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Aulas presenciais em setembro: professores e alunos têm expectativas e apreensões

Escolas funcionarão com 50% da capacidade, de forma escalonada. A volta começa com a educação infantil e avança gradualmente para outras séries

19:53 | 28/07/2021
Prefeitura de Fortaleza anunciou nesta quarta-feira, 29, pacote de medidas para retorno das aulas presenciais. Dentre as medidas, contratação de agentes escolares e app de rastreio de casos suspeitos de Covid-19 (Foto: SME/ ALCIDES FREIRE MELO)
Prefeitura de Fortaleza anunciou nesta quarta-feira, 29, pacote de medidas para retorno das aulas presenciais. Dentre as medidas, contratação de agentes escolares e app de rastreio de casos suspeitos de Covid-19 (Foto: SME/ ALCIDES FREIRE MELO)

Atualizada às 20h20min

As escolas da rede municipal de Fortaleza retomam as aulas presenciais no próximo dia 8 de setembro. As atividades nesse formato estão paralisadas desde março de 2020, início da pandemia de Covid-19 no Estado. De acordo com o cronograma divulgado nessa segunda-feira, 26, pelo prefeito José Sarto (PDT) e pela titular da Secretaria Municipal da Educação (SME), o segundo semestre deve ser retomado ainda de forma remota, no próximo dia 29 de julho.

A partir de setembro, as escolas funcionarão com 50% da capacidade, de forma escalonada e híbrida — ou seja, uma parte dos alunos continuará assistindo aulas remotas e outra parte terá atividades domiciliares. O intuito é começar a volta com a educação infantil e depois avançar para outras séries do ensino fundamental I e II.

LEIA MAIS | Aulas presenciais da rede municipal de Fortaleza retornam dia 8 de setembro 

A meta da SME é de que seja adicionado um novo setor ou nova turma a cada semana para que, até o próximo dia 20 de setembro, cerca de 120 mil estudantes da rede municipal estejam em aulas presenciais e a outra metade em atividades domiciliares.

Sobre o protocolo de retomada, a presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação do Ceará (Sindiute), Ana Cristina Guilherme, considera responsável, mas, segundo ela, a posição da categoria é exigir a segurança tanto com as duas doses da vacina quanto com o cumprimento dos protocolos sanitários obrigatórios em cada escola.

Segundo ela, o mês de agosto, ainda em ensino remoto, será o período para avaliar as condições das escolas. “Já sabemos que algumas unidades não retornarão e estamos exigindo que só retornem se houver as condições adequadas. Sabemos que é um desafio e queremos retornar, mas a vida precede qualquer interesse nosso”, ressalta Ana.

Durante todo o mês de agosto, o sindicato vai manter um canal de comunicação com os professores, para que problemas que venham a acontecer possam ser reportados. “Vamos estar permanentemente em contato com a SME para cobrar as devidas providências e responsabilidades”, afirma a presidente do Sindiute.

A professora de Inglês Silvia Cosme, apesar de não se sentir segura ainda, diz que a volta às aulas presenciais é muito importante, mas com os devidos cuidados e com a imunização tanto dos professores quanto dos alunos. “Os alunos estão bastante ansiosos pelo retorno, e nós professores sentimos falta do contato diário com eles.”

Além da barreira física, de precisar manter distância, Silvia avalia que uma das dificuldades será dividir o tempo entre os conteúdos atuais e a revisão dos conteúdos ensinados de forma remota. Segundo ela, no decorrer das aulas serão feitas avaliações diagnósticas para avaliar o que os alunos aprenderam durante esse períodos de aulas virtuais e, assim, planejar um reforço de acordo com os resultados.

Mesmo com medo da doença e das consequências que ela pode trazer, a professora de Língua Portuguesa da rede municipal, Arábia Hyokohama, também diz que os professores e alunos estão muito ansiosos para o retorno das aulas presenciais com segurança.

Ela afirma que com a vacinação dos funcionários e possível início da vacinação dos alunos mais velhos, o retorno presencial em setembro será uma experiência para a retomada total em um futuro próximo. Hyokohama avalia que mesmo com a preparação da escola em que trabalha, a conscientização quanto às medidas de proteção será o mais difícil.

Maria Clara da Silva, estudante do 7° ano do ensino fundamental, conta que sente falta dos amigos e professores. A expectativa da aluna da Escola Municipal Professora Aldaci Barbosa é de que todos tomem os devidos cuidados nesse retorno. “Talvez eu tenha dificuldade em me enturmar com meus colegas, mas quero me dar bem com eles”, afirmou.

A aluna ainda espera conseguir acompanhar o conteúdo passado pelos professores. Para ela, foi difícil compreender alguns assuntos durante as aulas remotas. “Para mim era mais fácil aprender nas aulas presenciais, pois o professor explicava no quadro e sempre respondia minhas dúvidas.”

Sara dos Santos, também aluna do 7° ano, conta que quer retornar às aulas presenciais porque sente falta da escola e dos amigos. Além disso, explica que não está conseguindo estudar nesse formato virtual. Ela, que é aluna da Escola Municipal de Tempo Integral Lais Rodrigues de Almeida, acredita que com o retorno vai poder se dedicar melhor aos estudos, apesar do receio de ter dificuldade para acompanhar o conteúdo.

Preparação das escolas

No último mês de maio o Conselho de Direitos Humanos do Ceará (CEDDH) realizou vistorias em 42 escolas municipais da Capital para avaliar as condições de infraestrutura, acessibilidade, acesso à água, ventilação e outras questões exigidas pelo protocolo sanitário do governo estadual.

O "Relatório de monitoramento das escolas públicas da Rede Municipal de Fortaleza sobre o retorno seguro ao ensino presencial no contexto da pandemia de Covid-19", divulgado pelo Conselho em junho último, concluiu que Fortaleza ainda tem escolas sem infraestrutura, sem ventilação adequada e sem acesso à água.

Em contrapartida, segundo a SME, 92% das escolas da rede municipal estão aptas ao retorno presencial. São 538 das 581 unidades de educação da Capital que estão capacitadas para receber alunos e profissionais, de acordo com a pasta.

Em nota, a Secretaria informou que as adequações das unidades escolares, com base no enfrentamento à Covid, cumprem os protocolos sanitários, dispostos no Protocolo Setorial recomendado à área da educação pelo governo do Ceará. Dentre as intervenções, estão a instalação de lavatórios e reservatórios de água, a abertura de espaços para maior circulação de ar e ferramentas de sanitização.