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Fortaleza
NOTÍCIA

18 pessoas prestaram depoimento sobre desabamento do Edifício Andréa

Testemunhas, vítimas, familiares e possíveis responsáveis continuam a depor nesta segunda-feira, 21. Prédio desabou na terça-feira da semana passada, 15

Lucas Braga
12:13 | 21/10/2019
FORTALEZA, CE, BRASIL, 20-10-2019: Local do desabemento do edifício Andréa passa por limpeza dos escombros pela Defesa Civil. Curiosos ainda vão ao local para acompanhar o trabalho de retirada dos escombros. (Foto: Júlio Caesar/O Povo)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 20-10-2019: Local do desabemento do edifício Andréa passa por limpeza dos escombros pela Defesa Civil. Curiosos ainda vão ao local para acompanhar o trabalho de retirada dos escombros. (Foto: Júlio Caesar/O Povo) (Foto: JÚLIO CAESAR)

Desde a instauração do inquérito sobre o desabamento do Edifício Andréa, na última terça-feira, 15, pelo menos 18 pessoas foram ouvidas pela Polícia. Testemunhas, vítimas, familiares e possíveis responsáveis continuam a depor nesta segunda, 21, no 4º Distrito Policial, bairro São João do Tauape.

Com semblante abalado, familiares estiveram na delegacia desde a semana passada e foram ouvidos pelo delegado Munguba Neto.

O POVO conversou com o advogado Brenno Gomes de Almeida, que representa o engenheiro José Andresson Gonzaga dos Santos, responsável pela obra que reformaria as pilastras e vigas do condomínio.

DEFESA DO ENGENHEIRO

Na última sexta-feira, Andresson e seu advogado protocolaram uma nota no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-CE) "esclarecendo que o engenheiro não havia sumido após a tragédia". De acordo com Brenno de Almeida, até então, o Crea-CE trabalhava com a versão do "desaparecimento" ou "fuga" do associado.

Horas depois de escapar do desabamento do Edifício Andréa, Andresson e Carlos Alberto - engenheiro contratado pela Alpha Engenharia para trabalhar na reforma, se apresentaram com o advogado na Delegacia do 4º Distrito Policial (4º DP) de Fortaleza.

Em depoimento ao delegado, Andresson afirmou que "o prédio tem mais de 40 anos que foi construído e já deveria ter passado por manutenções preventivas". Argumento que a defesa utilizará para tentar provar que a suposta falta de reparos estruturais foi a causa principal do desabamento da edificação de sete andares, além do motivo da morte de nove pessoas.

E por qual razão o engenheiro não se recusou a fazer o serviço de reforma das pilastras e das vigas do Edifício Andréa, já que a estrutura estava comprometida? De acordo com Brenno de Almeida, "não havia motivo para Andresson recusar aquele trabalho específico e ele tinha aptidão para executar a obra. Numa profissão, não podemos rejeitar o serviço bom ou ruim. E o Crea-CE, órgão fiscalizador, havia emitido a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART)".

Andresson estava no térreo com o engenheiro Carlos Alberto, o pedreiro Amauri, um zelador e a síndica Maria das Graças Rodrigues, 70. Ela não escapou e foi o último corpo resgatado no sábado, 19, pelo Corpo de Bombeiros do Ceará.

PERÍCIA

A Perícia Forense do Estado (Pefoce) iniciou a averiguação das causas do desabamento ainda no sábado, 19, após as buscas por vítimas cessarem. O último corpo removido foi o da síndica Maria das Graças Rodrigues, 53. Era a última pessoa reportada como desaparecida.

A tragédia deixou sete feridos e nove mortos. No sábado, o porteiro Francisco Rodrigues Alves, de 59 anos, recebeu alta hospitalar. Três vítimas ainda seguem internadas.

1 - Cleide Maria da Cruz Carvalho, 60 anos: foi encaminhada ao IJF e recebeu tratamento de fratura exposta no membro inferior direito. Passou por cirurgia e segue internada no IJF II com quadro clínico estável. Cleide recebe suporte clínico e terapia com antibióticos. Ela é avaliada uma vez por dia pelos médicos do hospital.

2 - Gilson Moreira Gomes, 53 anos: foi submetido a uma cirurgia para fixação de fratura exposta e segue internado também no IJF II. Ele sofreu fraturas fechadas em ambas as pernas e uma fratura exposta no dedo maior do pé, de acordo com o diretor de traumatologia do hospital, Fernando Façanha. Gilson deve passar por outra cirurgia e reabilitação pós-operatória. Ele tem três avaliações médicas por dia.

3 - Maria Antônia Peixoto, 72 anos: paciente foi recebida no IJF com traumatismo craniano grave e trauma torácico. Ela recebeu suporte respiratório, transfusão sanguínea e outros cuidados emergenciais. A pedido da família, foi transferida para o hospital privado Otoclínica. O POVO Online tentou contato com o hospital para saber mais sobre o quadro de saúde de Maria Antônia, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

MORTOS NO DESABAMENTO 

As nove mortes confirmadas são: Nayara Pinho Silveira, de 31 anos; Antônio Gildasio Holanda, de 60 anos; Frederick Santana dos Santos, de 30 anos; Izaura Marques Menezes, de 81 anos; Maria da Penha Bezerril Cavalcante, de 81 anos, Roseane Marques de Menezes, de 56 anos, Vicente de Paulo Vaconcelos de Menezes, 86 anos, Eriverton Laurentino Araújo, 44 anos, e Maria das Graças Rodrigues, 53.

Veja a nota da Polícia Civil, em 21/10:

A Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE), por meio do 4° Distrito Policial, informa que instaurou um inquérito policial para apurar as circunstâncias do desabamento do Edifício Andrea. Até o momento, 18 pessoas já foram ouvidas durante o andamento das investigações. A Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), ainda no sábado (19), após os procedimentos de buscas terem sido finalizados, iniciou os trabalhos periciais com o intuito de averiguar as causas do desabamento.

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