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Fortaleza
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69% das pessoas trans atendidas pelo Centro de Referência LGBT são negras

Segundo o último relatório publicado pelo Centro de Referencia LGBT Janaína Dutra, a maioria das pessoas atendidas em 2019 foram jovens, negros, com pouco acesso a renda e risco de vulnerabilidade social

20:37 | 29/01/2021

O último relatório anual do Centro de Referência LGBT Janaína Dutra trouxe o perfil das pessoas assistidas pelo local: jovens negros de classe baixa e em risco de vulnerabilização social são o perfil mais comum. Em 2019, 170 novos casos de violação/omissão de direitos passaram a ser acompanhados. Foram atendidas, no total, 1.813 pessoas por meio de assistência jurídica, psicológica, social e de ações educativas, sendo 78% delas pessoas trans (travestis, homens transexuais, mulheres transexuais e pessoas não binárias). As regionais IV, V e VI de Fortaleza concentram, somadas, 69% dos assistidos. Em 41% dos casos, o motivo de procura pelo centro é de alteração de prenome e gênero nas certidões de nascimento.

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O ambulatório SerTrans, previsto para ser inaugurado em 2017, mas só passou a receber novos pacientes em 2019, também funciona como promotor de serviços gratuitos para essa população. Localizado no Hospital Professor Frota Pinto, o ambulatório oferece serviços de psiquiatria, psicologia, endocrinologia, enfermagem e serviço social para pessoas trans. Foram realizados 748 atendimentos desde a inauguração.

Para a psiquiatra Ionésia Amaral, é necessário descentralizar o ambulatório para levar esse atendimento para mais pessoas "O ambulatório acontece dentro de um hospital psiquiátrico, isso faz com que o estigma da transgeneridade se torne uma coisa muito mais arraigada", explicou. Vale ressaltar que desde 2019 a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou da classificação da transexualidade como transtorno mental da 11º versão da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas de Saúde (CID 11).

O ambulatório atende a duas portarias do Ministério da Saúde (nº 1.707 e nº 457 de agosto de 2008, ampliada pela Portaria nº 2.803, de 19 de novembro de 2013) que estabelecem a assistência no Processo Transexualizador realizado pelo SUS. Segundo a médica, o ambulatório devia servir como ponto de formação dos estudantes e das equipes multidisciplinares, para que essas pessoas sejam compreendidas e validadas. "A gente precisa levar isso pra dentro ou próximo das escolas, nas associações de bairros para entender o contexto da disforia de gênero e o contexto social da transgeneridade. Não é patologizando a transgeneridade que vamos conseguir", explica Ionésia.

Serviço

O Centro de Referência LGBT Janaína Dutra é um serviço municipal de proteção e defesa da população Lésbica, Gay, Bissexual, Travesti e Transexual – LGBT em situação de violência e outras violações de direitos em razão da sua orientação sexual e/ou identidade de gênero. Telefone: (85) 98970 4621

O ambulatório SerTrans possui atendimento às quintas-feiras, mas, no momento, está atendendo apenas com pacientes que migraram de outro ambulatório