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Ceará
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Familiares e amigos de Keron Ravach protestam a favor de vidas LGBTQIA+ em Camocim

22:47 | 11/01/2021
Manifestação à beira-mar em Camocim em protesto contra a morte de meninas trans na cidade e pela vida da população LGBTQIA+ (Foto: DIVULGAÇÃO)
Manifestação à beira-mar em Camocim em protesto contra a morte de meninas trans na cidade e pela vida da população LGBTQIA+ (Foto: DIVULGAÇÃO)

Mães, amigos e familiares da jovem Keron Ravach, assassinada no último dia 5, realizaram uma manifestação a favor das vidas LGBTQIA+, à beira-mar, na tarde desta segunda-feira, 11, em Camocim. Na ocasião, representantes cearenses da ONG "Mães pela Diversidade" estiveram presentes. A ONG, formada por mães e pais de pessoas LGBTQIA+ com atuação em 23 estados brasileiros, publicou nota no Instagram na última quinta-feira, 7, lamentando a perda da jovem de 13 anos.

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A morte de Luanna Kelly também foi mencionada. A jovem trans de 22 anos foi assassinada pelo marido em junho de 2020. 

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Confira a nota na íntegra:

"Mais uma menina trans foi assassinada. Dessa vez uma criança. 13 anos. Keron Ravach. Uma menina que gostava de dançar na praça, com amigos, e depois tomava banho de mar.

O preconceito é alimentado pela ignorância e desconhecimento das pessoas. Pelo constrangimento de quem sabe muito bem o que acontece e escolhe calar. Crianças trans existem, espalhem por aí. A criança LGBT+ existe, não esqueçam. Crianças que não correspondem ao que se espera delas e, por isso, sofrem demais! Nosso silêncio diante disso alimenta uma lógica perversa que as faz duvidar de si mesmas, acreditar que sua existência é um erro.

O pacto de silêncio em torno desse tema precisa ser rompido. Constrangedor não é falar disso. Constrangedor e terrível é ouvir a descrição do assassinato de Keron: pauladas, chutes, pedradas, facadas. O horror!

Dentro de nós, mães de pessoas LGBTIA+, o buraco no peito é inevitável. Cada morte assim é como um grande fracasso nosso. Fracasso em mudar o mundo pra que nossas crianças vivam em paz, sem medo e sem vergonha. Vamos ao chão.

Sabe o que acontece? Nós não conseguimos sozinhas. Precisamos, e muito, de você que está lendo isto agora. Um novo pacto, que invente esse mundo possível para nossas meninas e meninos.

Por hoje, fica o luto. A ausência de cor dentro do peito por mais uma das nossas meninas que tomba.
Mas amanhã, não se espantem, as cores delas voltam a pintar o mundo. Alegres, ousadas, serelepes…"