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Fortaleza
NOTÍCIA

Em protesto, vereadora pede que prefeito se pronuncie sobre os ônibus de autoatendimento

Além do pagamento por meio de cartões, manifestantes reclamavam da demissão em massa de cobradores

11:52 | 11/10/2019
Manifestação ocorreu em frente ao Paço Municipal, no Centro
Manifestação ocorreu em frente ao Paço Municipal, no Centro (Foto: Leonardo Maia/Especial para O POVO)

A vereadora Larissa Gaspar (PT) protocolou denúncia formal contra o prefeito Roberto Cláudio (PDT) pedindo que ele se pronuncie sobre os ônibus de autoatendimento. Segundo ela, o transporte coletivo que não aceita dinheiro, apenas cartões, fere direitos do consumidor. Ela cobra resposta do prefeito em até 72 horas. Durante a manhã desta sexta-feira, 11, a vereadora esteve em frente ao Paço Municipal com cobradores, motoristas e usuários do sistema público de transporte para protestar contra a modalidade de pagamento adotada nos coletivos.

“A população está sendo forçada. A tecnologia está sendo utilizada para humilhar e constranger as pessoas a fazerem um cartão para usar o transporte coletivo. É uma prática abusiva”, diz Larissa. Além do pagamento da passagem, as outras reivindicações dos manifestantes são em relação a demissões de cobradores e extinção de seus postos de trabalho. Entre outubro de 2018 e agosto deste ano, 931 cobradores foram demitidos em Fortaleza, de acordo com o Sindiônibus.

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Larissa defende ainda que a situação atual fere as diretrizes da Lei Nº 7.163, de 30 de junho de 1992, que lista o padrão de conduta para motoristas e cobradores trabalhadores dos coletivos municipais de Fortaleza. Para ela, o motorista precisa desviar sua atenção do trânsito, tanto para atender demandas dos passageiros quanto para vender cartões expressos de passagem. Se Roberto Cláudio não responder à denúncia, a vereadora diz que o fato pode se configurar em crime de responsabilidade. “Se nada for feito, vamos acionar o poder judiciário”.

Presente na manifestação, Domingos Neto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro), demonstrou descontentamento com as medidas e afirmou que a população está sendo prejudicada, assim como os trabalhadores do sistema. “Os profissionais estão perdendo seus empregos para um sistema ganancioso, que só vê o lucro. Os passageiros estão sendo desrespeitados nos seus trajetos de ir e vir”.

“A cidade não debateu essa alteração, nem o poder público, nem o legislativo. Foi uma imposição do setor privado”, afirmou o deputado estadual Renato Roseno, que também estava no ato. Ele pede que a Prefeitura discuta as medidas adotadas no transporte público com mais clareza.

Durante o protesto, a Guarda Municipal pediu para que os manifestantes diminuíssem o volume do som que estavam utilizando, pois estaria atrapalhando os comerciantes locais. No entanto, o volume foi mantido.

*Com informações do repórter Leonardo Maia/Especial para O POVO