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Fortaleza
NOTÍCIA

Bar de Fortaleza abre sindicância para apurar denúncia de transfobia no estabelecimento

Caso ocorreu na madrugada do dia 29 de fevereiro, quando a vítima teria sido constrangida por utilizar o banheiro feminino do bar Floresta Brasil

Matheus Facundo
21:48 | 09/03/2020
Bar em Fortaleza é acusado de transfobia
Bar em Fortaleza é acusado de transfobia (Foto: @Floresta_brasil)

Após uma travesti ter acusado um funcionário do bar Floresta Brasil, no bairro Meireles, de transfobia, o estabelecimento divulgou, nesta segunda-feira, 9, a abertura de uma sindicância interna para averiguar a conduta do segurança envolvido na denúncia. Caso ocorreu na madrugada do dia 29 de fevereiro, quando a vítima teria sido constrangida por utilizar o banheiro feminino.

A estudante Amanda Felix, de 23 anos, afirmou ter sido humilhada pelo funcionário. “Foram reclamar dizendo que tinha ‘um homem’ usando o banheiro e ele (segurança) chegou me perguntando: 'Meu irmão, tu vai pra onde?'", relatou a vítima na postagem em sua rede social, alertando para que travestis não frequentassem mais o local.

A travesti conversou com O POVO à época do ocorrido e relatou que o homem alegou que a casa tinha "regras". A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do empreendimento cinco dias antes da publicação da matéria, veiculada no dia 5 de fevereiro. A primeira resposta da casa veio dois dias depois do primeiro contato, se limitando a informar que estava "apurando" caso. Na tarde da última sexta-feira, 6, O POVO recebeu uma ligação do setor jurídico do bar, informando que mandaria uma nota de esclarecimento.

Tão logo a reportagem recebeu respostas da administração do bar, adicionava os posicionamentos na matéria original, mesmo sem uma nota oficial ter sido mandada. O texto só foi enviado à reportagem nesta segunda-feira, 9, e chegou em forma de nota de repúdio ao O POVO.

O POVO chegou a publicar informação errada sobre em qual dos estabelecimentos do grupo teria ocorrido o episódio. Tão logo percebido o equívoco, o post foi deletado e em seguida foi publicado um post com a informação correta.

O Floresta Brasil afirmou que se o caso for "provado", "lamenta" a situação e reforça também que esta não é a postura do bar. Segundo a nota, o segurança terceirizado teria agido "por conta própria" ao repreender Amanda por usar o banheiro feminino. 

"O público do Floresta é diverso assim como tem que ser. Nossa clientela lgbtqia+ sempre frequentou com total liberdade e igualdade as nossas casas. Não admitimos qualquer preconceito aqui dentro!!! Seja ele sexual, religioso ou político", afirma o bar.

Confira nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO AO JORNAL O POVO

Queridos seres do Floresta e a quem mais interessar, viemos aqui responder às acusações de transfobia que foram publicadas no Jornal O Povo.

Inicialmente, comunicamos a abertura de sindicância interna para averiguar a reclamação.
Caso reste provado que o fato tenha ocorrido, lamentamos a situação e reforçamos que tal postura não coaduna com a política interna do Floresta, bem como esclarecemos que o segurança terceirizado que agiu por conta própria, tendo a gerência e diretoria do estabelecimento tomado conhecimento da reclamação somente 01 dia após através das publicações na mídia social.
O público do Floresta é diverso assim como tem que ser. Nossa clientela lgbtqia+ sempre frequentou com total liberdade e igualdade as nossas casas. Não admitimos qualquer preconceito aqui dentro!!! Seja ele sexual, religioso ou político. Na nossa equipe também se encontra diversidade e inclusão, assim como transexuais, homossexuais, negros, índios, deficientes, orientais, amarelos, brancos.... Atualmente temos aproximadamente 180 funcionários, e nesses 10 anos já passaram mais de 1000 por aqui.
Queremos fazer os nossos seres sorrirem, comerem bem, dançarem, ouvirem música boa, e.....absolutamente sem nenhum preconceito!!!