taxas de mortalidade infantil nos primeiros cinco anos da criança.

Entre 1986 e 2020, essa alternativa como fonte principal de alimentação no primeiro ano de vida passou de 30% para 53,1%.

De acordo com dados da Organização Pan-americana da Saúde (Opas), 40% das crianças têm aleitamento materno no mundo. Na América Latina, menos da metade das crianças mamam na primeira hora de vida.

Doação

Em maio, o Ministério da Saúde já havia lançado a campanha nacional de estímulo à doação de leite materno. Conforme a pasta, essa prática supre apenas 64% do que seria necessário para atender à demanda.

O Brasil conta com 222 bancos de leite materno e 220 pontos de coleta.

No ano passado, foram doados 229 mil litros de leite materno por 182 mil mulheres. Esses números marcaram um aumento de 2,7% em relação ao ano anterior.

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