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Fortaleza
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Fortaleza integra campanha nacional para prevenção do suicídio; ações ocorrem até este domingo

A ação busca alertar para a necessidade de falar sobre o tema. De acordo com pesquisa Ibope, 20% dos fortalezenses acreditam que a depressão é um sinal de fraqueza

11:23 | 28/09/2019
Semáforo de Fortaleza já pronto para a campanha.
Semáforo de Fortaleza já pronto para a campanha.(Foto: Divulgação/CDN Comunicação)

Como parte do movimento Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio, Fortaleza integra, até este domingo, 29, a campanha nacional "Na Direção da Vida – Depressão sem Tabu", que alerta para a necessidade de falar sobre o tema, ainda envolto em uma atmosfera de preconceito, tabus e informações, muitas vezes, incorretas ou incompletas.

As ações começaram na quinta-feira, 26, quando a Autarquia Municipal de Trânsito (AMC) instalou máscaras com o pictograma de um girassol em todos os semáforos no entorno da Praça Portugal, no bairro Aldeota. De acordo com a Prefeitura, a produção é totalmente inédita e foi feita especialmente para a cidade de Fortaleza.

O plantio de 70 mudas de girassol, planta que simboliza a campanha de prevenção ao suicídio, também foi realizado na Praça Portugal nessa sexta-feira, 27. Profissionais da Autarquia de Urbanismo e Paisagismo de Fortaleza (UrbFor) orientaram à população sobre cuidados com plantas plantas medicinais e ornamentais. O órgão doou 150 mudas dessas plantas para as pessoas que transitavam pelo local.

Labirinto de Girassóis, uma das ações da campanha realizadas em metrópoles brasileiras.
Labirinto de Girassóis, uma das ações da campanha realizadas em metrópoles brasileiras. (Foto: Divulgação/CDN Comunicação)

A praça ainda conta, durante o período da campanha, com dois totens com um resumo do manifesto do movimento, além de um QR Code para o site www.depressaosemtabu.com.br, que reúne informações educativas sobre o tema e dicas de como ajudar alguém que apresente comportamentos de risco.

A campanha, que têm abrangência nacional, é promovida pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pela Upjohn (divisão focada em doenças crônicas não-transmissíveis) e pela área de Medicina interna da Pfizer, empresa farmacêutica multinacional.

Fortalezenses ainda apresentam grande resistência para falar sobre o tema

Enquanto as taxas de suicídio caem em um contexto global, o Brasil apresenta um cenário que vai na contramão. De acordo com artigo publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, o número de suicídios aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015.

Em Fortaleza, há ainda uma resistência à aceitação da doença acima da média nacional. Cerca de 35% dos fortalezenses acreditam, ou têm dúvida, sobre depressão ser causada pela "falta de Deus". Além disso, a cidade é a que mais acha que a doença é um sinal de fraqueza (20%). Mesmo com a doença diagnosticada, os fortalezenzes continuam sem querer falar sobre o problema.

43% não se sentiriam à vontade para falar sobre o assunto no trabalho e/ou escola. Entre os principais motivos apontados estão: "As pessoas não levam a depressão a sério e não vão acreditar que estou doente" (59%), "Não quero que sintam pena de mim" (45%) e "Tenho receio de ser hostilizado ou ridicularizado pelos meus colegas" (35%). No âmbito familiar, os fortalezenses são os que mais têm medo de atrapalhar e preocupar os familiares em caso de depressão (63%). Os dados são da pesquisa Ibope Conecta, realizada em março deste ano.